Episódio: Adverse Events (3/24)
Temporada: 5
Primeira transmissão nos EUA: 30 de Setembro de 2008
Primeira transmissão em Portugal: 24 de Novembro de 2008
Sem brilharem nas luzes da ribalta, os dois primeiros episódios da 5ª temporada de House MD foram relativamente consistentes.
Como se o próprio nome quisesse enviar uma mensagem, “Adverse Events” vem gelar um bocadinho mais a já longínqua excelência dos últimos episódios da 4ª temporada.
House não pode ser completa e realmente considerada uma série “médica”. Apesar dos intrincados mistérios, estamos perante uma série que assenta sobretudo do carácter e psicose dos personagens. Este episódio, não obstante ser francamente fraco, é o espelho desse facto.
Brandon (participação especial de Breckin Meyer) é um pintor em crise e apresenta-se como o caso da semana. Depois de terminar um dos seus quadros – um retrato de uma mulher -, os seus clientes mostram-se horrorizados e ofendidos com o resultado final: a face da mulher está completamente desfigurada. Confuso, Brandon não “vê” nada de errado.
Confirmando os meus receios, Lucas (participação de Michael Weston) está de volta (e logo na 2ª cena do episódio) e continua insonso. Parece-me, sobretudo, demasiado forçado e sem graça. Mas, e admito, nem tudo pode ser mau. Lucas acaba por trazer novas e suculentas informações que (finalmente) nos mostram um pouco mais sobre a equipa de House (Hugh Laurie). Nenhum escapou, mas o alvo mais apetecido acabou por ser o dr. Chris Taub (Peter Jacobson): Lucas descobriu uma conta bancária que a mulher do médico intencionalmente lhe ocultou.
E que interessante foi ver House a implicar com o “baixinho”. Taub parece não lhe dar grande saída inicialmente, mas acaba invariavelmente por vacilar, tal como House previra (falará finalmente com a mulher acerca da sua infedilidade?). Chega a ser impressionante (às vezes até inverosímil..?) como House conhece o ser humano e todas as suas manhas.
Voltando um pouco atrás, ao “mistério” do dia, é perfeitamente discernível a conveniência (um tanto forçada) da situação do paciente em contraste com a do próprio Taub. Ambos escondem algo das suas companheiras, a diferença é que um está a morrer e o outro não.
Mas o que sem dúvida chamou a minha atenção foi a resolução do caso. Mais especificamente, quem o resolveu. Ainda melhor, quem não resolveu: House. Taub ocupou, neste episódio, o lugar de desmistificador e foi fantástico ver House meio “perdido” e a falhar. Será a ausência de Wilson (Robert Sean Leonard) que se faz sentir cada vez mais? Estará House a deixar lentamente de ser House?
Resumindo e concluindo…
Como se consegue compreender pela extensão e falta de entusiasmo da própria crítica, “Adverse Events” foi genericamente fraco e pontualmente interessante(zinho). O saldo é positivo, mas anda na corda bamba.
House ainda não teve o seu “grande regresso”. Os episódios arrastam-se devagar, devagarinho, sem grandes explosões de interesse. Lucas não é um Wilson, nem era isso que se pretende que seja, mas também não é nada em concreto, ou pelo menos, nada que pertença realmente àquele lugar. E sendo House uma série de “personagens”, não beneficia em nada da entrada de mais um sem qualquer profundidade e cuja função é pouco mais que mandar bocas a House e/ou piadas sem graça. Aquela espécie de tentativa de triângulo amoroso Lucas/Cuddy/House também me pareceu ter saído um tanto furada…
Pontos altos
House não resolve o caso…e ficamos a saber que ele foi cheerleader!
Pontos baixos
Continuada falta de dinâmica e ritmo (já vinda dos episódios anteriores).
Lucas cada vez menos interessante.
No ouvido…
House: You want my advice?
Taub: Of course not.
House: Good, ‘cause I have no idea what you should do.
Thirteen: Drugs? How many trials are you on?
Brandon: Three.
House: Admirable. Not many idiots have that much ambition.
Nota: 6.5/10
Imagens: Fox