
Com: Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep e Stephen Dillane
Um argumento potencialmente interessante, com um elenco de luxo, onde alguns são sobrevalorizados.
Estreado entre nós há cinco anos atrás, The Hours (As Horas) mereceu novo visionamento. Afinal, é por vezes, fora dos focos ou das polémicas que alguns filmes atingem o seu esplendor, quer seja por nos ser permitida uma reflexão maior ou por, simplesmente, nós próprios espectadores termos evoluído em personalidade e gostos.

As Horas é baseado num romance de Michael Cunningham com título homónimo e conta a história da escritora Virginia Woolf quando se encontra numa luta constante com o seu interior, ao escrever o seu primeiro grande romance. Esse romance vai inflenciar de alguma forma a vida de outras duas mulheres, uma dos anos 50, Laura Brown, que estando a passar por uma fase depressiva, lê o romance “Mrs. Dalloway” e considera-o tão revelador, que acaba por ponderar efectuar uma mudança devastadora na sua vida. Na actualidade, surge Clarissa Vaughan, a versão contemporânea da Mrs. Dalloway romanceada.
O filme acaba por nos iludir enquanto espectadores, afinal ele foi escrito, realizado e produzido cuidadosamente, de forma a agradecer uma audiência exigente de cinéfilos e de júris sedentos de argumentos sérios e respeitáveis. E se considerarmos isso dessa forma, o filme acaba por corresponder às expectativas. Contudo, se distanciarmos essa visão “oscarizada”, se assim me permitem, o caso muda de figura.
O filme é, ao mesmo tempo, um filme de época e um filme moderno. É o passado que acaba por dominar a narrativa, com o tempo presente a funcionar como um epílogo de todo o argumento. E isso, por vezes, resulta numa série de cenas absolutamente dispensáveis e até enfadonhas. As Horas apresenta-se mais complexo, do que talvez o seja na realidade, surgindo em produto cinematográfico criado para ser intelectualmente estimulante, mas que não o consegue.

Afinal o filme acaba por ser uma mini-biografia de Virginia Woolf, especulando os motivos que a levaram a escrever “Mrs. Dalloway” e o que a conduziu ao suicídio? Procura, de certa forma, explorar a homossexualidade feminina em diferentes épocas? Aborda o desgaste que se cria durante a escrita de um livro ou procura mostrar que por detrás do indivíduo escritor encontra-se uma pessoa assolada por fantasmas interiores? No final de contas, acaba por se perceber que a narrativa entrecruzada de três histórias não foi feita para mais do que simplesmente surpreender razoavelmente o espectador, tornando-se em três pequenos argumentos em vez de todo um argumento lato?
Não sendo propriamente um filme de grande culto, o seu visionamento deve ser visto nem que seja, pelo menos, pela interpretação de três grandes divas de Hollywood: Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep. Nicole Kidman ganhou o seu único Óscar de Melhor Actriz acima de tudo pela caracterização que foi necessária para a interpretação de Virginia Woolf, ao ponto de a deixar irreconhecível.
Contudo, é Julianne Moore que detém a melhor personagem e a que melhor trabalhou nesse sentido. Moore tem uma interpretação surpreendentemente boa, no papel de uma dona de casa depressiva e que poderia, contudo, ter caído nos clichés comuns. Felizmente, tal não aconteceu; valeu-nos a qualidade de uma actriz que, lamentavelmente, não recebeu o galardão da Academia, que lhe seria tremendamente justo.
Meryl Streep interpreta uma personagem que poderia ser interessante, mas que acaba por morrer demasiado em importância, devido ao argumento.
As Horas é um filme surpreendentemente bom em termos técnicos, mas que ao invés de nos trazer algo de notável, conforme se anunciou, terminou por nos apresentar uma revisitação de filmes do género.
Classificação:
Extras:
- Entrevistas com Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman, Ed Harris, Claire Danes e Stephen Daldry
- Documentários: “As Mentes e Tempos de Virginia Woolf”; “As Vidas de Mrs. Dalloway”; “A Música das Horas”; “Três Mulheres”
- Introdução do Realizador ao DVD
- Trailer
- Making Of
- Galeria de Imagens
Sendo esta uma edição especial em DVD, os extras são bastante completos, tendo algumas opções muito interessantes.
Classificação dos extras: 
“Dear Leonard, to look life in the face … always to look life in the face, and to know it for what it is. At last, to know it, to love it for what it is, and then … to put it away. Leonard … always the years between us, always the years … always … the love … always … the hours.





nem parece a Nicole Kidman