Em Bruges, por Carlos Antunes

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Título original: In Bruges

De: Martin McDonagh

Escrito por: Martin McDonagh

Com: Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes

Já são raros os filmes que nos chegam assim.

Quando um assassinato corre mal, os seus dois autores são enviados durante duas semanas para Bruges para que o ambiente acalme.

Lá, entre o tédio de Ray (Colin Farrell) e o prazer de Ken (Brendan Gleeson), descobrimos uma cidade por entre as vontades e as personalidades desta dupla mais do que cativante, que acabará por se cruzar com personagens tão distintas quanto surpreendentes.

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Entramos por Bruges adentro como numa pequena visita guiada pela personalidade de cada um dos elementos desta dupla.

A cidade ganhar personalidade para além de si mesmo, mostra-se a cada tempo pelo ângulo de cada um deles.

É um postal subjectivo, uma visita guiada não formatada.

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A beleza e a distinção deste filme é essa, a de se deixar conduzir pelas suas personagens.

Não há um momento de previsibilidade neste drama/comédia/farsa criminal.

Não porque haja um qualquer mecanismo falso de reviravolta e contra-reviravolta, mas tão simplesmente porque é a própria imprevisibilidade das personagens, da sua vida interior, que guia (ou melhor, que deixa seguirem à deriva normal da própria vida) a acção.

Nesse espaço narrativo é assinalável o engenho com que o argumento une as personagens na teia de relações e interacções, sem forçar a possibilidade de crença neste “realidade”.

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Debaixo de uma aparente simplicidade dos desenvolvimentos esconde-se depois uma complexidade das personagens que tem a sorte de ver Brendan Gleeson e Colin Farrell em excelente forma.

O primeiro assegura a figura do gangster de bom coração, paternal e desencantado com a vida, estranhamente católico e sacrificial. A sua lógica finalmente cede perante o sentimentalismo.

O segundo é ainda a criança que não conseguiu superar os seus complexos e se envolveu em assuntos que eram demais para as suas possibilidades. Não sabe (ou não quer) perdoar-se mas não resiste às suas pulsões.

Chega a haver uma estranha forma de amor, caricata mesmo, que só se revela verdadeiramente quando tudo termina.

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E quando tudo termina, numa cena plena de ironia, apercebemo-nos que tivemos tempo de chorar, de rir, de nos angustiarmos.

Há drama, há humor negro, há tristeza e há loucura ao longo de todo o filme.

Um filme que chega, prende-nos e, em última instância, nos cativa como poucos já sabem fazer.

Classificação:

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2 respostas a Em Bruges, por Carlos Antunes

  1. MJNuts diz:

    Já o Nuno Markl tinha falado muito bem deste filme… Tenho de ver se o encontro.

  2. joaot diz:

    ja o vi ha uns mesitos..bem melhor k o burn after reading..

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