Mamma Mia! , por Gonçalo Trindade

título original: Mamma Mia!

de: Phyllida Lloyd

escrito por: Cathreine Johnson

com: Meryl Streep, Pierce Brosnan e Amanda Seyfried.

Histérico. Mas no bom sentido.

A música dos Abba, goste-se ou não, tem uma popularidade incomparável. Coisas como “Mamma Mia”, “Money, Money, Money” e “Super Trouper” são músicas que qualquer pessoa, amante da banda ou não, conhece. Independentemente da idade e do gosto, a popularidade da banda sueca é contagiante. E tendo em conta tal popularidade, um musical baseado em tais músicas era uma aposta ganha. Independentemente da qualidade do produto resultante.

Adicione-se lá um elenco com Meryl Streep, Julie Andrews, Colin Firth e Pierce Brosnan… e ainda mais ganha a aposta está.

E de facto, nem que seja pelo enorme sucesso que o filme por cá tem tido (que agora até tem direito a versão karaoke (?!) em algumas salas do nosso país…), a aposta foi ganha. Mais em terrenos europeus que americanos, mas certamente ganha. E até se percebe a vitória, já que o filme é, de facto, extremamente agradável.

Mamma Mia!” não é, nem jamais poderia ser, algo do calibre de um “West Side Story” ou um “Moulin Rouge“. As músicas dos Abba, agradáveis mas superficiais, delimitam um filme que acaba por ser aquilo para que desde o início foi talhado: filme feel-good. Sejamos honestos, músicas como “Super Trouper” ou “Mamma Mia!” (esta até com direito a repetição, não fosse ela a que dá o nome ao filme…) soam muito bem ao ouvido… mas não passam muito daí. São agradáveis, energéticas, e fazem o espectador ter vontade de levantar o traseiro do assento para cantar a plenos pulmões (o público com o qual vi o filme ainda resistiu a tal tentação, mas por pouco…), e é esse o seu valor.

Este é, pois, um filme divertido, para divertir, feito por gente que se divertiu enquanto o fazia. O elenco é o melhor exemplo disso. Uma Meryl Streep exagerada num filme exagerado, com tiques que parecem saídos de um filme expressionista dos anos 20, que dança e canta a plenos pulmões… e, curiosamente, canta muito bem. De facto, Streep é a rainha do filme. Ilumina o ecrã sempre que aparece, e faz falta quando não lá está. Não fosse ela também a “Mamma Mia!” a quem o título se refere.

De facto, a história é francamente simples: Streep faz de Donna Sheridan, mãe de Sophie Sheridan (interpretada pela jovem talentosa Amanda Seyfried), que se vai casar em breve. Sem saber quem é o seu pai, a noiva encontra (coscuvilhando no diário da mãe) três possíveis pais. De forma a descobrir qual deles o é verdadeiramente, convida os três candidatos (Pierce Brosnan – que devia seriamente nunca mais voltar a cantar no mundo da Sétima Arte), Colin Firth (num papel que lhe assenta com uma luva, dada a sua típica presença de cavalheiro), e Stellan Skarsgård (que não tem muito que fazer, mas o que faz… faz bem). O resto são peripécias atrás de peripécias… leia-se, música dos Abba atrás de música dos Abba, em números musicais espalhafatosos e, por isso mesmo, agradáveis.

A realização não é particularmente inspirada, o argumento não é particularmente inspirado… mas também não tinham de o ser. É um filme que vive à base das suas músicas e dos seus intérpretes. E aqui as músicas são obviamente agradáveis, cantadas por um elenco que se diverte com o que faz (mas repito: James Bond, que não te voltemos a ouvir), num filme exagerado e superficial como as suas músicas, com uma energia que chega a ser histérica (aquele trio da Meryl Streep, Julie Walters e Christine Baranski quando se junta…).

Mas isso é mau? Não necessariamente. É energético. É divertido. Diversão superficial, sim… mas diversão superficial não deixa de ser diversão.

Este é, pois, o provável feel-good movie do ano. Sem grandes ambições, sem grandes ideias… mas de energia contagiante e que, curiosamente, no final até consegue pôr um belo sorriso na face do espectador. Deixem-se levar, e valerá bem a pena o dinheiro.

Não é dos melhores filmes do ano… Mas também alguma vez foi feito para o ser? Ou alguém esperava que o fosse?

Classificação:

Anúncios

6 Responses to Mamma Mia! , por Gonçalo Trindade

  1. Ainda não vi o filme, mas gostei da crítica…

  2. Jubylee diz:

    Concordo plenamente com a crítica. 🙂

  3. Sofia Sá diz:

    Muito boa critica. Adorei o filme… lá ia cantando baixinho para não estragar o filme a ninguém, mas realmente a vontade de levantar o traseiro era mais que muita.

    E concordo também com o facto de o Pierce não ter jeitinho nenhum para a coisa… 😛

  4. miguel filipe mendes ferreira diz:

    Uma boa crítica. Parabéns.
    Deixo apenas algumas curiosidades relativamente aos valores obtidos até ao momento:
    – Receita de bilheteira mundial = $558,348,240 (25.7% proveniente dos EUA, sendo os 74.3% do resto do Mundo);
    – Orçamento de produção = $52 milhões;
    – Ocupa o 6º lugar das maiores bilheteiras de 2008.

  5. Inês diz:

    É exactamente isso. É um filme para se divertir… E ninguém consegue deixar a sala sem um sorriso…

  6. Daniela diz:

    Concordo com a crítica em tudo. E é mesmo contagiante, sem dúvida.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: