Saramago e Meirelles na apresentação de Ensaio Sobre a Cegueira [3/3]

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A razão que levou  Fernando Meirelles a optar por Gael García Bernal para o papel de O Rei da Ala 3; O grau de envolvimento de  José Saramago no processo criativo do filme; e os workshops que os actores realizaram para se prepararem, já de seguida, no Hotvnews.

Ele é um dos actores mais requisitados e prolíficos da sua geração, tendo-se tornado num ícone do cinema estrangeiro, com participações em Amor Cão, de Alejandro González Iñárritu, E a Tua Mãe Também, de Alfonso Cuarón e A Má Educação, de Pedro Almodóvar. Em Ensaio sobre a cegueira, o mexicano interpreta uma personagem deverás peculiar, não fosse essa a característica principal de muitas das suas personagens (Um revolucionário comunista em Diários de Che Guevara, Um homossexual em A Má Educação e um padre pecaminoso em O Crime do Padre Amaro).

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Gael Garcia Bernal em Ensaio sobre a Cegueira (2008)

Fernando Meirelles, realizador de Ensaio sobre a Cegueira, conversou com o Hotvnews e confessou-nos o porquê da escolha de Gael Garcia Bernal para o papel de “O Rei da Ala 3“.

“Pensei em actores de aspecto perverso”. (Fernando Meirelles)

Foi desta forma que o conceituado realziador anunciou a característica física central que um actor teria que possuir para poder interpretar o “Rei da Ala 3” na sua versão cinematográfica da obra de José Saramago.

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Gael Garcia Bernal em Diários de Che Guevara (2004)

Cedo desisitiu da sua ideia inicial de procurar um actor com feições perversas. Conforme foi reproduzindo mentalmente o guião de Don McKellar, estruturando assim o arco de todas as personagens, compreendeu que não era um actor de aspecto maléfico que o papel pedia, mas sim alguém com aspecto gentil e simpático. Um actor bonito, charmoso e jovem, que no ínicio do seu arco de personagem fosse denotado como um tipo simpático, um “galã”, como Meirelles o sintetizou e que depois à medida que atravessava diversas adversidades, era moldado num vilão, absolutamente desprezível.

O único requisito que José Saramago fez a Don McKellar, quando este, na companhia de Niv Fichman, o visitou, foi que em nenhuma parte do guião (e consequentemente do filme) fosse dada a entender a localização concreta daquele país. O filme deveria ser compreendido como um estudo da humanidade no seu todo e não da população do país A ou B. Coincidência (ou não), a verdade é que toda a equipa técnica e o elenco é composto por profissionais de todo o mundo. Esta multi-culturalidade é vista no filme e mesmo que todas as personagens falem inglês, é notável as diferenças culturais e raciais que existem entre muitas delas.

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Alice Brage em Ensaio sobre a Cegueira (2008)

Por ser um grupo tão diversificado foi necessário quebrar as barreiras da linguagem para desenvolver um bom ambiente de camaradagem. E para Don McKellar, a solução ideial foi um workshop centrado na cegueira e que ajudou todos os protagonistas e os figurantes, a conseguirem abstrair-se dos seus olhos quando em gravação e a compreenderem muito melhor como é que os cegos se movimentam nos diferentes processos de habituação à cegueira.

Actualmente, quando um realizador ou um guionista adapta uma obra de um autor que esteja ainda vivo e de boa saúde, estes procuram sempre esclarecer dúvidas, pedir concelhos e ouvir sugestões para poder enriquecer ao máximo a adaptação. Para José Saramago, o trabalho de Fernando Meirelles e Don McKellar não deveria ser toldado pelo seu julgamento ou pelas suas ideias. O respeito que sente para com estes deu-lhe total confiança nas suas capacidades profissionais e como tal recusou-se a interferir no processo, por mais que estes lhe pedissem. Quem sentiu mais esta abstenção de Saramago foi Fernando Meirelles que, nas primeiras reuniões com José Saramago, tentou sempre envolver ao máximo o escritor, levando consigo ínumeras perguntas sobre “Ensaio sobre a Cegueira“, perguntas que, findada a reunião, acabavam por regressar sem resposta.

(Clique para ver em alta definição)

Deixo-vos com o trailer de “Ensaio sobre a Cegueira” e com os dois brindes que levei da conferência, cortesia de um muito simpático (ainda que bastante requisitado) Fernando Meirelles:

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