Liberdade 21 – Review – Capítulo 2

Episódio: Capítulo 2 (2/26)
Temporada: 1
Canal: RTP 1
Primeira Transmissão em Portugal: 25 de Outubro de 2008

Sabe-se o quão importante pode ser o segundo capítulo para uma série. Pode funcionar como alavanca, resgatar alguma da credibilidade perdida no “piloto” ou fazer com que muita gente “esqueça” e se “despeça” em definitivo da série, se não vir atractivos bastantes para continuar a dedicar-lhe cinquenta minutos da noite de sábado caso os pecadilhos que a visão do primeiro capítulo continuarem ou forem aumentados. De uma forma redutora, podemos dizer que conseguiu esta “segunda exibição” melhorar a impressão que nos havia deixado o episódio inicial. Achamo-lo mais homogéneo, também estava desobrigado da sensaborona obrigação de apresentação das personagens em catadupa, tão comum no início de qualquer série, que retira ritmo e cria alguns problemas de identificação com os espectadores.

Um pequeno caso- ecologia vs progresso- apresentado na alvorada do capítulo, que nos fez rir com a tirada de não ser “um simples pardal em vias de extinção que vai condicionar a construção de um campo de golfe e de um hotel de luxo” fez-nos permanecer de “olho aberto” em relação ao episódio; a preocupação pela sobrevivência da firma de advogados, a perder mercado, e a confirmação da desconfiança que já pairara sobre um possível relacionamento amoroso anterior entre Raúl (António Capelo) e Helena (Ana Nave), curto na duração ( 6 meses) e um “piscar de olhos a um possível relacionamento amoroso entre a secretária Júlia (Cleia Almeida) e o advogado Afonso Ferraz (Ivo Canelas), um “flirt” que nos parece ter pernas para andar, foram duas mais-valias no sentido de trazer mais da vida da empresa Vasconcelos, Brito e Associados que já reivindicava desde o primeiro capítulo um destaque maior nas relações inter-humanas entre os advogados para tornar mais “aproveitável” a firma de advogados e não apenas um mero programa de um local de trabalho. Aliás Afonso parece mergulhado num mar de problemas – continuidade do capítulo anterior com Isabel – desta feita com a “escolha” por parte do filho Duarte (participação de João Arrais; Jura) da mãe que gera instabilidade emocional em Afonso, mais dedicado no trabalho do que à família.

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Devemos salientar a boa prestação de Conceição (participação de María Dulce; Dei-te Quase Tudo) na pele de uma empregada que quer processar os patrões que a acusam de ter roubado jóias (típico caso de desconfiança patronal tão em voga); Jaime Soares (participação de Alexandre de Sousa ) sólido e num registo que nos habituou em papeis de homem rico (Anjo Selvagem), patrão de Conceição e cliente de Raúl que originou um conflito de interesses na firma uma vez que Conceição era cliente de Afonso; o advogado Pedro Pimentel (Albano Jerónimo), metódico já nos pareceu mais perto do registo ideal não tão “canastrão”, capaz de reivindicar mais os holofotes de bom actor. Também a advogada Sofia (Rita Lello) nos parece sólida e bem distante da decepção que a actriz nos deu em Vila Faia. A participação de Paulo Ruas (participação de António Cordeiro; Ilha dos Amores) manteve o seu impacto: tirar as fotografias comprometedoras que anunciaram ao mundo a dupla traição da mulher de Jaime, inclusivamente levando Raul a perceber que era ele também um dos traídos, e solucionando o caso do roubo das jóias, encontrando a patroa de Conceição a vender as jóias numa casa de penhores.

Pela negativa, carece cada vez mais a química entre Helena e Raúl, ambos num registo mais teatralizado do que o costume, o que retira credibilidade ao trabalho de ambos. Bastante apagado esteve Francisco Lemos (Rúben Gomes), na sua primeira aparição, muito ao estilo apagado que nos habituara em Vila Faia.

O caso principal do capítulo, à boleia da recente aprovação da lei do divórcio diz respeito a uma médica, Patrícia, que quis denunciar os abusos domésticos por parte do marido, seguindo à letra a indicação que dera a uma sua paciente logo no início do capítulo para denunciar o caso de violência de que era alvo. O marido de Patrícia, Bernardo, não nos inspirou grande dose de confiança, demasiadamente teatral. A juiza (participação de Ana Zanatti; O Milagre Segundo Salomé) tambêm denotou alguma confiança, ao fixar a fiança do poder das crianças entregue à mãe com o pai a ter dois fins de semana por mês, devido a alguns comportamentos violentos por parte do pai.

Em suma, um bom capítulo, com ritmo e a série só depende de si para se afirmar. Talvez devesse ser mais afoita na escolha dos temas…

Fotos: SP Televisão

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2 Responses to Liberdade 21 – Review – Capítulo 2

  1. Vicente diz:

    Excelente visão, ainda existem alguns problemas a nível das personagem sobretudo conseguir mostrar a sua importância na série… alguns continuam apagados sem grande relevância… talvez a existência de estagiários fosse desnecessária… ou se limitassem a aparições esporádicas. A personagem do Albano Jerónimo continua a não ter qualquer destaque… tem mais a recepcionista.

  2. DNL diz:

    Comparando o final do 1º episódio com o final do 2º e o caso de cada episódio, ve-se que ha claramente uma centralização numa das personagens, em cada episódio, bem ao estilo de LOST e SKINS. Penso que será apenas uma questão de tempo até as outras personagens ganharem relevância. 😉

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