Destruir depois de ler, por Carlos Antunes

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Título original: Burn After Reading

De: Ethan Coen e Joel Coen

Escrito por: Ethan Coen e Joel Coen

Com: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt e J.K. Simmons

Screwball sem graça.

Os Coen voltam a refazer a comédia screwball à sua medida, como em Crueldade Intolerável.

Desta vez sem tiques de estilo, mas também (quase sempre) sem graça.

E se já é difícil o suficiente trabalhar no seio do género que Hawks, Capra ou Wilder cunharam, ainda mais difícil se torna quando tudo é vago e desengraçado.

https://i1.wp.com/thecia.com.au/reviews/b/images/burn-after-reading-5.jpg

O extenso jogo que se desenvolve a partir do despedimento de Osbourne Cox (John Malkovich), que leva a que as suas memórias acabem na mão de dois idiotas funcionários de um ginásio que tentarão obter dinheiro com elas, revela uma complexa teia de relações humanas (e muitas vezes sexuais).

Uma teia que à medida que se adensa revela também o quanto mais essas relações são tão ténues e confusas, levando a que as pessoas não reconheçam as evidências tragi-cómicas que estão bem à sua frente.

Ou como os Coen fundamentalmente definiram, relações entre os idiotas deste mundo.

https://i1.wp.com/images.eonline.com/eol_images/Articles/20080507/425.pitt.burn.after.reading.050708.jpg

O magnífico elenco tem então a curiosa tarefa de se reduzir à alarvidade dessa idiotice.

Um jogo que adensa as potencialidades do riso, mas que sucumbe à cada vez mais irremediável falta de tacto dos Coen para a comédia, que elevam os tiques destas personagens a pequenos sketches repetidos ad infinitum (ou ad nauseam, como preferirem).

E se as personagens são idiotas, não quer dizer que tenham de ser vazios a este ponto, reduzidos a uma vontade absurda de praticar exercício ou de quererem cumprir quatro cirurgias plásticas de uma vez só.

É isso que acaba por desconjunturar esta comédia, que se reduz a uma série de sketches desligados no interior de uma narrativa (exageradamente) intricada.

https://i0.wp.com/images.eonline.com/eol_images/Articles/20080507/425.clooney.mcdormand.burn.after.reading.050708.jpg

Acaba por ser o Chefe da CIA (J. K. Simmons) a contrariar esta tendência de apagamento.

Com apenas duas cenas, ele consegue criar um retrato burlesco da visão e moderação de todas estas situações.

São as cenas que arrancam risos e que merecem a nossa verdadeira atenção.

Pouco, para uma comédia.

Classificação:

https://i0.wp.com/www.cinemaisdope.com/news/films/burnafterreading/burn_after_reading_6.jpg

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4 Responses to Destruir depois de ler, por Carlos Antunes

  1. krisler diz:

    Por mais idiota que seja o filme, não consigo deixar de pensar nele como um dos melhores que vi este ano. De partir o coco, literalmente…

  2. S diz:

    Concordo plenamente contigo. Já todos as pessoas que viram o filme que eu conheço, disseram que o filme é um filme muito interessante e muito engraçado. Depois de ver o filme, quando este chegou ao fim pensei “Será que é de mim, ou o filme não teve piada nenhuma?” .
    Realmente o filme de tão idiota que é chega a ser absurdo. Como tu o disses-te, também a narrativa intrincada é absurda, porque de tão intrincada, chega a uma altura que deixasse de perceber a história.
    Mas o mais ridiculo ainda, é saber que o fim de toda esta chantagem era para que ela pudesse fazer a sua cirurgia plástica .

  3. Ana diz:

    Acho que este filme foi uma boa surprese. Não esperava grande coisa porque não sou dada a comédias e não gostei do ultimo dos Coen. Mas este sim, foi bom entertenimento.

    As interpretações foram muito boas e é engraçado ver como as personagens se vão embrulhando numa teia de mal entendidos, de burrice, de asneirada… e tudo de uma forma tão natural que noa faz mesmo rir à brava.

    Eu acho que o filme quer-se mesmo absurdo, porque é disso que trata, do absurdo de alugmas pessoas e relações humanas.
    Concordo contigo em relação ao último ponto, o personagem do Director da CIA dá algo de engraçado e mais valorativo à historia. As intervenções dele são espetaculares.

  4. MJNuts diz:

    Eu gostei… Não é um filme que me marque ou que eu ache fascinantemente bom, mas gostei da crítica à idiotice americana em geral (um estereótipo comum em filmes de americanos que se auto-consideram mais espertos que os outros 😛 ). Além de que Brad Pitt a comer ou a fazer de idiota, salva sempre muita coisa. ^^ A cena do armário foi fabulosa!

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