Morte de um presidente, por Carlos Antunes

https://i1.wp.com/media.movieweb.com/galleries/4539/posters/poster1.jpg

Título original: Death of a President

De: Gabriel Range

Escrito por: Simon Finch e Gabriel Range

Com: Hend Ayoub, Becky Ann Baker, Brian Boland e Michael Reilly Burke

Um documentário sobre um falso acontecimento.

Uma reflexão real e contemporânea.

George Bush prepara-se para um discurso em Chicago quando é assassinado.

A premissa, falsa, permite no entanto criar um muito realista documentário onde é a própria América que está reflectida.

E, mais do que isso, onde o (ainda) presidente americano ganha uma personalidades mais palpável e digna de compreensão (vai ser curioso ver este efeito repercutir-se em W., outro filme que agarra em Bush de forma curiosa e atípica).

https://i0.wp.com/www.chicagoreader.com/features/stories/moviereviews/061027/061027.jpg

Dividindo o filme no pré e pós-assassinato, há duas fases a considerar.

Antes de Bush morrer, há um retrato emocional da América actual, desencantada, suspeitosa e descontente, que não tem embaraço em mostrar isso mesmo.

Sobretudo, uma América paranóica mas falhada, que permite no interior do seu próprio território que um presidente seja várias vezes confrontado (e eventualmente morto) sem uma resposta de força convincente como a que tem no exterior.

Quando, paralelamente, vemos como constroiem a figura de um Bush humano, ele próprio desencantado mas compreensivo com uma América a que ele julga, incondicionalmente, estar a fazer bem, então podemos compreender verdadeiramente os dois lados que se desequilibram e confrontam na América actual.

Compreender e aceitar a justeza que no fim de contas ambos têm.

http://www.dvdbeaver.com/film2/DVDreviews26/a%20death%20of%20a%20president/a%20death%20of%20the%20president%20DOAP-5(1).jpg

No pós-assassinato, o filme continua em busca de respostas concretas para quem sejam os culpados do crime.

Há uma maior convencionalidade, uma maior focalização nas histórias privadas e, por isso mesmo, o filme perde as força e argúcia anteriores.

Força e argúcia que vinham da inteligente (e respeitosa) manipulação de imagens e discursos dos protegonistas políticos, que davam realismo a este documentário ficcional mas também davam uma percepção menos preconceituosa deles mesmos.

https://i1.wp.com/www.filmbrain.com/photos/uncategorized/deathofapresident_1.jpg

Se acaba por haver problemas neste filme é exactamente pelo facto de tão bem reproduzir um documentário.

Acaba por lhe faltar alguma destreza (cinematográfica e ideológica), mesmo que a ideia central seja a de colocar o espectador a “operar” sobre o filme para assim o potenciar.

Mas nem isso deixa de tornar este filme importante de ver já que, como disse uma amiga minha quando com ela falava, esta é uma “acertada crítica ao God Bless America“.

Pensar a actualidade também passa por este exercício de possibilidades.

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https://i0.wp.com/thecia.com.au/reviews/d/images/death-of-a-president-poster-1.jpg

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One Response to Morte de um presidente, por Carlos Antunes

  1. Desde já muito obrigada pela referencia à minha opinião.
    acho que o filme ganha pelo manipular da verdade e da consciência do espectador.
    Realmente a segundo tempo do filme (da investigação) é um tanto ou quanto maçador por ser demasiadamente explorado, mas não sei até que ponto o final era conseguido se tal não acontecesse!

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