Pecados Íntimos, por Tiago Ramos

Título original: Little Children
De: Todd Field
Escrito por: Todd Field e Tom Perrotta
Com: Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly e Jackie Earle Haley

Baseado no livro homónimo de Tom Perrota, Pecados Íntimos revela os segredos ocultos dos subúrbios americanos e de pessoas que, devido às suas atitudes, mais se assemelham a pequenas crianças.

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Pecados Íntimos foi uma das grandes revelações cinematográficas de 2007. Nomeado para 3 Óscares (Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Principal e Melhor Argumento Adaptado), o filme é absolutamente sublime na forma como expõe temas como a perversão e pornografia, o adultério, a raiva incontrolada, a pedofilia e a hipocrisia numa sociedade aparentemente perfeita. Acima de tudo, brilha por conseguir abordar estes assuntos, sem cair em moralismos ou sem recriminar as personagens, enquanto estereótipos de defeitos.

Little Children não recorre a artifícios como a fantasia para revelar todo o seu conteúdo, faz uso absoluto, acima de tudo, dos personagens e do narrador enquanto veículo de sensações, pensamentos e sentimentos. E talvez seja esse o único ponto em que o filme pode fraquejar: na narração, que pode condicionar o espectador ou facilitar a escuta activa do mesmo, dando-lhe a conhecer de imediato o pensamento, antes de o conseguirmos vislumbrar na interpretação do actor.

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Falando em actores, temos aqui duas grandes interpretações: Kate Winslet que consegue, notavelmente, transmitir a tristeza no olhar de uma dona de casa que vivem sem paixão, mas ao mesmo tempo numa mulher ardente de paixão e Jackie Earle Haley, que afinal talvez detenha a maior e melhor interpretação do enredo. O pedófilo que afinal é tão dependente da mãe, acaba por ser tão assustador por vezes, como patético e deprimente e nisso Haley está de parabéns. O ponto negativo das interpretações reside na de Jennifer Connely: além da sua grande beleza, a sua personagem tem pouco enfoque, naquilo que podia ser mais uma grande actuação no filme. Vemos assim o talento de um Óscar de 2001, desperdiçado numa pequena participação.

Little Children é interessante na medida em que mostra como Brad (Patrick Wilson) e Sarah (Kate Winslet) são tão pouco conformistas no que diz respeito aos seus papéis dentro de cada uma da sua família, mas ao mesmo tempo tão comodistas no papel que desempenham: sem o saberem, nunca ganharam a maturidade que se quer num relacionamento, não passando aquilo de uma paixão de adolescentes.

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Contudo, o filme acaba por não ser tão genial quanto a obra original, nem sei se, realmente, era isso que se pretendia. O livro acaba por explorar outras vertentes secundárias, como a profissão de Kathy, o divórcio de Larry, a solidão de Jean, os dilemas morais e um possível homicídio cometido por Ronnie e a perversão sexual de Richard. Existem ainda outros pormenores deliciosos no filme, que apenas se percebem na sua plenitude através da leitura do livro. No original, o fato de banho vermelho, por exemplo, é o principal motor da auto-confiança de Sarah: escolhido dentre uma série de fatos de banho escolhidos por catálogo, aquele foi o que, após muitas provas, o que melhor lhe ficou. Além disso, o vermelho é associado a risco, fogo, paixão, pecado; factos estes que são muito melhor explorados no livro. Outra curiosidade é a cena em que no jantar entre os dois casais (Brad e Kathy, Richard e Sarah), Kathy deixa cair o garfo, na súbita esperança de ver os pés dos amantes tocarem-se e vê-se subitamente surpreendida pelo verniz azul das unhas dos pés de Sarah. Esse verniz é o culminar da mudança em Sarah: depois de uma vida inteira sem se sentir amada pelo seu marido, Sarah desleixou-se na aparência e é esse verniz uma das poucas coisas que encontrou para se arranjar, para se sentir feminina de novo.

Talvez, a grande melhoria em relação à história do livro seja o final dado à personagem de Jackie Earle Haley, que no filme assume um impressionismo maior, numa tentativa de ser “um bom menino“.

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Pecados Íntimos é um filme pesado (talvez mais que o livro, que explora um pouco mais o humor negro) e que, ao mesmo tempo, conduz o espectador à reflexão, num argumento bastante marcado pelo cunho de Todd Field.

Classificação:

Extras:

  • Menus Interactivos
  • Selecção de Capítulos

O grande ponto negativo deste DVD são mesmo os extras que, basicamente, não existem. É-nos permitida apenas a selecção de capítulos; algo lamentável para um filme deste género.

Classificação dos extras:

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