Emmy 2008: Balanço (Drama)

Embora muitos possam encarar algumas vitórias como surpreendentes, a verdade é que pela primeira vez em algum tempo, a lista de vencedores do Emmy foi justa.

Em primeiro lugar, deixem-me dizer apenas isto: gostava de saber qual a opinião daqueles que criticaram a cerimónia da FOX no ano passado sobre a gala que a ABC organizou no passado Domingo. Mesmo com uma sólida lista de vencedores, a cerimónia de entrega foi um verdadeiro tédio, sem brilho nenhum, onde apenas alguns momentos (como o esperado confronto Gervais VS. Carell e o medley de Josh Groban) salvaram a honra do convento. Atribuir a apresentação aos cinco nomeados para Melhor Apresentador de Reality-Show revelou-se desastrosa, pois todos sabemos que espectáculos como este exigem que um humorista assuma o papel de MC da noite. Daí que a decisão da ABC não apostar em Jimmy Kimmel, prata da casa, me surpreenda, especialmente no ano de “I’m Fucking Matt Damon” (não eu, mas a canção de Sarah Silverman). Aliás, a aparição do apresentador da ABC foi outro dos momentos da noite, ao interromper o anúncio do vencedor de Melhor Apresentador de Reality-Show com um intervalo. Comparando com o ano passado, faltou um momento musical como o de Brian e Stewie Griffin; faltou um discurso censurado como o da maluca da Sally Field…

Mas avancemos para as categorias dramáticas, o propósito deste post.

Mesmo que muitos se sintam surpreendidos com os nomeados e mesmo que a maior parte das minhas previsões (e de outros colaboradores do Hotvnews) não se tenham concretizado, era relativamente lógico que estes seriam os resultados finais. O Emmy apostou num jogo seguro (daí, também, a monotonia do programa) e deu-se mal, ao presentear tantas séries que o americano comum nem sequer sonhava existir: esta cerimónia foi a menos vista de sempre.

Se era previsível que Mad Men arrebatasse o prémio de Argumento, já a justíssima vitória de Greg Yaitanes pela sua direcção no já clássico “House’s Head” foi um dos momentos da noite. Acredito que esta vitória e a dupla com os dois episódios finais tenham colocado a série nas boas graças do júri.

Já nas interpretações secundárias, consigo imaginar a maior parte dos amantes de séries a torcerem o nariz, mas deixem-me deixar-vos tranquilos: os prémios foram bem entregues. Este foi o ano de Chandra Wilson (se a Academia fizesse as coisas como deve de ser, tinha dado o Emmy de 2006 à Katherine Heigl, o do ano passado à Sandra Oh e este a Wilson e agora estava despachada com Anatomia de Grey…), mas Dianne Wiest é uma justa vencedora. Claro que existem actrizes que nem sequer foram nomeadas (incluindo as suas colegas de elenco Melissa George, Michelle Forbes e Mia Wasikowska) que mereciam mais (Wiest também tinha outro episódio ainda melhor para submeter), mas este resultado não foi mesmo nada mau. E, já agora, lanço o desafio: assistam aos 43 episódios de In Treatment e deliciem-se com a melhor série do ano.

E para aqueles que faziam parte da claque de Michael Emerson, pensem desta forma: Benjamin “Ben” Linus tem ainda duas temporadas pela frente e de certeza que há-de ganhar qualquer coisa nesse tempo; já Zeljko Ivanek tinha apenas esta oportunidade para vencer o Emmy pelo Ray de Damages… Para além disso, o actor eslovaco era quem merecia realmente ganhar. Se tiverem dúvidas, assistam a “I Hate These People” e depois digam qualquer coisa.

E se Ivanek conseguia provar a todos o seu talento, a Academia não iria conseguir negar a Glenn Close o seu primeiro discurso de agradecimento por Patty Hewes (se bem se recordam, este ano não houve gala de Globos de Ouro). Nem mesmo a temática política do episódio de Sally Field conseguiu impedir a popularidade da veterna actriz, que nunca foi agraciada com um Óscar (apesar das suas cinco nomeações).

Acredito que a vitória de Bryan Cranston deixou muita gente a ver estrelas. E, mais uma vez, eu lanço o desafio: assistam aos 7 episódios que compõem a primeira série de Breaking Bad e tirem as vossas próprias conclusões. Eu tinha alertado para o facto de que Cranston era, efectivamente, o mais justo vencedor da categoria. A transformação do actor naquela personagem desesperada iria conquistar alguns votos. Eu só não tinha a certeza até onde chegava o apoio a In Treatment (ganhou dois prémios, perdeu noutras duas categorias) e se James Spader poderia repetir a proeza do ano passado. A partir daqui, não me admirava que Cranston dominasse os próximos prémios de televisão (vemo-nos nos Globos, Walter White!).

Finalmente, Mad Men. Era, de facto, a aposta mais segura, embora eu tenha arranjado todos os argumentos que me eram possíveis para prever uma vitória surpresa (e chocante) de Boston Legal. Mad Men entra para a história como a primeira série do cabo (sem contar com a HBO) a ganhar um prémio destes, e também foi a primeiro (a par de Damages e Dexter) a chegar à lista de nomeados. E embora a série por aqui não seja tão adorada como nos States, fiquei contente com a sua vitória: era a que merecia mais, a seguir a Dexter e Lost (por esta ordem).

No final, o balanço é este: Emmys muito bem entregues, mas que resultaram em vitórias previsíveis (Neil Patrick Harris perdeu no ano de Dr. Horrible?!), contribuindo para o desastre que foi a cerimónia.

Enfim, para o ano há mais. E para terminar, ficam, desde já, com a minha previsão para o ano que vem. Sendo uma série da FOX, Dr. House vai seguir as pisadas de 24: ganhar o Emmy de Melhor Série e Melhor Actor pela 5ª temporada. Será que vou voltar a errar?

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5 Responses to Emmy 2008: Balanço (Drama)

  1. PR diz:

    Os apresentadore foram apenas e só pavorosos!

    http://takea-break.blogspot.com

  2. vitor fernando diz:

    realmente a apresentação não se percebe, 5 apresentados de reality-shows em que só 1 tem um passado de comediante foi uma decisão muito ma, que saudades do ano do conan, o kimmel e que deve ter ficado lixado da vida em nao ter sido o escolhido, tambe podiam ter escolhido o john stewart tal como nos oscares.

  3. MJNuts diz:

    Por acaso também não gostei dos apresentadores, muito maus nas suas tentativas humorísticas… Mas achei deliciosa a inclusão dos cenários de diversas séries (que agora só me ocorre Simpsons e Seinfeld) aquando da entrega dos prémios por parte de uma celebridade com elas relacionada… Isso foi fixe. =)

    E parabéns ao Hotvnews! Deixaram-me MEGA curiosa para ver In Treatment!

  4. Fico contente, MJNuts. Mas aviso também outra coisa: é preciso alguma “coragem” ao início. O facto de todos os episódios seram apenas diálogo (do melhor que foi escrito este ano) entre médico-paciente pode desmotivar um pouco ao início. Mas quando se entra no ritmo e na história das personangens, é impossível parar… 🙂

    Obrigado pelos comentários
    Cumps

  5. MJNuts diz:

    Eu sou uma moça paciente… As séries precisam de tempo. ^^ Além de que Dianne Wiest e Gabriel Byrne em conversa não necessitam de tanta coragem assim. 😉

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