Emmy 2008: Melhor Actor em Drama

Os nomeados desta competitiva categoria são:

  • Gabriel Byrne, por Terapia (episódio “Paul and Gina: Week 4”)
  • Bryan Cranston, por Breaking Bad (episódio “Pilot”)
  • Michael C. Hall, por Dexter (episódio “There’s Something About Harry”)
  • Jon Hamm, por Mad Men (episódio The Wheel”)
  • Hugh Laurie, por Dr. House (episódio “House’s Head”)
  • James Spader, por Boston Legal (episódio “The Court Supreme”)

Comecemos por descartar dois nomes que não terão, de certeza, de preparar um discurso: Jon Hamm e Michael C. Hall.

Jon Hamm tem uma performance bastante consistente ao longo do episódio (e de toda a série, da qual sou um grande fã). Mas o seu tempo de antena é bastante limitado: apenas cerca de 21 minutos, sendo o nomeado com menos cenas da categoria. E em todas elas, o seu trabalho é bastante subtil, havendo apenas uma cena verdadeiramente memorável: a celebrada apresentação aos clientes. Quem acompanha a série, fica encantado com a beleza daquele momento; quem apenas assiste a este episódio (coisa que se deve aplicar ao júri), ficará também surpreendido com a maneira emotiva com que Hamm dá vida ao texto. Mas, para além deste momento, não existe mais nenhuma cena que possa favorecer o actor na hora da votação. O buzz de Mad Men poderá levá-lo à vitória, mas a concorrência é muito forte para um desempenho tão subtil.

Na verdade, “There’s Something About Harry” até é um bom episódio para Michael C. Hall. Considerando o conteúdo do mesmo, é fácil simpatizar com Dexter. E apesar dos seus métodos e das suas acções, Dexter está apenas a tentar assegurar, da melhor maneira que sabe, o futuro daqueles que ama e que dependem de si. Para além disso, tem uma interpretação consistente que engloba todas as camadas da personagem: consegue dar vida ao good Dexter, junto da família e dos amigos, de uma maneira subtil, mas excede-se a si próprio quando tem de interpretar o evil Dexter, quando está sozinho com Doakes. A juntar a isso, a cena inicial (bastante forte) e a cena final (em que percebe a verdade sobre a morte do pai) são muito emocionantes. O facto de não ter sido nomeado no ano passado poderá ajudá-lo, mas a natureza do programa (tal como foi noticiado há uns tempos) irá atrapalhar as suas chances. E ajudaria se tivesse uma ou duas cenas mais marcantes.

Ficamos, então, com apenas quatro nomeados, todos eles com grandes probabilidades de vencer. Contudo, existe um que, com muita pena minha, poderá ter de esperar mais um ano para receber o tão esperado Emmy…

Hugh Laurie. “House’s Head” é o melhor episódio do ano de qualquer série, mas, após uma segunda visualização, não sei se será suficiente para levar Laurie, finalmente, ao palco. Aparece em todas as cenas do episódio (num total de 42 minutos) e é bom em todos os momentos. E a seu favor joga o facto de vermos um novo lado de House, com este a tentar desesperadamente relembrar o que realmente aconteceu no acidente, colocando a sua própria vida em risco. Hugh Laurie consegue dar vida a esse sofrimento na perfeição, intercalando-o também com um pouco de comédia, como é habitual. Mas será que isso é suficiente? Parte da magia de “House’s Head” está no seu argumento e na realização/montagem; a interpretação de Laurie também contribui para a magia, mas acaba por não ter o mesmo efeito. Já devia ter ganho há muito tempo e é bastante popular; mas falta qualquer coisa à sua interpretação para justificar a vitória…

Chegamos aos restantes três nomeados e confesso: a partir daqui fica difícil adivinhar quem vai ganhar, pois qualquer um deles tem grandes hipóteses. Sim, até mesmo o James Spader!

Primeiro, deixem-me dizer isto: adoro Boston Legal, mas isto não é um drama. Apesar de não ser uma comédia pura (os discursos de Alan são os momentos mais bem escritos da televisão), era nessa categoria que devia concorrer. Dito isto, James Spader pode muito bem estar a preparar-se para ganhar o seu quarto Emmy por Alan Shore (venceu o primeiro pela última temporada de Causa Justa). O episódio é uma espécie de continuação de “Death Be Not Proud”, que lhe valeu o Emmy em 2005, e isso poderá ajudá-lo. Mas o facto de ter uma interpretação verdadeiramente espantosa tem também de ser tido em consideração. A loucura de Alan é posta de lado quando tem de enfrentar um dos temas que mais o revoltam enquanto ser humano, a pena de morte, e o facto de ter de se apresentar perante o Supremo Tribunal deixa-o bastante perturbado. Spader está muito bem ao longo do episódio, mas é durante o seu monólogo, em que ataca os magistrados, que brilha como ninguém. Para além disso, a sua amizade com Denny resulta em cenas muito bem conseguidas com William Shatner. Não me admirava se James Spader ganhasse; afinal de contas, sempre que é nomeado, nunca perde. Mas não deverá ser a escolha final dos votantes. Principalmente por causa dos dois nomeados seguintes…

Lembram-se do Hal, o marido da Jane Kaczmarek em A Vida é Injusta? Pois esqueçam-no! Em Breaking Bad (simplesmente, uma das melhores séries do ano), até custa a acreditar que Bryan Cranston é o actor por detrás das duas personagens. E esta mudança irá certamente garantir-lhe alguns votos. Cranston dá vida a Walter H. White, um professor de Química de uma escola secundária que descobre que tem cancro do pulmão. Sem grandes probabilidades de sobreviver, e para garantir a segurança da família (uma mulher grávida e um filho adolescente com paralisia cerebral), junta-se a um ex-aluno e começa a fabricar metafetaminas. É este o ponto de partida desta brilhante série, num episódio que é completamente dominado por Bryan Cranston, que aparece em quase todas as cenas (é o nomeado com mais tempo de antena, com cerca de 52 minutos). A transformação num ser perturbado e desesperado, um homem comum a tentar proteger a sua família, é brilhante, conseguindo representar as várias camadas da personagem: consegue explodir nos momentos certos e ser subtil quando Walt mostra os seus verdadeiros sentimentos. E umas pitadas de humor negro nunca fizeram mal a ninguém. Considerando também que nunca ganhou o Emmy por A Vida é Injusta, não se admirem se o nome de Bryan Cranston for chamado no próximo dia 21 de Setembro.

Quem ainda não viu In Treatment (ou Terapia, como foi baptizada pelo FOX:Next) não sabe o que está a perder. É a melhor série do ano (para mim), e a sua nomeação deixa-me bastante satisfeito. Apesar de ter episódios melhores, o último episódio da quarta semana da série poderá ser suficiente para Gabriel ByrneDianne Wiest também está muito bem, mas é ele quem comanda por completo os 26 minutos do episódio, dando voz a tudo aquilo que perturba Paul. É divertido e subtil nos momentos certos e feroz e explosivo quando é preciso. O seu confronto com Gina durante todo o episódio permite-lhe mostrar todos os meandros da personagem e provar o quão bom actor é. Mas são os momentos finais que fazem dele o mais provável vencedor, admitindo, finalmente, perante Gina que está apaixonado por Laura, sua paciente. Estes momentos são completamente redentores, deixando qualquer um emocionado com o seu trabalho. A concorrência é apertada, mas a qualidade do seu trabalho é boa demais para ser ignorada. Afinal, estamos a falar de Gabriel Byrne, que tem aqui a sua primeira grande nomeação numa carreira de respeito com mais de 30 anos. De certeza que os jurados não vão perder esta oportunidade de serem os primeiros a premiar Gabriel Byrne com alguma coisa, e a vitória de Glynn Turman no passado Sábado mostra que os votantes não têm problemas em galardoar uma série que passou despercebida aos olhos do público…

Em jeito de conclusão, fiquem com estas ideias. Considerando o trabalho ao longo do ano, Bryan Cranston é, certamente, o mais justo vencedor. Mas o episódio de Gabriel Byrne é bom demais para ser ignorado, devendo ser ele o provável vencedor. Em caso de dúvida entre os dois actores, James Spader acabará por ganhar, quanto mais não seja para justificar a vitória de Boston Legal para melhor série (sim, leram bem!): se Dianne Wiest ficar com o Emmy de Candice Bergen, então ficam logo avisados de que James Spader vai ganhar este prémio novamente…

QUEM VAI GANHAR: Gabriel Byrne, por Terapia

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5 Responses to Emmy 2008: Melhor Actor em Drama

  1. pepy diz:

    Concordo plenamente, os mais merecedores são mesmo Bryan Cranston e Gabriel Byrne sendo que a minha aposta vai para este último. In Treatment é uma série deliciosa e a sua interpretação no papel de Paul é estupenda.

  2. Parece que aqui ninguém concorda, mas Michael C. Hall merece o prémio. E o Hugh Laurie já devia ter ganho um Emmy, portanto… como House’s Head é um excelente episódio…

  3. Esta categoria está muito bem nomeada, só personagens e interpretações de classe bastante elevada, qualquer um podia levar o Emmy sem injustiças.

    Sem dúvida para mim a melhor categoria deste ano.

  4. Laura caçoeiro diz:

    Para mim quem ganha é o Hugh Laurie.Além de fazer uma das melhores personagens de sempre no universo das séries, esteve perfeito neste episódio.

  5. MJNuts diz:

    Mas porque é que Boston Legal tem de ganhar Emmy de Melhor Série Dramática? Porquê?! 😦

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