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Hancock, por Eduardo Antunes (Autor Convidado)

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título original: Hancock
de Peter Berg
escrito por: Vincent Ngo & Vince Gilligan
com: Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman, Jae Head, Eddie Marsan, David Mattey, Maetrix Fitten, Thomas Lennon, Johnny Galecki, Mike Epps

Um super-herói mal-amado, um filme mal-amado. É isso que Hancock é.

Los Angeles é uma cidade protegida pelo pior super-herói que se possa imaginar. Alcoólico, atrevido e preocupando-se com nada a não ser ele próprio, John Hancock (Will Smith) não consegue ser aceite pela população de L.A. Ao salvar Ray Embrey (Jason Bateman), um agente de relações públicas que pretende mudar o mundo, Hancock recebe a oportunidade que precisa e que não quer. Ray fará tudo para que Hancock seja amado pelo povo Angelino. Mas quando o plano deste começa a resultar, Hancock descobre uma verdade sobre a sua existência que o fará cair em desgraça, caso não consiga parar as consequências que essa verdade acarreta, assim como as consequências das suas acções passadas.

A história de um herói fora dos padrões conhecidos. A história de um herói odiado pela maioria da população pelas suas más condutas. Esta é a premissa de um filme que, por si só, cria grandes expectativas. E para isto funcionar, era indispensável a presença de Will Smith, que continua a impressionar com o seu indiscutível talento no campo da comédia, como fazia em ambos os MIB. Mesmo as mais exageradas cenas de acção do filme têm um humor inerente que só Will Smith podia dar, com a sua calma instintiva.

Também Jason Bateman dá um certo conforto ao desenrolar da história, com a ingenuidade e perseverança da sua personagem. Já Charlize Theron fica um pouco aquém do que se esperava para a sua personagem – de início aparentemente receosa e, mais tarde, forte (em todos os aspectos) – deixando a sua beleza interpor-se na sua actuação, como aconteceu em Æon Flux.

Mas é então que, no meio desta história que tanto prometia e que estava aberta a tantas ideias e oportunidades, e após algumas almôndegas e muita destruição, Hancock descobre que a mulher do seu novo amigo é, na realidade a sua mulher, através de um beijo de deitar uma casa abaixo… literalmente. A partir daqui, toda uma história inteligente e bem engrenada dá lugar a um dramatismo despropositado e repentino que apenas se dá a exageros, quer visuais, quer narrativos. E a este dramatismo junta-se uma história secundária, um pouco absurda, em que vários reclusos fogem da prisão com o único propósito de se vingarem do que Hancok lhes fez, muito provavelmente na busca de uma justificação para a cena no hospital.

Um outro problema, este já presente ao longo de todo o filme, é a inconsistência da filmagem de Peter Berg. Aproximações e distanciações de câmara desnecessárias e demasiadas mudanças de ângulo fazem com que muitas vezes a acção não tenha o efeito desejado no espectador, para se tornar um pouco confusa, à semelhança de Paul Greengrass (com Ultimato), apesar de não tão extremo quanto este. Atrevo-me mesmo a dizer que Berg tem mais jeito para as cenas de diálogo do que para as de acção.

Assim, uma boa ideia mantém-se num filme medíocre e não se torna num filme bom, apesar de Hancock se conseguir tornar em alguém amado por todos. Ainda assim, o filme leva uma vantagem aos demais filmes ditos de acção pela ideia que lhe dá origem e aconselho a todos a irem ver esta longa-metragem, nem que seja para apreciar Will Smith a actuar com grande sucesso… mais uma vez.

Classificação:

Escrito por Eduardo Antunes

Editado por Carlos Couceiro

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