Review: Dr. House– A 4ª Temporada

Uma quarta temporada que prometia ser a mais revolucionária de todoas: cumpriu ou ficou aquém das expectativas? E qual a ideia com que ficamos para uma quinta temporada?

Dr. House é um chamado procedural. Tem uma fórmula base que se estende à grande maioria dos episódios: o paciente da semana é apresentado; genérico inicial; House faz alguma coisa extravagante e é apresentado ao paciente; paciente piora; House faz mais qualquer coisa excêntrica; o paciente melhora; House volta com as loucuras; o paciente piora e fica quase a morrer; graças às suas loucuras, House chega a mais uma brilhante conclusão sobre o caso da semana; o paciente fica curado; genérico final. Isto é, mais decote de Cuddy, menos decote de Cuddy, como funciona a série. Contudo, e desde o primeiro instante, David Shore sempre se preocupou a fazer da série algo mais do que isso, ao tentar diferenciá-la de todos os outros procedurals que habitam na televisão americana.

80% do sucesso programa assenta em Hugh Laurie e no seu Gregory House. Mas os restantes 20% são também essenciais para que a série seja o fenómeno que todos conhecemos. A começar por um elenco secundário bastante competente, que, embora muitas vezes esquecido, nunca deixa de estar à altura do que lhe é pedido. E, claro, o argumento, um dos melhores da actualidade. E é o esforço dos argumentistas em desenvolver cada uma das personagens que elevam Dr. House a um novo patamar.

Na primeira temporada, entre muitas outras coisas, tivemos o início da relação House & Cameron (Jennifer Morrison), o confronto com Vogler e o regresso de Stacy. A advogada regressou para a segunda série, desenvolvendo a sua história com o protagonista e onde o casamento de Wilson chegou ao fim, Cuddy decidiu ser mãe e a amizade de Foreman e Cameron foi posta em risco. Chegamos à brilhante terceira temporada (a minha favorita), onde tudo e mais alguma coisa aconteceu. Desde o odioso Tritter até às tentativas frustradas de Cuddy em engravidar, passando pelo envolvimento de Cameron e Chase (Jesse Spencer) e culminando com a partida de toda a equipa. A terceira temporada terminava com chave de ouro um ciclo de três anos e prometia uma reinvenção na quarta série. Mas terá sido essa revolução pelo melhor?

Na generalidade, sim. A temporada abre com o solitário “Alone” em que se nota, mais do que nunca, que Dr. House não é apenas um one man show. Hugh Laurie é grande e é a estrela da companhia, mas sem os colegas não consegue fazer milagres, precisa de alguém em quem se apoiar. E eis que “The Right Stuff” inicia o novo ciclo da série, com a busca pela nova equipa, sendo “97 Seconds” um dos melhores episódios da temporada. No que toca a escrever personagens, David Shore é divino. Foi com grande pena que vi todos aqueles candidatos serem mandados embora. Até hoje, espero que House mude de ideias e decida convidar Henry Dobson (participação de Carmen Argenziano) para ir sair com ele e Wilson, mas a grande perda é registada no episódio “Games”, com a saída da brilhante Cutthroat Bitch, ou Amber para os amigos. Dos mais de quarenta candidatos, chegamos ao novo grupo dos três magníficos: Taub (Peter Jacobson), Kutner (Kal Penn) e 13 (Olivia Wilde). Começam também as inevevitáveis comparações entre as duas equipas.

À primeira vista, e apesar de sempre ter gostado do primeiro trio, esta nova equipa pareceu-me ser superior. As personagens pareciam-me ser mais fortes e os actores aparentavam ser mais seguros dos seus papéis. Fogo de vista ou não, a verdade é que a nova equipa acabou por desiludir. Talvez devido ao encurtamento que a greve exigia, as personagens não foram desenvolvidas o suficiente para que pudessem estar à altura do desafio. E isso parece ter-se ressentido na própria interpretação dos actores, que acabaram por ser tão mal aproveitados como todo o restante elenco secundário. E é este, provavelmente, o maior calcanhar de Aquiles da série.

Manter a velha equipa por perto era a medida certa a tomar. A série não estava preparada (como se confirmou) para seguir o seu rumo sem eles. Mas isso fez com que Chase fosse relegado para o papel de um figurante especial com direito a algumas falas e nem mesmo Robert Sean Leonard (antes dos episódios pós-greve) e Lisa Edelstein escaparam, sendo o ponto alto de Edelstein uma das cenas mais memoráveis da série num dos últimos episódios. Mas quem realmente sofreu com esta despromoção foi Omar Epps. Foreman foi bem trabalhado pelos argumentistas no início da temporada, mostrando a personagem a tentar seguir com a sua vida longe de Princetton; o maior erro foi tê-lo feito regressar ao convívio de House tão cedo. Foreman deveria ter ficado naquele outro hospital a gerir aquela equipa durante mais tempo. E a sua inclusão entre os novos lacaios de House também não foi bem sucedida. Resultado: também Foreman se tornou num mero espectador. Por muito que eu aprecie o trabalho de Epps na série, isto tem de ser dito: está na altura de dizermos adeus a Foreman

Contudo, este foi um ano de Super Bowl e a série tinha de continuar o seu caminho. Assim chegamos a “Frozen”, um improvisado episódio especial que conseguiu corresponder ao que lhe era pedido e tornar-se num dos melhores episódios da temporada e de toda a série. Mira Sorvino, certamente, fará parte da lista dos nomeados ao Emmy deste ano, mas eu quero mais para a Oscarizada actriz: eu quero a Dra. Cate de volta para, pelo menos, mais um episódio!

Pouco depois, a série despedia-se para uma pausa forçada, mas com um novo ânimo: a relação de Wilson e Amber. David Shore foi inteligente o suficiente ao trazer a personagem de Anne Dudek de volta, e com ela veio também uma data de emoções na recta final da temporada. Enquanto House e o público tentava entender o porquê desta relação, a série parecia regressar da greve menos inspirada, embora em Dr. House não existam episódios maus, apenas episódios menos bons. Seria nos legendários “House’s Head” e “Wilson’s Heart” que tudo ia mudar.

Tentando quebrar um pouco com as convenções da série e perpetuando uma nova viagem ao subconsciente do protagonista (quem esqueceu “Three Stories” ou “No Reason”?), os dois últimos episódios conseguem mascarar todo e qualquer desânimo que possamos ter sentido em relação à série. Com um argumento soberbo e uma realização e montagem de cortar a respiração, atinge-se o clímax do ano: devido a um acidente rodoviário, somos obrigados a dizer adeus à Cutthroat Bitch, perante um fragibilizado Wilson e um House à procura de redenção. Serão estes os acontecimentos que prometem conduzir a próxima temporada e que prometem mudar a série que conhecemos ao longo de quatro anos, para o bem ou para o mal.

Muitos se queixam, e com razão, da falta de conclusões para as histórias pessoais das personagens. O caso mais célebre é a storyline do polícia Tritter, mas o meu maior ódio neste campo remonta à segunda temporada. Até hoje, e sempre que apanho a repetição dos episódios “Euphoria” na FOX, sinto a necessidade de chamar a David Shore todos os nomes que me vêm à cabeça. Estes foram os episódios em que Foreman era o paciente e que terminam com o médico a não conseguir mexer algumas partes do seu corpo. No episódio seguinte, logo depois do genérico, Foreman irrompe pela sala de reuniões como se nada fosse, apenas fazendo uma pequena referência aos tratamos que levou a cabo… Por mais que me queira convencer do contrário, temo que o aparente final da amizade entre House e Wilson também não nos vai levar a lugar nenhum, e que tudo será rapidamente esquecido. Este é o cenário mais provável, mas a esperança é a última a morrer, até porque esta quarta temporada deixa várias sub-tramas em aberto que podem muito bem ser exploradas com inteligência no próximo ano.

O que irá acontecer entre House e Wilson? Estará a tão esperada aproximação entre House e Cuddy já ali ao virar da esquina? Conseguirão os autores voltar a dar destaque a todos os personagens? O que irá acontecer ao casal Cameron-Chase? Será que aconteceu algo entre ela e House de que nós não temos conhecimento? Terá a vida de 13 os dias contados? Conseguirá Taub resolver a crise no seu casamento? Os autores têm ouro nas mãos; resta só saber como é que o irão talhar… Até lá, obrigado por acompanharem estas reviews (as do Pedro Andrade e do Carlos Couceiro também), e relembro podem sempre passar pelo tópico oficial desta temporada no Cantinho da TV para outras ler mais opiniões sobre a série. Vemo-nos na quinta temporada!

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9 Responses to Review: Dr. House– A 4ª Temporada

  1. Ricardo diz:

    Improvisado ou não, adorei Frozen. Gostava mais da equipa antiga. Tenho muitas saudades da Cameron! Tirando a Amber e o Wilson, os personagens secundários de House foram bastante desprezados esta temporada. Queremos histórias de jeito para a Cameron!

  2. Vitor Fernando diz:

    eu tinha a ideia que no episódio “Euphoria” ele não conseguía era destingir os lados por causa da biopsia mas se calhar to enganado. De qualquer das formas foi uma das melhores temporadas do ano, se não fosse a greve talvez ainda fosse melhor. Em Setembro temos mais House.

    P.S: Boa review, acho que toda a temporada foi bem resumida, parabéns!

  3. Riky_On_The_Road diz:

    Desta temporada só gostei verdadeiramente dos episodios após greve. Não gostei da nova equipa e quero novamente a anterior, pq são melhores em tudo. Para mim não foi das melhores temporadas do Dr House.

  4. João Silva diz:

    Antes de mais os parabens e obrigado pela review.
    Pessoalmente, esta foi das temporadas que mais gozo me deu ver. Apesar de não gostar muito da 13 (preferia que a Amber tivesse permanecido mas até percebo o porquê de tal não acontecer), acho que era importante, depois de 3 temporadas, introduzir novas personagens. Claro que ao longo destas temporadas a Cameron, Foreman e Chase foram desenvolvidos. Mas não me pareceu que se envolvessem o suficiente na história para aguentar mais uma temporada inteira sem entediar o espectador. Pelo que até achei refrescante, tendo em conta que o cast que transita de uma temporada para outra era, na sua essência, diminuto.
    Da 2ª temporada só guardo más recordações. Na 3ª, embora ja não me recorde muito bem, penso que a história do Tritter foi demasiado mastigada e embora a personagem fosse fascinante em estilo e potencial, era (segundo me recordo) pouco “flexível”. Pareceu-me, a mim, que esse arco durou demasiado tempo tornando-se entediante.
    E que dizer dos episódios finais desta temporada…
    Tenho altas expectativas para esta 5ª temporada…

  5. luciano diz:

    a verdade é que tudo que que começa de um jeito acaba de outro,isso se concretiza na serie também a melhor equipe foi a primeira e espero que ela volte como nos velhos tempos de house

  6. Rui Rodrigues diz:

    Desta serie os dois ultimos episodios sao inesqueciveis! tenho saudades do Dr. House! Quando é que começa a 5ª Série?

  7. DENIS diz:

    Everwood e The OC Terminaram bem. Smallville depois da 7 e Lost depois da 3ª, ficaram chato e ruim. Resumindo: Dr. House tem que terminar com a cuddy, sua amizade com Dr. Wilson tem que continuar e a equipe antiga voltar. Não adianta inventar demais ou querer criar mais temporadas, assim como outras séries e estragar o final do seriado.
    Espero que a 5ª série volte e os autores saibam continuar ou terminar de forma correta esta série que adoro.

  8. House M.D. é a melhor série médica actualmente em exibiçao. Hugh Laurie interpreta brilhantemente um personagem complexo e genial. Espero que na 5a temporada a relaçao entre House e Cuddy se desenvolva noutros parametros. Tou farta de os ver nas insinuacoes e ñao passarem disso. Eles tem k avancar n relacao sentimental/profissional. Tnh saudades d Stacy.

  9. Sara diz:

    Axo k a 4 temporada foi uma dax temporadas maix fracas k ja fizeram do house.axo k puseram de lado as personagens cameron e chase.gostava k na 5 temporada aparecessem komo actores e nao komo figurantes.

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