
- Episódio: “An American Family” (2/16)
- Temporada: 2ª
- Canal: RTP2/FOX Life
- Primeira transmissão em Portugal: 22 de Fevereiro de 2008
- Primeira transmissão nos EUA: 7 de Outubro de 2007

“Eu acho que a América está à procura de alguém que saiba a diferença, e a única maneira de fazer isso é escutar, e não antagonizar. A família da minha noiva é muito diferente de mim e diferente de uns dos outros e, por isso, eles são, por definição, o meu maior trunfo, porque eles lembram-me que nós somos todos parte de uma grande família americana, onde ninguém é irrelevante e onde ninguém deveria ser ignorado. E Luther, não acho que a maior questão seja por que razão eu me sinto parte deles, mas sim por que é que você não.”
Claro, este discurso de Robert (Rob Lowe) foi o mais patriota possível, o que poderá levar à falta de compreensão pelos fãs de Irmãos & Irmãs que não habitam nos EUA. Mas mais do que uma ideologia sobre como deveria ser e reger a figura que vai substituir George W. Bush no próximo mês de Novembro, este discurso é um hino à união, e que deveria ser aplicado em todo o planeta, não só nos EUA, mas também em Inglaterra, França, Portugal, China, Cuba… Escolham qualquer país! Este mesmo discurso aplica-se em qualquer dos casos.

Ao analisar as personagens da série, podemos vislumbrar pessoas completamente diferentes uma das outras, com maneira de estar na vida que divergem umas das outras: temos uma mãe liberal, uma filha republicana (Calista Flockhart), um filho homossexual (Matthew Rhys), um filho que está a combater no Iraque. Todos eles conseguem conviver na mais perfeita harmonia, conseguindo colocar as suas diferenças de lado e respeitando-se como indivíduos. Não seria esse um cenário perfeito para o mundo em que vivemos? Não será esse o cenário que Robert McCallister pretende obter com a sua campanha?
São várias as ocasiões que pudemos testemunhar esta harmonia, e este episódio foi mais um belo exemplo. No seguimento daquilo que vimos na semana anterior, Justin (Dave Annable) é mesmo o coração dos Walkers. Agora que está confirmado o seu regresso, está na altura de seguir em frente, sem compromissos adiados. E é dessa forma que, especialmente, Sarah (Rachel Griffiths) e Rebecca (Emily VanCamp) tentam seguir o seu rumo. Se a primeira se apercebe que o seu relacionamento com Joe (participação de John Pyper-Ferguson) está para lá de terminado (a maneira juvenil com que o casamento chegou ao fim era evitável), a segunda tenta enterrar os fantasmas do passado: contar a Sarah que ela é tão culpada do beijo quanto Joe. Uma das
coisas mais inacreditáveis em Irmãos & Irmãs é a maneira como Rebecca e Holly (Patricia Wettig) são mantidas no nosso convívio. Em circunstâncias normais, Nora (Sally Field) já se teria encarregado de fazer com que ambas desaparecessem, mas a viúva continua a dar abrigo à filha bastarda do marido. Não que me esteja a queixar, até porque adoro que Emily VanCamp tenha sido contratada para o elenco, mas que por vezes custa um pouco a acreditar, lá isso custa. Claro que todos continuam a culpar (e com razão) William, mas não deixa de ser estranha a maneira como Rebecca se conseguiu misturar com os meios-irmãos, dado todo o seu historial. Será este o pretexto para criar uma nova tensão entre a filha de Holly e Sarah?
Com o passado para trás das costas, está na altura de olhar para o futuro, e esse futuro tem um nome: Justin. Se toda a primeira parte do episódio é mais leve, divertida e cheia de esperança, a segunda deita todos esses sentimentos por terra, talvez imitando a realidade de um soldado de regresso à sua família. As expectativas de Nora de reencontrar o filho mais novo saem goradas, quando somos confrontados com um Justin psicologicamente mais forte, apesar da sua debilidade física (um joelho danificado), que parece querer provar a todos e a si próprio, particularmente, que é digno da missão que esteve a representar durante quatro meses. E o pior de tudo é que o
jovem decidiu fazer tudo isto sem o recurso às drogas. Em circunstâncias normais, esta seria uma decisão de louvar, mas dadas as intensas dores é um perfeito acto de masoquismo. A cena final do episódio em que Justin perde a postura pela primeira vez nesta temporada e se vê obrigado a procurar apoio e força no colo da sua mãe é um prenúncio para os tempos difíceis que se avizinham. Afinal de contas, não deve ser nada fácil ter de ajudar um soldado a recuperar de uma lesão e a recuperar a sua própria vida…
O início desta segunda temporada não poderia ter sido mais certeiro. Recorrendo a duas temáticas extremamente polémicas, actuais e fortes (política e guerra no Iraque), a série consegue desenvolver a história da nossa família favorita de uma maneira harmoniosa, uma harmonia que se assemelha àquela que Robert espera para a sua América. Fico também
contente que duas das tramas que mais curioso me deixaram no final da temporada anterior estejam a obter o tempo de antena devido: a destruição de Julia (Sarah Jane Morris) e os misteriosos segredos de Saul (Ron Rifkin). Claro que a série tem os seus pontos menos bem conseguidos, mas sejamos realistas: Irmãos & Irmãs é um guilty pleasure. Desde o início que se assumiu uma série diferente, mas ainda assim um verdadeiro guilty pleasure. E continua a ser um prazer fazer parte desta família.
Músicas do episódio:
“Born”, Over the Rain
“Ashes and Wine”, A Fine Franzy
“White Bird”, KT Tunstall
“No Expectations”, Rooling Stones



Óptima review, continue com o bom trabalho!
A actualidade da série é a sua imagem de marca.
Como sempre, uma óptima review! Parabéns, Danny! 🙂
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