Hot Fuzz – Esquadrão de Província, por Tiago Jacinto

Título original: Hot Fuzz

Realização: Edgar Wright

Argumento: Edgar Wright, Simon Pegg

Intérpretes: Simon Pegg, Nick Frost e Timothy Dalton

Nicholas é um polícia de Londres que aposta sempre na excelência em tudo o que faz. No entanto a inveja dos colegas acaba por provocar a sua transferência para uma pequena e pacata vila do sul da da Grã-Bretanha. Ao chegar lá, ganha como parceiro Danny, que não pára de chatear Danny com perguntas sobre como é ser um polícia em Londres. No entanto a pacatez da vila é quebrada quando uma série de mortes violentas começa a ocorrer e, enquanto os habitantes locais, inclusive a polícia, acreditam tratarem-se de infelizes acidentes, Danny vê neles uma série de violentos homicídios…

De Edgar Wright e Hot Fuzz, o par que nos trouxe uma das mais brilhantes e aclamadas comédias da década, Shaun of the Dead (ou o seu igualmente brilhante título em português: Zombies Party – Uma Noite… de Morte), chega-nos Hot Fuzz – Esquadrão de Província. Tal como o filme anterior, Hot Fuzz trata-se de uma sátira a filmes de género, desta feita, os policiais de acção (como as séries Die Hard e Arma Mortífera), que explora os seus inúmeros clichés.

Acontece que, tal como em Shaun, os argumentistas exploram estes clichés de um modo que parece, na verdade, transmitir uma paixão genuína por este tipo de filmes pois, enquanto os parodia, consegue cometer a proeza de ao mesmo tempo se rir deles e com eles. Aqui não encontrarão a paródia “in-your-face” vista, por exemplo, em filmes como Scary Movie, optando por um estilo mais subtil (e daí…) e, ao contrário destes, o argumento apresenta uma estória coerente e não apenas uma colecção de gags e sketches colados de forma quase aleatória.

De Shaun regressam as geniais montagens rápidas capazes de tornar um simples acto de barrar manteiga numa torrada numa experiência carregada de adrenalina, e que aqui fazem ainda mais sentido. Tal como o incontornável Team America, temos aqui também uma das melhores desconstruções do género: grandes explosões, carregadores ilimitados, efeitos sonoros capazes de arrebentar com os tímpanos a qualquer um e a respectiva banda sonora, conspirações, perseguições em automóveis, planos em câmara lenta para todos os gostos e um confronto final que é o autêntico “duelo de titãs”. E uma das mortes mais absolutamente deliciosas que já tive o prazer de ver no grande ecrã (apenas adianto que a classificação de M/16 que o filme obteve não foi só por acaso…) .

Obviamente que como qualquer comédia que se preze, vive muito do seu elenco. Simon Pegg é, mais uma vez, perfeito como o herói com consciência e sentido de dever com raros rasgos de loucura. Igualmente brilhante é Nick Frost, que aqui é de novo o companheiro pouco inteligente mas com um coração de ouro. Quem os viu em Shaun já sabe ao que vai, quem não o fez, que se prepare, pois o timing cómico e a química entre estes dois é realmente notável. Para além do par protagonista, o filme apresenta também um elenco secundário que nunca nos falha. Destes destaco a presença de Timothy Dalton, o vilão económicamente (é mesmo essa a palavra) poderoso, com o riso sinistro, o bigodinho da praxe e a banda sonora de fundo a condizer.

Uma nota final para a série de cameos que, mais uma vez, marcam presença neste filme, e que demonstram a admiração que esta equipa já conseguiu arrecadar de entre os membros da indústria. Steve Coogan, Cate Blanchett e Peter Jackson são algumas das muitas caras que poderão ver durante alguns segundos.

Há 3 anos nenhuma distribuidora teve a coragem de distribuir Shaun of the Dead por terras nacionais. Felizmente, desta vez a Lusomundo decidiu arriscar, ainda que num muito reduzido número de salas. Como tal, não posso deixar de recomendar que aproveitem para o ver numa sala e, com alguma sorte, uma plateia um pouco composta. Serão certamente dos 5 euros mais bem gastos em 2007.

 

 

Depois Shaun e Hot Fuzz, Pegg e Wright preparam-se para entrar em Hollywood, com o primeiro a entrar no novo Star Trek (como Scotty) enquanto que o segundo se encontra envolvido com a Marvel na adaptação de Ant-Man. Por cá esperamos ansiosamente pelos resultados.

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4 Responses to Hot Fuzz – Esquadrão de Província, por Tiago Jacinto

  1. Este filme e de facto muito bom.

    Simon Pegg tambem esta envolvido no projecto da New Line “Run, Fat Boy, Run” que tem o David Schwimmer como realizador e que chega aos states em Marco.

  2. smasher_marques diz:

    é pena não ter merecido o devido destaque em solo Luso!

    estava desejoso de o ver no grande ecran mas os senhores dos cinemas acham que para a zona norte toda basta ter no Porto… revoltado

  3. Tiago Jacinto diz:

    É verdade Eduardo, o “Run, Fat Boy, Run” já recebeu inclusive um destaque aqui no Hotvnews:
    https://hotvnews.wordpress.com/2007/10/14/hotvnews-presents-run-fat-boy-run/

  4. Inês diz:

    Ha ha que filme mais fixe!

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