Review: “Ultimato” de Paul Greengrass, por Pedro Pacheco

Jason Bourne (Matt Damon), um ex-operacional da CIA que ficou amnésico durante uma missão falhada, continua a perseguir o seu passado, assombrado e com sede de vingança pela morte da mulher que amava. Num périplo pelo Mundo em busca de respostas,  perseguido por assassinos, Bourne vai ter de usar todos os seus recursos e capacidades para descobrir uma verdade que muitos querem manter enterrada…

Após “Identidade Desconhecida” e  “Supremacia“, este filme vem concluir mais uma trilogia, desta vez baseada na série de romances de espionagem escrita por Robert Ludlum. No entanto, a saga cinematográfica vale por si mesma devido ao afastamento progressivo que sofreu da sua fonte literária, e é dessa forma que deve ser analisada, como uma entidade própria. Nessa condição, este capítulo vem comprovar que esta franchise é um sucesso, não só comercial mas também artístico.

Paul Greengrass tomou as rédeas desta série a partir do segundo filme, substituíndo Doug Liman, o que provou ser benéfico para a qualidade global da mesma. Se Liman possui um estilo eficaz mas demasiadamente neutro e “morno”, Greengrass é mais visceral e enérgico. Estamos perante dois bons realizadores, mas este último possui uma aproximação visual mais adequada ao caderno de encargos de um thriller de espionagem pleno de tensão e realista (dentro dos limites do “realismo” possível numa ficção desta natureza).

O estilo “shaky camera” utilizado é uma expressão da energia e do realismo acima referidos. Inicialmente introduzida na linguagem televisiva, trata-se de uma técnica que tem a vantagem de envolver o espectador e quebrar a barreira que um enquadramento “fixo” pode criar mas que, mal utilizada, pode provocar uma perda de lisibilidade dos planos, dificultando a sua compreensão.

No caso em análise, a técnica é utilizada com grande eficácia, melhor até do que no anterior “Supremacia“, conferindo à acção constante uma urgência e uma brutalidade inauditas (as colisões automóveis são arrepiantes, para o que contribui também um excelente trabalho ao nível da mistura de som).

A nível de argumento, a história assume-se, na conclusão desta saga, como um thriller de acção, um jogo do gato e do rato por vezes um pouco forçado, é certo (a facilidade com que Bourne despista os seus perseguidores é desconcertante), mas sem nunca fugir para o rídiculo. Todas as pontas deixadas em aberto pelos dois primeiros capítulos são atadas, criando uma continuidade que permite ver a trilogia como um filme só.  

O elenco é todo excelente, com destaque para Damon a encarnar na perfeição o papel de Bourne, conferindo-lhe a fisicalidade de um agente bem treinado e a sofrimento de um homem atormentado em busca de redenção e vingança. A personagem fala muito pouco, pelo que o actor lança mão de um excelente trabalho de composição, convincente em cada segundo que está em cena.

Em jeito de conclusão, podemos dizer que está terminada uma trilogia de referência para o cinema de acção e espionagem, que poderá não substituir Bond, mas complementa-o bem, tendo até influenciado e ajudado os filmes do agente 007 a afastar-se de um fantasismo exagerado e a voltar às suas raízes mais agressivas e realistas da era Connery, como se viu no último “Casino Royale“. A ver e rever.

 

Título original: The Bourne Ultimatum

Realizador: Paul Greengrass.

Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, Joan Allen e David Straitharn.

Duração: 1h. e 51m.     

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