Review: “Duelo Imortal: A Origem” de Brett Leonard, por Pedro Pacheco

Num futuro próximo, a Terra está mergulhada no caos. Duncan McLeod (Adrian Paul) é um Imortal, raça de seres que só morrem se lhes for cortada a cabeça e que estão condenados a vaguear no Mundo, envolvidos num infindável jogo de combate. Quando se aproxima a hora de um evento cósmico que poderá revelar o segredo da imortalidade, McLeod junta-se a um grupo de Imortais numa demanda pela descoberta da Origem…

O ano de 1986 viu surgir um filme que, não sendo uma obra-prima, era fascinante e original, uma romântica aventura de acção e fantasia protagonizada por três actores tão carismáticos como as suas personagens: Christopher Lambert como Connor MacLeod, Sean Connery como Ramirez e Clancy Brown como Kurgan. “Duelo Imortal” foi realizado com inspiração por Russell Mulcahy e contou com uma banda sonora inesquecível dos Queen.

21 anos, três sequelas, três séries de televisão, sendo uma de animação, e incontáveis produtos de merchandising depois, surge agora nos nossos écrans o quinto filme desta franchise. Lambert passou o testemunho cinematográfico ao protagonista da série televisiva, Adrian Paul, no filme anterior “Highlander – O Jogo Final” de forma suficiente para ter encerrado a série numa nota positiva. Paul assume agora o papel principal duma trilogia de que o filme em análise é o primeiro capítulo. E vista esta película, teria sido bom que o projecto nunca tivesse passado do papel. O desastre é absoluto.

Não obstante o eventual esforço que foi necessário à equipa técnica e elenco para criar este trabalho, é inegável que a qualidade do produto final é nula, e uma bastardização escandalosa do potencial do filme original, já bastante delapidado pela inépcia das duas primeiras sequelas. A realização de Brett Leonard é visualmente analfabeta e espástica, repleta de flashes estróboscópicos epilépticos, efeitos de ralenti inúteis e planos mal centrados, que destroem completamente a eficácia das (poucas) cenas de combate.

Tudo neste filme é descabido e incoerente, contradizendo a mitologia anteriormente estabelecida (o que, em abono da verdade, sucede com frequência nesta franchise) e tentado criar uma variação da mesma, que é incompreensível e ilógica. Por exemplo, o Prémio, definido no original como o objectivo último da raça Imortal, nunca é sequer mencionado nem relacionado com a Origem, que, no princípio, é descrita como um acontecimento cósmico só detectado por um astrónomo em todo o mundo(!!), e depois, como algo que ninguém sabe exactamente o que é.

As interpretações variam entre a figura de corpo presente e o cabotinismo mais atroz e patético. Adrian Paul é inexpressivo e neutro, e o mais grave é que a sua é a melhor actuação de todas. O vilão Guardião, supostamente o Anti-Cristo Imortal, (Cristian Solimeno) com a sua voz de cana rachada e o seu comportamento de bobo da corte a largar piadas sem graça, é irritante e tão ameaçador como o Noddy. É claro que o facto de, em todo o argumento, não existir uma linha de diálogo bem escrita, não ajudou os actores a fazerem melhor…

É legítimo interrogarmo-nos sobre o processo de tomada das decisões criativas nesta obra, porque foram quase todas erradas. O desenho de produção é inexistente, conferindo um visual baratucho e amador aos decors; Duelo Imortal: A Origem” deve ter sido filmado em ruínas de edificios, fábricas abandonadas e baldios cheios de entulho por falta de orçamento, porque é só isso que se vê. Esta opção faz desaparecer qualquer intenção que pudesse existir de criar um clima épico adequado à inportância que a demanda pela Origem tem na narrativa. O guarda-roupa mais parece ter sido adquirido por atacado na Feira do Relógio. O argumento tenta conferir um tom grave e sério à narrativa, mas alinha cenas de exposição involuntáriamente cómicas, desnecessárias e intermináveis, em detrimento da acção, e clichés já mil vezes vistos e, ainda por cima, maltratados, como a cena da morte do amigo nos braços do herói, ou a do grupo de Imortais a caminhar lado a lado, em câmara lenta, ao som duma hedionda cover de “Princes of the Universe” dos Queen.

A coroa da (in)glória repousa no final, uma sequência tão rídicula pelo seu desenvolvimento e efeitos especiais paupérrimos que arranca gargalhadas estrondosas da audiência incrédula diante tanta mediocridade. Qualquer descrição não faria justiça ao quão mal concebida e executada é.

Perante esta situação, resta sugerir como alternativa a ver esta sequela:

  1. Se não se importar de ficar em casa reveja o filme original, disponível em DVD a  preço promocional.

  2. Se quer ir ao cinema, e como a distribuidora oferece o bilhete para “Duelo Imortal: A Animação“, que estreia também esta semana, na compra da entrada para este filme, vá ver a animação, e dê o bilhete para “Duelo imortal: A Origem” ao seu pior inimigo, para o fazer passar um mau bocado. Resultados garantidos!

Título original: Highlander: The Source

Realizador: Brett Leonard

Elenco: Adrian Paul, Thekla Reuten, Cristian Solimeno e Peter Wingfield.

Duração: 1h. e 45m.

 

4 Responses to Review: “Duelo Imortal: A Origem” de Brett Leonard, por Pedro Pacheco

  1. Isa diz:

    bem, eu só posso dizer que nunca na vida me tinha rido tanto numa sala de cinema…nem sequer em comédias. Era quase impossivel aguentar o riso perante tamanha estupidez de filme…foi de longe a coisa mais patetica que já assisiti no cinema 😛

  2. Hugo Gomes diz:

    Realmente o filme é muito meu, falha em todos os sentidos, infelizmente não consegui rir, apeteceu-me foi chorar pelos 5 euros que paguei para ver esta trampa. Duelo Imortal nunca foi filme para sequelas.

  3. Orlando Augusto Stock diz:

    Duelo Imortal de 1986 é de longe infinitamente melhor que todas as sequelas que já criou.Os criadores da saga Peter Davis e William Panzer insistem em produzir mais sequelas,e não reconhecem que a saga já perdeu o efeito novidade e originalidade.Em vez de fazerem Highlander atrás de Highlander,Davis e panzer deviam criar novas histórias,novos herois,diversidade precisa-se.Highlander já devia estar enterrado definitivamente.

  4. Pedro diz:

    Ok. Este filme tenho de confessar que esteve muito aquém das espectativas. Alguém como Adrian Paul nem deveria deixar que aquilo acontecesse. Ao filme falta uma base sólida, e o Duncan nem parecia aquele que estou habituado a ver.A morte do Joe, então, é desastroso.nem deveria ter acontecido, uma vez que todos sabem que, enquanto existir Imortais, existirão sempre observadores (mas o que tinham na cabeçam quando disseram que os Observadores tinham sido extintos?). Espero que o próximo seja, de loge, bem melhor.Afinal, eu gostei bastante de “Higlander- End Game” e esperava que este fosse uma continuação igualmente sólida.

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