
Num futuro próximo, a Terra está mergulhada no caos. Duncan McLeod (Adrian Paul) é um Imortal, raça de seres que só morrem se lhes for cortada a cabeça e que estão condenados a vaguear no Mundo, envolvidos num infindável jogo de combate. Quando se aproxima a hora de um evento cósmico que poderá revelar o segredo da imortalidade, McLeod junta-se a um grupo de Imortais numa demanda pela descoberta da Origem…
O ano de 1986 viu surgir um filme que, não sendo uma obra-prima, era fascinante e original, uma romântica aventura de acção e fantasia protagonizada por três actores tão carismáticos como as suas personagens: Christopher Lambert como Connor MacLeod, Sean Connery como Ramirez e Clancy Brown como Kurgan. “Duelo Imortal” foi realizado com inspiração por Russell Mulcahy e contou com uma banda sonora inesquecível dos Queen.

21 anos, três sequelas, três séries de televisão, sendo uma de animação, e incontáveis produtos de merchandising depois, surge agora nos nossos écrans o quinto filme desta franchise. Lambert passou o testemunho cinematográfico ao protagonista da série televisiva, Adrian Paul, no filme anterior “Highlander – O Jogo Final” de forma suficiente para ter encerrado a série numa nota positiva. Paul assume agora o papel principal duma trilogia de que o filme em análise é o primeiro capítulo. E vista esta película, teria sido bom que o projecto nunca tivesse passado do papel. O desastre é absoluto.
Não obstante o eventual esforço que foi necessário à equipa técnica e elenco para criar este trabalho, é inegável que a qualidade do produto final é nula, e uma bastardização escandalosa do potencial do filme original, já bastante delapidado pela inépcia das duas primeiras sequelas. A realização de Brett Leonard é visualmente analfabeta e espástica, repleta de flashes estróboscópicos epilépticos, efeitos de ralenti inúteis e planos mal centrados, que destroem completamente a eficácia das (poucas) cenas de combate.

Tudo neste filme é descabido e incoerente, contradizendo a mitologia anteriormente estabelecida (o que, em abono da verdade, sucede com frequência nesta franchise) e tentado criar uma variação da mesma, que é incompreensível e ilógica. Por exemplo, o Prémio, definido no original como o objectivo último da raça Imortal, nunca é sequer mencionado nem relacionado com a Origem, que, no princípio, é descrita como um acontecimento cósmico só detectado por um astrónomo em todo o mundo(!!), e depois, como algo que ninguém sabe exactamente o que é.
As interpretações variam entre a figura de corpo presente e o cabotinismo mais atroz e patético. Adrian Paul é inexpressivo e neutro, e o mais grave é que a sua é a melhor actuação de todas. O vilão Guardião, supostamente o Anti-Cristo Imortal, (Cristian Solimeno) com a sua voz de cana rachada e o seu comportamento de bobo da corte a largar piadas sem graça, é irritante e tão ameaçador como o Noddy. É claro que o facto de, em todo o argumento, não existir uma linha de diálogo bem escrita, não ajudou os actores a fazerem melhor…

É legítimo interrogarmo-nos sobre o processo de tomada das decisões criativas nesta obra, porque foram quase todas erradas. O desenho de produção é inexistente, conferindo um visual baratucho e amador aos decors; “Duelo Imortal: A Origem” deve ter sido filmado em ruínas de edificios, fábricas abandonadas e baldios cheios de entulho por falta de orçamento, porque é só isso que se vê. Esta opção faz desaparecer qualquer intenção que pudesse existir de criar um clima épico adequado à inportância que a demanda pela Origem tem na narrativa. O guarda-roupa mais parece ter sido adquirido por atacado na Feira do Relógio. O argumento tenta conferir um tom grave e sério à narrativa, mas alinha cenas de exposição involuntáriamente cómicas, desnecessárias e intermináveis, em detrimento da acção, e clichés já mil vezes vistos e, ainda por cima, maltratados, como a cena da morte do amigo nos braços do herói, ou a do grupo de Imortais a caminhar lado a lado, em câmara lenta, ao som duma hedionda cover de “Princes of the Universe” dos Queen.
A coroa da (in)glória repousa no final, uma sequência tão rídicula pelo seu desenvolvimento e efeitos especiais paupérrimos que arranca gargalhadas estrondosas da audiência incrédula diante tanta mediocridade. Qualquer descrição não faria justiça ao quão mal concebida e executada é.

Perante esta situação, resta sugerir como alternativa a ver esta sequela:
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Se não se importar de ficar em casa reveja o filme original, disponível em DVD a preço promocional.
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Se quer ir ao cinema, e como a distribuidora oferece o bilhete para “Duelo Imortal: A Animação“, que estreia também esta semana, na compra da entrada para este filme, vá ver a animação, e dê o bilhete para “Duelo imortal: A Origem” ao seu pior inimigo, para o fazer passar um mau bocado. Resultados garantidos!
Título original: Highlander: The Source
Realizador: Brett Leonard
Elenco: Adrian Paul, Thekla Reuten, Cristian Solimeno e Peter Wingfield.
Duração: 1h. e 45m.
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bem, eu só posso dizer que nunca na vida me tinha rido tanto numa sala de cinema…nem sequer em comédias. Era quase impossivel aguentar o riso perante tamanha estupidez de filme…foi de longe a coisa mais patetica que já assisiti no cinema 😛
Realmente o filme é muito meu, falha em todos os sentidos, infelizmente não consegui rir, apeteceu-me foi chorar pelos 5 euros que paguei para ver esta trampa. Duelo Imortal nunca foi filme para sequelas.
Duelo Imortal de 1986 é de longe infinitamente melhor que todas as sequelas que já criou.Os criadores da saga Peter Davis e William Panzer insistem em produzir mais sequelas,e não reconhecem que a saga já perdeu o efeito novidade e originalidade.Em vez de fazerem Highlander atrás de Highlander,Davis e panzer deviam criar novas histórias,novos herois,diversidade precisa-se.Highlander já devia estar enterrado definitivamente.
Ok. Este filme tenho de confessar que esteve muito aquém das espectativas. Alguém como Adrian Paul nem deveria deixar que aquilo acontecesse. Ao filme falta uma base sólida, e o Duncan nem parecia aquele que estou habituado a ver.A morte do Joe, então, é desastroso.nem deveria ter acontecido, uma vez que todos sabem que, enquanto existir Imortais, existirão sempre observadores (mas o que tinham na cabeçam quando disseram que os Observadores tinham sido extintos?). Espero que o próximo seja, de loge, bem melhor.Afinal, eu gostei bastante de “Higlander- End Game” e esperava que este fosse uma continuação igualmente sólida.