Hostel 2, por Carlos Antunes

Título original: Hostel: Part II
De: Eli Roth
Escrito por: Eli Roth
Com: Lauren German, Roger Bart, Heather Matarazzo, Bijou Phillips, Richard Burgi e Jay Hernandez

Hostel 2 vem provar que há sequelas melhores que o original!

O que, francamente, não era difícil visto que Hostel foi uma das mais excruciantes e dolentes experiências cinematográficas nos (pelo menos) últimos dez anos. A primeira metade a meio caminho entre um soft-core e um American Pie sem graça e a segunda metade uma gratuidade gore sem interesse. No total, hora e meia sem qualquer esboço de narrativa, sem qualquer ideia de cinema e sem qualquer interesse.

Mas voltemos à sequela que é o que aqui nos traz. O filme começa por nos trazer de volta a personagem de Paxton para sabermos que ele vem sendo assombrado por pesadelos e que, mesmo refugiado num lugar recôndito, acabará morto.

Esta sequência inicial, com cerca de 15 minutos, tem a intenção de proporcionar ao espectador uma sensação de familiaridade, mas na verdade não contribui em nada para o filme. Aliás, prejudica-o, consumindo tempo que estaria muito melhor empregue no desenvolvimento de algumas ideias de que falarei mais abaixo.

Depois, três americanas a estudar Arte em Roma são convencidas pela sua modelo a viajarem às melhores termas da Europa. Simultaneamente, dois americanos, amigos, vivendo uma vida banal, procuram uma nova excitação depois de já terem percorrido todos os parísos sexuais do globo.

Eli Roth, apercebendo-se que o modelo do primeiro filme se havia desde logo esgotado a si mesmo, soube enveredar aqui por uma alternativa válida, explorando em paralelo o caminho das vítimas e dos utentes do serviço de morte.

Daí que os que os que gostaram de Hostel devido ao seu gore, acabarão por sair daqui um pouco desapontados, visto que esse aspecto está aqui reduzido, suplantado por uma caracterização mais extensa (embora não sem falhas) quer das personagens quer do ambiente que as rodeia.

Entre as raparigas, a “líder” é uma menina milionária, bastante sensata. As outras são o oposto uma da outra, uma extremamente extrovertida e sexualmente activa, a outra introspectiva e ingénua. Entre os dois amigos, um apresenta-se sedento de “acção” enquanto o outro parece assustado com a ideia de matar alguém.

O caminho de ambos os grupos acabam por se cruzar ainda antes das salas de morte, numa festa local que celebra a violência e o paganismo, o medo e o Mal.

É esta uma das ideias mais interessantes do filme, quando Roth mostra que a violência está sediada na própria concepção da Humanidade, sendo fonte de entretenimento. Toda a cena desta festa é discreta mas eficaz.

Já as restantes boas ideias acabam por ter pouco tempo para se desenvolver, culpa dos tais 15 minutos iniciais. O leilão das vítimas, por exemplo, é um acontecimento vertiginoso que não permite compreender se os licitadores são milionários sem mais nada a experienciar na vida ou pessoas tão normais como o próprio espectador.

Também o jogo de aproximação entre assassino e vítima acaba por ficar algo curto e demasiado discreto, visto que a ligação entre a personagem de Lauren German remete-nos para a mulher de Roger Bart pela sua aparência, o que ajuda a compreender a motivação dele e a sua transformação. E é, infelizmente, com as personagens que volta a haver falhas.

No final ao analisá-las, vemos que no fundo elas são sempre ou “pretas” ou “brancas” e nem mesmo as respectivas metamorfoses conseguem dar-lhes o tom de cinzento desejado. Há um sentido de funcionalidade e obrigatoriedade nessas transformações.
A excepção parece ser a personagem de Bart que, é a única personagem que não é rica e mimada ou simplesmente um estereótipo que permite à narrativa avançar, mas verdadeiramente um homem comum que chega à posição de assassino devido à vida que leva.

Para a memória ficam os bons trabalhos de Lauren German e Roger Bart e, sobretudo, duas cenas. A primeira, a provar que uma foice e um corpo desnudo podem ser um conjunto de brutal (literalmente) sensualidade, A segunda, a cena final, demonstrativa do apagamento da emoção no ser humano e uma das mais cómicas e pugentes do ano.

Classificação:

PS 1 – Porque é que este filme não recebe um título em português?

PS 2 – A par do bom trabalho desenvolvido no poster que abre esta crónica, vale a pena visitar o site Die Hostel que apresenta uma excelente forma de marketing ao filme apresentanto oito câmaras de vigilância do interior das celas de morte.

21 Responses to Hostel 2, por Carlos Antunes

  1. Fred diz:

    “Hostel 2 vem provar que há sequelas melhores que o original!”

    HA!como eu concordo…
    Acabei de vir do cinema, de ver o filme…e venho BABADO… Superou expectativas…
    Excelente…a evoluçao e constante mutaçao das personagens está genial! E o final está LINDO! inesperado, sarcastico e negro…é como defino Hostel 2! ;D

  2. Bem, concordas apenas com essa frase da minha crítica, é isso?

  3. Fred diz:

    Nada disso…. Concordo com toda a critica (excepto com a parte em que diz, “nem mesmo as respectivas metamorfoses conseguem dar-lhes o tom de cinzento desejado.”, só pelo facto de que acho que que o cinzento não é desejado neste filme…E que se torna surpreendente e inesperada esta mudança drástica do branco para o preto. E tem todo sentido, a partir do momento em que é percetivel para o publico entender o porquê desta mudança… )!
    Ao citar apenas aquela frase da critica esta a dar ênfase à frase principal, que é a principal ideia com que ficamos no fim de ver o filme, “Superou o original!”.

    Áh! também não percebo porque raio é que o filme não tem um titulo Portugues…
    Mas talvez faça sentido, na medida em que, Hostel é o nome da estalagem da organização que prepara as mortes!…

  4. Tudo bem, Fred, o que eu quero é que as pessoas estendam mais o que dizem sobre o filme para podermos falar.

    Para mim, prefiro que as personagens vivam no lado cinzento da vida e como a transformação se dá como que num estalar de dedos, acho que as personagens acabam por ter pouca substância.
    Além de que, para mim, a mudança nos 3 personagens é muito previsível.

    Quanto ao título português, Hostel é somente “Estalagem” ou “Pousada”.
    Se esses títulos parecem fracos, que tal “Hospedagem”?

  5. Fred diz:

    Talvez fosse uma boa opção! Mas até gosto do nome Hostel…;)

    Curiosidade: Hoje ao conversar com uns amigos, descobri que o nome Hostel não foi inventado nem sequer vem de estalagem ou pousada. Existia realmente um local chamado Hostel onde realmente havia um negocio de trafico de pessoas…A parte das torturas macabras já foi inventada! A policia acabou por descobrir este local e ele foi encerrado… MAs como isto era apenas uma conversa entre amigos achei que era mais um mito…mas depois li um pequeno artigo na premiere (só nao sei de que mes…mas vou ver e dps digo alguma coisa!)!

  6. Sim, mas a palavra significa estalagem, somente isso.
    É natural que a estalagem se chamasse estalagem.

  7. Alexandre diz:

    “Hostel foi uma das mais excruciantes e dolentes expriencia…”

    Não percebo como alguém diz esta afirmação do melhor filme de terror dos ultimos anos.

    Ainda não vi o Hostel 2 e posso acreditar que seja melhor…mas dizer que o Hostel é um mau filme…é de muito mau gosto…no minimo.

  8. Alexandre, a tua afirmacäo deixa-me a impressäo de que näo viste quase nenhuns filmes de terror na tua vida (mesmo apenas dos últimos anos).

    Agora sem responder na mesma moeda, a tua opiniäo é täo válida quanto a minha, certo?
    O terror constroi-se muita para lá de algumas cenas gore atiradas para o meio de um filme onde näo existe narrativa. Hostel näo tem suspense, näo tem sustos. O que tem hostel? Mulheres semi-nuas e umas cenas com sangue.
    A isso acrescento toda a gratuidade dos primeiros 45 minutos de filme e todo um genérico apatismo causado. Chato, mesmo, capaz de me fazer quase adormecer na cadeira.

    Aconselho que de uma vista de olhos pela cinematografia asiática, onde o terror está ainda menos limitado pela “moral social” para perceberes que Hostel está longe de ser essa obra maior do terror actual.
    Ou, ainda, dentro da indústria americana, o remake de The Hills have eyes (/só para dar um exemplo) filmes de terror bem melhores teem-se mostrado.

    Agora, o mais importante desta discussäo näo säo esses parágrafos que escrevi acima.
    Eu gosto sempre de debater com as pessoas que leem a minha crítica, aceito que me apontem omissöes e defeitos ou que me tragam uma nova perspectiva sobre o filme (quem nunca reavaliou a sua opiniäo sobre um filme, por favor revele-se!).
    O que me parece extremamente incorrecto e idiota é que quando escrevo a crítica vejo-me “obrigado” a pensar o filme e a elaborar o meu discurso coerente e responsavelmente.
    Já quem vem aqui comentar sente-se no direito de atirar pequenas pérolas gratuitas e vácuas sobre os filmes.
    Uma ou duas linhas como estas – “do melhor filme de terror dos ultimos anos.”; “mas dizer que o Hostel é um mau filme…é de muito mau gosto” – teem o condäo de trazerem consigo a arrogäncia com que normalmente se acusam os críticos de cinema. E teem essas afirmacöes algum conteúdo? Contribuem em algum ponto para a discussäo mais profunda do filme?
    Näo! Limitam-se apenas a tentar contrariar um discurso articulado com afirmacöes elevadas a Verdade e absolutamente injustificadas.
    É um combate desigual. Eu e os meus colegas do blog temos de trabalhar com alguma persistencia para escrever estas críticas e produzir o melhor trabalho possível para o leitor e o leitor tem apenas de escrever alarvidades sem qualquer respeito por quem escreve para, na sua opiniäo, vencer o suposto debate.
    Nesse campo gostaria que le-se o que escrevi depois da frase que citou pois, ainda que brevemente visto que näo era Hostel o objecto desta crítica, abordo e sustento a opiniäo apresentada.

    Mais grave ainda, estes casos apenas se däo quando alguém (e normalmente eu) tem um ponto de vista negativo sobre um ´qualquer trabalho.
    Quando as críticas säo positivas, onde está o público a atacar ferozmente as 4 ou 5 estrelas que um filme recebe?
    Este tipo de atitude só sucede porque o leitor se sente ofendido quando a crítica está contra a sua opiniäo pessoal no sentido negativo da mesma.
    Como se näo estívessemos todos nas mesmas circunstäncias ao vermos um filme e tentarmos analisá-lo com base na nossa relacäo pessoal com ele.

  9. Fred diz:

    Discordo quando afirma que “deixa-me a impressäo de que näo viste quase nenhuns filmes de terror na tua vida (mesmo apenas dos últimos anos).” pelo facto de ele achar o Hostel um dos melhores filmes de terror dos ultimos anos! Eu sou fanático por filmes de terror e já vi imensos (mesmo os que nao sao dos ultimos anos!pq eu fazia parte de um grupo de cinema e revi a historia do cinema!)… E mesmo assim tenho o Hostel em muito boa conta! Não é o melhor filme da minha vida mas tá muito bem… Daí também achar esta classificação um pouco injusta! Mas a avaliação parte um pouco do critico e da sua experiencia profissional e, quer queiramos quer nao, da sua experiencia pessoal! Eu dava-lhe 3,5*

    Ha! Mas também concordo quando aconselha a passar os olhos pelo cinema de terror asiatico! Pq eles tem trabalhado muito bem e é bom ter outra perspectiva para além da Americana…

  10. Bruno diz:

    Se for tão bom como o primeiro é a não perder!

  11. Fred, a minha frase depois dessa diz “Agora não respondendo na mesma moeda”.
    Essa primeira frase era para mostrar a mesma desconsideração que ele mostrou ao dizer que eu tinha mau gosto.

    Da próxima coloco uma tag [irony mode]

  12. [irony mode] Obrigado, Bruno, pelo seu tão interessante comentário. [irony mode]

  13. Alexandre diz:

    Carlos acho engraçado que me achas arrogante…

    Porque tudo o que eu leio nas tuas respostas que tu dás aos leitores deste blog é de uma pura arrogancia…e não é só comigo, vemos o caso de o Bruno dar uma opinião e tu imediatamente respondeste com uma frase irónica.

    Já vi que és susceptivel ás criticas…mas a forma como respondes aos leitores do blog acho no minimo impróprio.

    A Humildade nunca fez mal a ninguém.

  14. Alexandre, quando respeitarem o trabalho de quem aqui escreve (da Constança Lobo, por exemplo, que é muitas vezes atacada ao escrever sobre House), eu respeitarei os vossos comentários.
    O Fred, por exemplo, parecia discordar de mim, eu abordei-o, ele explanou a sua opinião e temos vindo a debater o filme, com ele a discordar de mim.
    Já tu entraste logo com desconsideração para com o meu trabalho.
    E o Bruno, depois de tudo o que escrevi, voltou a cair no mesmo tipo de atitude.

    Se eu posso tentar ser mais receptivo a comentários curtos e deixar de os comentar visto que significam pouco, já comentários que põem em causa o meu trabalho, ainda que amador, ainda que cheio de falhas, não deixarei passar sem mais nem menos.

    Se quiseres debater o Hostel (e depois de o veres, o Hostel 2) com uma troca de ideias lógica e respeitosa, aqui estarei.
    Se quiseres continuar esta discussão, dou-me já por vencido, mas com a certeza que enquanto os directores deste glob assim o entenderem, continuarei a deixar aqui o meu trabalho.

    Um abraço quer para ti quer para o Bruno que não vale a pena criar ressentimentos via internet!

  15. Fred diz:

    Carlos, o irony mode é muito bom xD resulta mesmo… essas dicas funcionam!continua pqe a escrita pode ser muito traicoeira!
    E sim, abaixo os ressentimentos…

    Dica para o Alexandre: O papel do Carlos aqui é por-nos a discutir, debater e pensar… Ele é o moderador! Que sentido fazia se não houvesse troca de ideias? Se discordas com o que ele diz, dá-lhe a volta e prova porque está, ou nao, errado!;) abraço*

  16. Näo, Fred, eu näo tenho privilégios de moderador neste blog.
    Pelo contrário, o meu trabalho é revisto e pode ser emendado (näo que os administradores o facam, muito menos sem avisar quem escreve).

  17. paulo diz:

    kanto tempo tem o filme?

  18. Uma hora e meia, quase exactamente (diferença de dois ou três minutos, talvez).

  19. Jikul diz:

    Vi ontem este Hostel 2 e é de facto bastante melhor do que o primeiro.

    Em Hostel fiquei com a terrível sensação que a ideia do filme era dar vómitos ao espectador, e mais nada. Tão vazio de terror, de sustos e de apreensão… apenas uma tentativa reles de vencer o prémio para o filme mais sangrento do ano.

    Já Hostel 2 tem algo de novo, é tudo mais significativo. A cena com o foice é verdadeiramente brutal, e o fim então… Creio que Tarantino teve um papel mais interventivo neste filme do que no primeiro.

    Por fim, acerca dos filmes de terror (categoria na qual nenhum dos “Hostel” se enquadra), destaco, no cinema ocidental, The Descent (2005), do realizador britânico Neil Marshall. O melhor filme de verdadeiro terror que vi nos últimos tempos

  20. Rúben diz:

    Olá

    Em primeiro lugar, peço desculpa por não contribuir muito para a discussão sobre o filme – caso estejam interessados, fiz uma crítica quando o vi, podem acede-la através do link: http://pipocasetretas.wordpress.com/2007/09/24/hostel-parte-2-critica/ ; queria apenas dizer que, quanto aos filmes de terror utilizados em comparaçao com hostel 1/2, tenho a dizer que o the hills have eyes (o remake) está excelente, e sim, um dos melhores do passado recente. muito bom mesmo. já quanto ao the descent… bem, da primeira vez que vi, fiquei “wow!”, achei brilhante, desde as personagens, aos cenários, à realização, à narrativa… mas, à 2a vez… o filme, simplesmente demora bastante a arrancar – 45 minutos! por isso, sim, é excelente à 1a… um pouco aborrecido à 2a. mas nao deixa de ser um bom filme de terror!

    cumprimentos a todos

  21. Joao diz:

    Bem eu sinceramente acho que o Hostel é um mau filme de terror… tanto o 1º como o 2º.

    Porquê?
    1º Porque nem chega a ser um filme de terror… os filmes de terror nem precisam de ter cenas violentas para o serem, o objectivo é deixar passar o “medo” para quem está a ver e nisso este filme falha COMPLETAMENTE (o 1º ainda assustava um pouco). Neste filme apenas se procupam em impressionar e não em assustar os espectadores e com isso perde-se muito o espirito de um bom filme de terror.

    2º Porque é uma historia sem conteudo ABSOLUTAMENTE nenhum. Se a ideia era por as pessoas a matutar sobre os misterios da “sociedade de caça” falharam. Ninguem que vá ver o filme pensa na “Organização” por detras dos jogos macabros. é um filme “vazio”.

    3º Muito previsivel. Qualquer um já sabia que apartir do momento em que as raparigas entraram naquele comboio só podiam acabar mortas. Não houve a preocupação de inovar e surpreender os espectadores. O Suspense tão caracteristico dos filmes de terror parece já não estar em muitos filmes da actualidade (com exepção talvez do SAW)

    O unico ponto positivo que encontro são algumas das cenas que estão bastante realistas…

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