House – Review – A 3ª Temporada

E pronto. Chegámos ao fim de mais uma temporada de House. Houve quem não gostasse do tom das minhas reviews, achando que eu tinha um qualquer ódio à série. Não é, de todo, verdade, mas tenho algumas críticas, sim. Vou expô-las já a seguir.

Esta temporada começou bem. Prometia! Depois dos episódios finais da 2ª temporada, mal pude esperar para ver o que se seguia, e, felizmente, não tive de esperar tempo nenhum pois acabei de ver a 2ª temporada algures no início de Setembro e a 3ª tinha começado há pouco mais de duas semanas. Óptimo, pensei eu! Vou ficar já a saber o que aconteceu!

Mas depois de um óptimo início, que prometia algo de diferente, a série voltou ao mesmo. E por “mesmo”, quero dizer um simples procedural médico cuja única característica diferenciadora de todos os outros procedurals é a presença e capacidade cómica e de representação de Hugh Laurie, juntando-se a isso uma boa escrita de personagem.

Como devem saber, a grande diferença entre um prodecural e um serial é que, enquanto um se centra no caso da semana, o outro centra-se nas personagens e no desenvolvimento destas. Os serials costumam ter story arcs e… espera lá, dizem vocês! Mas House não teve um story arc este ano? Teve. Toda a primeira parte da temporada foi dedicada ao story arc do Tritter (David Morse). Mas mais valia não terem perdido tempo, pois para terem um story arc inconsequente, mais valia não terem.

A série aventurou-se, mais uma vez, no mundo dos serials, mas com resultados muito pobrezinhos. Um dos meus grandes gurus da escrita televisiva disse uma vez que, para prender realmente um espectador, este tem de temer o resultado final. Não pode haver garantias à partida. E com a história do Tritter toda a gente sabia, à partida, que nada de mal iria acontecer. Claro que House não podia nem ir preso nem perder a sua licença, eu (e calculo que todos os outros fãs da série) não estava interessada num House: Prison Break (talvez com um pequeno (ou grande!) cameo de Wentworth Miller…), mas seria interessante se algo mudasse. Mas isso não aconteceu. House mentiu, mentiu, mentiu, fez de Wilson (Robert Sean Leonard) gato-sapato, conseguiu que Cuddy (Lisa Edelstein) mentisse por ele em tribunal… e pronto. Continuou com a sua vida como se nada fosse.

 

E isto é uma das coisas que mais me irrita em House. Que o nosso querido Dr. House se safe de tudo, sem quaisquer consequências. Falsifica as receitas de Wilson, supostamente o seu melhor amigo, deixa-o na mão quando este está na mó de baixo por Tritter lhe ter congelado as contas, não lhe dá qualquer espécie de apoio e o que é que recebe em troca? Amor e carinho. A amizade de House e Wilson sai de toda a situação exactamente como antes. É irreal. E só acontece porque ninguém pode virar costas ao nosso médico preferido.

House fica em risco de perder a sua licença para praticar medicina devido ao consumo de drogas e o que é que acontece? Absolutamente nada. Cuddy mente por ele e já está, ele pode finalmente voltar a consumir Vicodin abertamente e a falsificar receitas.

E isto é sintomático de toda a série e é por este motivo que não me consigo ligar a House, tal como não me consigo ligar a CSI. Não há desenvolvimento de personagens. Até o momento mais forçado da temporada surte zero efeito uma vez passado o episódio em questão. Estou a falar da cena do bebé e da ligação de House a este. Seria de supor um certo… amolecimento por parte de House, ainda que subtil. Mas não. Depois de Fetal Position não vemos nada que remotamente dê a ideia de que House está mais humano e se preocupa mais. Aliás, ele próprio o diz, depois de Foreman (Omar Epps) se despedir, apesar de se notar aí um certo sentimento de perda. Sentimento esse que House ultrapassa rapidamente uma vez os factos consumados. O facto de Wilson dizer que House se preocupa serve de pouco se não vemos isso na personagem.

Wilson é uma espécie de cachorrinho abandonado, que por mais pancada que leve, volta sempre para perto de nós. Tem, certamente um lado masoquista muito desenvolvido, pois só assim se explica a razão de manter a relação com House, depois de tudo o que este lhe fez. Seria de esperar que houvesse alguma mudança, mas não. É um bocado como a mulher que leva porrada do marido mas que não o deixa, pois este pediu-lhe desculpa e disse que ia mudar… até ao dia seguinte, em que lhe dá novo enxerto. A diferença é que House nem sequer pede desculpa.

Cuddy tem apenas uma característica que a define, que é a vontade de ser mãe. Mas os escritores lembram-se pouco disso, e quando se lembram, decidem compensar por todo o tempo em que não se lembraram, exagerando todas as reacções de Cuddy. Mas pelo menos tem um botão que a faz mexer.

Depois temos os Ducklings… Cameron (Jennifer Morrison) continua tão amorfa como na primeira temporada, sempre muito boazinha e com vontade de ajudar os coitadinhos. Nem tudo foi mau, pois vimo-la ligeiramente mais “selvagem”, aquando das suas “indiscrições” com Chase (Jesse Spencer), mas pouco mais. E nem sequer foi especialmente chocante o seu pedido de demissão, uma vez que sem Chase nem Foreman, dificilmente ela continuaria a trabalhar para House. Isso seria mais do coisa do Chase. Que também pouco ou nada mudou ao longo deste ano. Continuou sempre a ser o lambe botas cobarde que eu adoro, apesar de apaixonado por Cameron.

Foreman é o que menos mudou, se isso for possível. Ele sempre foi parecido com House e o facto de ter roubado a tese a Cameron é indicativo disso mesmo, portanto toda a sua crise na recta final da temporada acaba por ser um bocado estéril, uma vez que ele não se está a tornar no House, ele sempre foi o House.

Mas acalmem-se os fãs mais acérrimos! Nem tudo foi mau! Esta temporada tivemos episódios brilhantes, como Half-Wit, House Training, Son of a Coma Guy… Aliás… posso dizer que o único episódio de que não gostei nem um bocadinho foi mesmo o One Day One Room, como aliás, tornei absolutamente claro na minha review. E, apesar de tudo, o story arc do Tritter, apesar de me ter irritado solenemente de principio a fim (até porque, tal como era suposto, o próprio Michael Tritter me irritava ardentemente), foi uma simpática mudança de passo. Foi, no geral, uma boa temporada.

E antes de me saltarem todos ao pescoço, lembrem-se que isto é apenas a MINHA opinião, à qual tenho direito. Vocês são livres de concordar ou discordar. Não são livres de se ofenderem com ela. E volto a lembrar, eu até gosto da série. Sigo-a voluntariamente, e não pela TV. Simplesmente não a consigo achar mais do que uma boa série, que entretem. Tal como não consigo achar CSI mais do que isso. Mas de CSI não tenho tanto a dizer, porque só vejo ocasionalmente na TV.

Quanto ao futuro da série, acho que a mudança de ares pode ser boa, apesar de ser, no geral, um bocadinho avessa a mudanças, principalmente a mudanças de elencos, mas confesso que já estava muito farta de Cameron e Foreman (se bem que suportava mais uns anos de Chase). Mas de qualquer maneira parece que eles se mantêm na série… vamos lá ver de que forma e a fazer o quê.

Para o ano há mais, mas não será na minha companhia. Despeço-me aqui de Dr. House.

Texto de Constança Lobo

Editado por Constança Lobo e Carlos Couceiro

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7 respostas a House – Review – A 3ª Temporada

  1. tvfiles diz:

    Tenho uma opinião semelhante. Acho que a story-arc desta temporada foi completamente desperdiçada, resolvida com grande simplicidade e por isso mesmo perdeu tpodo o interesse. Pessoalmente gostei da personagem Michael Tritter, e tenho pena que no final nem House nem Tritter tenham recebido algum castigo.

    Também me chateou profundamente que a relação entre o House e o Wilson regressasse ao normal depois de toda esta história. Acho que também aqui devia ter havido grandes consequências, porque ninguém (nem mesmo a Cameron) consegue ser tão bonzinho.

    Mas enfim… House continua a ser uma das minhas séries favoritas, pela grande actuação de Hugh Laurie.

  2. Lídia diz:

    Apesar de House ser provavelmente a minha série preferida do momento, acabo por concordar com algumas das críticas que fazes, principalmente no capítulo da aparente impunidade do nosso amigo e desse malfadado story-arc.

    O meu comentário à season 3 de House está aqui:
    http://osnovospornografos.blogs.sapo.pt/19929.html

  3. Concordo com muitos pontos desta review.

    O story arc do Tritter, para mim, até foi uma boa medida tomada pelos autores da série, para abanar um bocado as coisas. O pior de isto tudo foi mesmo o final desta história, completamente anti-climático e resolvido às três pancadas, sem deixar grandes marcas no House.

    Aliás, este é, talvez, o grande defeito da equipa criativa da série: não apresentar consequências marcantes para as histórias apresentadas. Ainda não consegui recuperar e nem perdoar aos autores por terem resolvido o cliffhanger dos episódios “Euphoria” como se não fosse nada de especial. E muitos outros exemplos podem ser apresentados.

    Contudo, não obstante todos estes defeitos, esta temporada é, para mim, a melhor da série até à data (esqueçam os episódios finais… O drama do Foreman foi “interessante” mas “desinteressante” ao mesmo tempo…). E tudo porque correram o risco em deixar os casos clínicos de lado e apostar mais nas histórias pessoais. Se foram bem ou mal sucedidos, acho que depende do juízo de cada um, mas para mim é um ponto positivo para a própria série que tenta, todas as semanas, de uma maneira ou de outra, apagar a ideia de que é o “CSI dos hospitais”.

    Para mim, foi a temporada que apresentou um melhor conjunto de episódios, destacando-se o odiado “One Day, One Room” (um dos meus 3 episódios favoritos). E a 4ª temporada promete ser ainda mais inovadora neste ponto: quem é que não está curioso para ver como é que vão manter os outros 3 por perto?

    Enfim, para o ano há mais.
    Cumps

  4. Jikul diz:

    Só tenho a dizer que sou de opinião que o “One Day, One Room” é o melhor episódio da temporada. Houve ali qualquer coisa diferente mas extremamente reveladora.

    De resto, House vale sobretudo pelo personagem principal, já que tudo o resto parece estar ali como “muldura”, de forma a realçar e centrar o papel extraordinário de Hugh Laurie. Porque o resto é tudo banal.

    PS: Não resisto, tenho de dizer isto: ODEIO CSI, que coisa mais desenxabida, sensaborona, desengraçada, irritante e secante! Essa bodega nunca mais acaba?

  5. Riky_On_The_Road diz:

    Para mim esta temporadda considero-a desiquilibrada com grandes episodios,outros nem por isso…Gosto de todas as personagens menos do Foreman, por não ser carne nem peixe, axo que não acrescenta nada á serie. Enquanto á bonzinhos e insosos,frios, cobardes e lambe botas o Foreman não se sabe muito bem o que é…
    Ainda estou para perceber que tipo de personalidade a autora desta review se identifica? Com os bonzinhos e insosos é que não tem nada a ver com ela, sera com os cobardes e lambe botas? Parece que detesta pessoas boazinhas!!
    Sem duvida que é uma boa serie, mas tambem não é uma serie do outro mundo,pensava eu que era,mas axo que não é.
    O que a faz torna-la sempre interessante é sem duvida o desempenho de Hugh Laurie.Ele é sempre surpreendente.
    Se puderem Hottvnews perguntem ao canal Fox se já não axam que ja estão passar repetições a mais da serie. É que no horario das 23hrs ja passaram 3 ou 4 vezes seguidas a 2ª temporada,axo que já é de mais…podiam passar repetições de outras series. Como a serie 24 por exemplo é que ainda não vi as primeiras 4 temporadas…entre outra series.

  6. Bem, eu adorei o One Day, One Room. 😛 Mas concordo em absoluto com o que te irrita na série, que foi o que me fez a mim fartar-me: o House safa-se de tudo e todas as personagens se “arrastam na lama” para exaltar a sua magnificência e para, de alguma forma, ele se safar de tudo, por mais grave que seja o assunto.

  7. Anónimo diz:

    um portador de quimerismo ao doar saliva e esperma para exames pode acontecer de o resultado ser diferentes?especificando;a saliva dar o resultado=a, eo esperma dar o resultado=b?no mesmo individuo?hummmmmmmmmmmmmm.

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