O Astronauta, por Márcio Pereira

Género: Drama
Título: O Astronauta (The Astronaut Farmer no original) (2007)
De: Michael Polish
Escrito por: Mark Polish e Michael Polish
Com: Billy Bob Thornton, Virginia Madsen, Max Thieriot, Jasper Polish, Logan Polish e Bruce Dern

Desde criança Charles Farmer (Billy Bob Thornton) tinha apenas um objectivo: ser astronauta. Charles Farmer licenciou-se em Engenharia Aeroespacial, ingressou na Força Aérea como piloto e pertenceu ao programa de treinos da NASA até que devido a problemas familiares o obrigou a desistir.

Mas ele não é um homem que deixe que qualquer obstáculo o faça desistir do seu sonho.

É esta a história de Charles Farmer.

 

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O filme “O Astronauta” pretende claramente passar uma mensagem, em que está representada na citação do próprio Charles Farmer (Billy Bob Thornton) em que ele diz “If we don’t have our dreams, we have nothing.”. De facto a demanda que o personagem principal tem durante o filme só para concretizar o seu sonho torna-se crucial para o desenrolar da história do filme.

O espaço, o foguetão, as viagens espaciais, a NASA, a comunicação social e todos os acontecimentos políticos que daí advêm são apenas aspectos secundários, mas essenciais para dar alguma sustentabilidade ao argumento do filme.

Podemos ver o filme como uma metáfora da vida, em que quando o homem sonha tudo pode acontecer. Mostra de uma forma extrapolada e talvez pouco realista, exemplos de sucesso que vemos diariamente no nosso quotidiano e que nos permita manter a esperança de que um dia será o nosso sonho que se vai realizar.

Image Hosted by ImageShack.usPodemos classificar o filme como um drama familiar, mas também tem uma história comovente, com o personagem principal a unir a sua família nomeadamente, a sua mulher, as suas duas filhas e o seu filho mais velho com apenas 15 anos, na prossecução do seu sonho, ir ao espaço. Vemos também um homem desesperado com o amontoar das dívidas, ficando em risco de perder a sua quinta e com a pressão crescente dos média e das autoridades americanas que começam a exercer sobre ele. Mas para ele tudo isso é irrelevante, desde que tenha o apoio da família.

Os argumentistas tentam também esboçar um ligeiro sorriso ao espectador, com a sátira ao comportamento das autoridades governamentais, como vemos num dado momento do filme em que o FAA Director Jacobson (J.K. Simmons) questiona Charles Farmer sobre as suas intenções e como ele poderá garantir que ele não estará a construir uma arma de destruição maciça. Ele responde de uma forma brilhante, If I was building a weapon of mass destruction, you wouldn’t be able to find it.”, ou seja, se eu tivesse a construir uma arma de destruição maciça, vocês não a encontrariam.

O filme não termina, sem a tentativa de se lançar ao espaço, mesmo contra as directivas das autoridades da FAA, mas infelizmente verificou-se num fracasso, colocando mesmo a vida de Charles em risco.

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Quando com o desenrolar da história dá a sensação ao espectador de que Farmer talvez não consiga cumprir o seu desejo, dá-se um volte-face, com a Audrey Farmer (Virginia Madsen), a sua mulher, ao receber a herança do seu pai que falecera recentemente, e ao ver o estado psicológico de Charles, decide mostrar todo o seu amor por ele e convence o seu marido a dedicar-se novamente no projecto de construir o foguetão.

O final do filme acaba por ser demasiado previsível, na medida que após o lançamento para o espaço, os argumentistas pretendem dar mais algum suspense ao enredo, ao colocar Charles Farmer incomunicável com a família e que após algum tempo, quase por milagre a sua voz surge na caravana, a sua central de operações improvisada.

Que grande cliché, mas esta é apenas a minha opinião.

Um filme apenas de entretenimento, não demonstra ser uma grande obra cinematográfica, onde poderíamos concluir apenas que “vale tudo para concretizar os nossos sonhos”, onde a personagem de Charles Farmer, pode ser diferentemente interpretada pelos espectadores. Numa perspectiva ingénua, ele é um exemplo de uma pessoa que luta pelos seus sonhos e que faz tudo para atingi-los. Numa perspectiva mais realista vemos um homem que põem em causa a segurança da família, mostrando actos puramente egoístas só para a concretização o seu sonho.

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5 Responses to O Astronauta, por Márcio Pereira

  1. Carlos Antunes diz:

    O problema não está no previsível e inevitável heroímos final.
    Na realidade, tal era absolutamente necessário para aquilo que é o propósito incial do filme, o do confronto do indivíduo e do governo (ou outra força opressora qualquer).
    Infelizmente é no miolo do filme que este perde o tom, deixando este confronto perdido em duas ou três tiradas jocosas (como a piada das armas de destruição maciça), muito embora não perca a qualidade narrativa com que o drama familiar progride.
    Aliás, aí é curioso notar como o sonho não é individual mas colectivo e que não é pela segurança financeira que a família se mantem, mas antes pelo sonho comum, mesmo que exagerado, mesmo que contrariado pelo governo, mesmo que desconsiderado por todos.
    Não é perfeito, mas é saborosamente inspirado no melhor das décadas Hollywoodianas de 40 e 50 e a sua genial premissa base valeria sempre o visionamento do filme.
    Apenas entretenimento é algo que este filme não é certamente, mesmo que a reviravolta para a reconstrução do segundo vai-vem seja algo forçada.
    5 em 10!

  2. Venho cá practicamente todos os dias, gosto muito! Boas críticas e bem formuladas, mas chego ao fim de cada e gostava de saber a cotação do filme. Deixo aqui esta dica, já que acho que seria uma boa adição.
    Cumprimentos.

  3. Mário Pascual diz:

    Este é um filme é 5 estrelas!
    Além de ser de entretenimento é também de “intervenção” (como algumas músicas que se faziam antes do 25 de Abril). Já existe esta designação? Se não, poderia começar a haver! Por vezes não é necessário fazer grandes obras cinematográficas porque as mensagens são muito importantes. É um filme inspirador para quem pretende concretizar um sonho, sem precisar do aval nem de se submeter às regras que outros impõem. Além disso mostra-nos os verdadeiros valores, o que é importante na Vida.
    Apesar de ser um filme extraordinário esteve em poucos cinemas do país e durante pouco tempo…não foi?

  4. Carlos Antunes diz:

    Obviamente, a máquina do marketing näo permite que este tipo de filmes respire.
    Blockbuster, blockbuster, blockbuster.
    Dinheiro, dinheiro, dinheiro.
    O resto, em Portugal, é como o primo que´ninguém sabe como tratar durante as reuniöes de família!

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