Review: “Piratas das Caraíbas nos Confins do Mundo” de Gore Verbinski, por Daniel Carronha

Chega ao fim uma das trilogias mais bem sucedidas dos últimos anos. Com a estreia do mais recente capítulo da saga, chega a altura de analisar o filme que contribuiu para o renascimento de Johnny Depp e dos filmes de piratas: um bom filme, mas que lhe falta qualquer coisa para ser realmente… bom.

Este Piratas das Caraíbas nos Confins do Mundo começa exactamente no ponto em que o filme anterior (O Cofre do Homem Morto) terminou: o Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) foi enviado para o Cofre de Davy Jones (Bill Nighy); assim, Will (Orlando Bloom), Elizabeth (Keira Knightley) e o resto da tripulação terão de unir esforços para trazer o seu capitão de volta, aliando-se, para isso, ao regressado Capitão Barbossa (Geofrey Rush) e à enigmática Tia Dalma (Naomie Harris). No entanto, o grupo terá de ter cuidado com a Companhia das Índias Orientais, que está, mais do que nunca, decidida a exterminar de uma vez por todas a pirataria, tendo-se, inclusivamente, aliado a Davy Jones

Com o final do filme anterior, tudo fazia antever que este terceiro episódio da saga seria um filme explosivo e grandioso, cheio de acção, aventura, romance, e, claro, Johnny Depp: todos os factores que fizeram de A Maldição do Pérola Negra um dos mais inesperados sucessos cinematográficos de 2003. No entanto, o resultado final apresentado não é bem esse… Sim, estamos perante um filme explosivo e grandioso (literalmente), cheio de acção, aventura e romance; porém, falta-lhe algo que tornou o primeiro filme tão bom e o segundo bastante agradável: alma, que se funde e confunde, em vários momentos, com a presença/ausência de Depp dos ecrãs.

O que levou o primeiro filme da trilogia a ser o que é hoje foi a sua simplicidade. Tinhamos uma história convincente, recheada de excelentes gags e momentos de acção e descontracção. Foi isto que mostrou ao mundo que Gore Verbinski e a sua equipa são excelentes contadores de típicas histórias da Disney, que nos encantam e fazem sonhar; foi isto que confirmou o estatuto de Orlando Bloom como ídolo das adolescentes; foi isto que transformou uma desconhecida actriz de, então, 17 anos, Keira Kinghtley, numa das grandes promessas do cinema, cujo talento já foi agraceado por uma nomeação da Academia; foi isto que revitalizou os filmes de piratas; foi isto que deu a Johnny Depp a sua primeira nomeação ao Óscar e o reconhecimento do meio… A lista é infindável.

Com o sucesso, foram delineados de imediato mais dois filmes; e foi a partir daqui que as coisas começaram a descambar. O segundo filme tentou repetir a fórmula do primeiro, complicando e misturando um pouco as coisas; o resultado foi a apresentação de um filme agradável mas menos conseguido do que o anterior. Por isso, numa primeira instância, a tentativa dos argumentistas de inovar um pouco a história é perfeitamente merecedora de aplausos. No entanto, essa mesma mudança tirou à obra uma das suas principais características: a sua tal simplicidade.

A sensação com que fiquei ainda mesmo durante a visualização do filme foi que a produção queria realizar um final memorável, à lá Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei, desde a sua duração, até à sua própria complexidade: Nos Confins do Mundo peca, exactamente, pelo excesso de tramas secundárias e pelo excesso de personagens adicionais que transforma um pequeno grande filme num filme grande e pequeno. E o pior é que esse mesmo excesso acaba por retirar a intensidade pretendida em algumas cenas.

Por exemplo, a história envolvendo Davy Jones e a sua amada não é mais do que uma metáfora para a relação de Will e Elizabeth, que atravessam um período negro na sua relação, conduzindo-os cada vez mais para caminhos opostos: Will tenta salvar o seu pai, Bill Turner (Stellan Skarsgärd), e Elizabeth tenta obter redenção dos seus actos passados para com Jack. Enquanto que a história dos dois amantes, que representa a dificuldade que todos sentimos em transformar um amor juvenil num compromisso adulto, é bem desenvolvida, a de Davy Jones necessitava de um maior aprofundamento, que não acontece.

Os efeitos secundários, a cenografia, a fotografia, o guarda-roupa, a caracterização estão melhores do que nunca, mas também isso contribuiu para o crescimento do produto para algo que não era inicialmente. Além disso, o argumento, por ser tão extenso e albergar tantos focos de interesse, acaba por se dispersar bastante, resultando num filme menos conseguido do que os anteriores, que, em muitos momentos, entra em contradição com situações passadas em A Maldição do Pérola Negra. Contudo, há que dar valor à cena inicial do filme, muito bem escrita e que acaba por definir o próprio rumo dos acontecimentos, bem como foi bastante interessante ver retratada mais crenças e costumes dos marinheiros daqueles tempos, principalmente a crença de que o planeta era realmente plano.

As constantes reviravoltas na história e os estratagemas secretos continuam lá, mas este artifício começa a cansar um pouco o espectador, não resultando tão bem como antigamente; as pequenas cenas de luta entre o elenco são substituídas por grandiosas batalhas épicas, que empregam ao filme um carácter mais sobrenatural do que é costume.

Mas, talvez o que tenha mesmo prejudicado a prestação da película seja mesmo a ausência de Johnny Depp, ou melhor, a transformação de uma das maiores criações de sempre por um actor numa personagem quase secundária. Piratas das Caraíbas são o Capitão Jack Sparow; Johnny Depp é o Capitão Jack Sparow; sem Depp não há Piratas. Os 30 minutos iniciais em que não temos qualquer participação do nosso pirata favorito, apesar de essenciais à história e de terem algumas cenas agradáveis, parece que custam a passar. Porém, assim que aparece no ecrã, e mesmo sem dizer uma única palavra, os nossos rostos iluminam-se com um sorriso ao ver o Capitão, cuja loucura é bem desenvolvida, e que é fiél ao espírito inicial da franchise. No entanto, a partir daqui, e aliando ao seu decréscimo de importância, nem mesmo as cenas com a personagem nos parecem agradar, adquirindo uma sensação de que todas aquelas situações são forçadas. Só mesmo a soberba prestação de Johnny Depp as consegue salvar, bem como a todo o filme, e, mesmo assim, o actor tem momentos de descuido: Keith Richards, no seu especial cameo, é o único actor em três filmes que consegue fazer sombra ao actor fetiche de Tim Burton, exemplificando a intimidação de Richards sobre o seu fã, Depp, na vida real, e que nos remete, também, para a complicada relação entre pai e filho, na ficção.

Concluindo, estamos perante um bom final para uma trilogia, mas que talvez não seja para esta trilogia. Os filmes foram amadurecendo à medida que a sua história, os seus personagens, actores e público iam envelhecendo; se no início tudo não passava de uma simples brincadeira de crianças, hoje, a trilogia termina com um filme mais adulto, mais complexo, com várias dissertações filosóficas sobre a tal dificuldade já enunciada sobre o desenvolvimento dos nossos relacionamentos, mas também sobre a dificuldade de gerir uma vida adulta e tentar encontrar o nosso próprio lugar no mundo (a divertidíssima rivalidade entre Sparrow e Barbossa é uma metáfora que emprega alguns dos momentos mais hilariantes do filme).

Se estivéssemos noutro filme qualquer, esta evolução seria muito bem-vinda e aplaudida; aliás, esse desenvolvimento foi necessário e inteligentemente bem colocado em blockbusters como O Regresso do Rei e (crucifiquem-me!) Homem-Aranha 3, mas não neste filme. Pela simples razão de que Piratas das Caraíbas não são filmes como os anteriormente enunciados: Piratas são filmes leves que nos fazem divertir e distrair das nossas vidas, já de si complexas; assimilar essas características foi perder uma identidade que tem agora uma oportunidade de ser recuperada num hipotético quarto filme (alguém duvida da sua existência?). A única questão é esta: estará o público (e a própria série) preparado para mais um filme da saga?

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25 Responses to Review: “Piratas das Caraíbas nos Confins do Mundo” de Gore Verbinski, por Daniel Carronha

  1. pedromarques diz:

    ainda não vi o 3 mas quero um 4º se for ao nível dos outros. Estou preparado sem dúvida.

  2. Mariana diz:

    Eu ja fui ver o filme e achei-o lindo tem muita emoção (principalmente no ultimo combate), muita cenas agradaveis e divertidas como sempre na primeira aparição de Johnny Depp que e demais quando aparece muitos iguais e realmente eu não gostei muito do final do filme porque não sei bem explicar acho que a historia do Will e da Elizabeth devia de ser mais explorada, porque sofreram tanto para estarem um com um outro ele quaise morre nos três filmes por ela e ia morrer mesmo por ela neste filme que no final eles deviam de acabar casados numa igreja não naquela confusão deviam de ser um casal perfeito e não so poderem ver-se um ao outro de 10 em 10 anos acho estupido mesmo foi a unica parte que eu não gostei do filme. O inicio do filme é muito complicado mesmo n da para perceber nada
    beijos de uma grande fa :mariana espero que gostem tando do filme como eu gostei ;O)

  3. "pretty" diz:

    ainda nao vi o filme… mas já repararam k o bill (o chines) do prison break aparece?
    assim k vi o thriller reparei! ha pessoas k dizem k o filme é excelente! eu ainda continuo á espera do tempo certo para o ver, mas tenho a certeza, sendo os piratas das caraibas, o filme esta mto bom!

  4. Marta Dourado diz:

    Adorei o filme. Tiv pene do Will e da Elizabeth não ficarem juntos mas acredito que se houver 4 eles fiquem

  5. m@ry diz:

    eu ja fui ver o filme e gostei muito. concordodo com muitas das coisas que referiste mas penso que o filme precisava de crescer e perder aquela simplicidade inicial, de se desenvolver. as pessoas que viram o 1º cresceram com o passar dos anos (obvio!!!) e por isso ha uma nessecidade de o filme as acompanhar. acho que a saga ia acabar por perder muitos fans se continuasse na mesma. as coisas tem de evoluir e eu espero sincerramente que o quarto seja ainda melhor

  6. Nuno Palmeira diz:

    Pessoalmente acho que se houver 4 o Will e a Elizabeth nao devem entrar a historia deles termina neste filme, nesta cena dá para compreender que eles ficam juntos (de 10 em 10 anos)

    https://hotvnews.wordpress.com/2007/05/28/piratas-das-caraibas-nos-confins-do-mundo-a-cena-escondida/

    Na minha opinião, se houver 4, será em busca do calice da vida (o mapa q o jack tem no final) e será como no primeiro, centrado na rivalidade entre Jack e Barbossa!

    Concordo com a m@ry claro que as personagens tem de evoluir pq o publico também ja cresceu.

  7. ke treta o jack e ke devia ficar com a elisabet, o will e bonito mas o jack e lindo. nao???
    para mim o jack devia ficar com a elizabet kem sabe num possivel piratas das caraibas 4.
    ke dizem???

  8. Ana diz:

    Eu gostei muito do filme….
    principalmente a parte em que eles se casam ta mesmo um espetaculo mas chorei no fim acho que eles deviam ficar juntos… assim o filme perdeu metade da graça…. mas espero que haja o 4º filme e eles nesse fikem juntos…
    o filme tá bue fixe…bjs

  9. joana diz:

    adorei o 3º filme. so tenho pena do k aconteceu ao will e a elizabeth. depois d s casaram ficam separados durante 10 anos e so podem tar juntos 1 dia. ja li numa revista (a super pop) k vai haver 4º, 5º e 6º filme. espero bem k sim. adoro o orli e o johnny principalmente nos piratas.

  10. Maria diz:

    Axu k o filme podia ter sido melhor mas n foi mau de todo. Gosto mt do makakinho Jack e tb do papagaio. Para mim o Jonhy Depp e o Orlando Jordan são grandes actores e têm mt personalidade e humor. Espero k façam mais filmes e k venham a ser melhores k o anterior.
    Bju da Maria pra toda a tripulação

  11. […] seu objectivo. Enquanto divertimento excitante e espectacular, não falha como, por exemplo “Piratas das Caraíbas nos Confins do Mundo“, com as suas intermináveis cenas de diálogos e melodramatismo exagerado e piroso que […]

  12. 2... diz:

    sem duvida que ADORAMOS TODOS os piratas das caraibas!!! principalmente porque tem os homens mais lindos a face da terra…estamos a falar klaro, do johnny depp e do orlando bloom…epah nao sabemos esplicar, eles sao LINDOS SEXY…TUDO d bom…quanto aos filmes, estao fantasticos e na opiniao de uma de nos, o jack esta muito bem assim, sozinho…lol…bjs…

  13. 2... diz:

    IMPORTANTE: so mais uma coisa, pra quem nao sabe, quando acaba o filme passam os nomes deles e dos produtores e etx…depois disso tudo, a uma parte em que vese o will a voltar e a elizabeth gravida dele naquela ilhinha que ela ficou…que siumes… ah se quizerem podem tambem ver nos outros filmes, tambem tem…bjs e vejao…

  14. Andreia diz:

    Olá ! Eu ja vi todos os filmes e sao fantásticos, sao os meus preferidos, e realmente amava se houvesse um quarto para terminar melhor a história. :D. Eu sei que depois do filme acabar aparece que o Will volta e a Elizabeth ta’ grávida deele. Mas mais um filmezinho com aqueles actores e actrizes fantásticos e LINDOS, perfeitos, bla bla bla, nao fazia mal a ninguem ! 😀

  15. SPOILER
    O que na verdade aparece é Elizabeth e o seu filho de 10 anos.
    SPOILER

  16. […] Leia aqui a review de Daniel Carronha […]

  17. ccc diz:

    eu axei o livro ula seca
    assim ando a prokura de resumos

  18. uma grande fã diz:

    oiiii….
    eu sou uma big big big fã dos piratas das caribas…
    adorava que houvesse um quato filme p’ra que tudo terminasse melhor…
    e claro as fãs ficariam todas mais felizes… eheheh
    adorei os 3 filmes acho que são lindos…
    tal comu os actores…

  19. ana diz:

    oi
    gosto muito do filme desde kuando vi o 1º!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11
    amo o johnny depp e interpreta o jack sparow mt bem, k de além de ser mt engraçado, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito giro e fofo!
    todos dizem k o jack sparrow e a elizabeth faziam um grande casal, mas axo k o jack e a tia dalma faziam um belo par. tambem já foram namorados…
    e só mais uma coisa ,k toda gente diz: gostava muito k o 4º filme fosse feito. tenho saudades do jack sparrow, he,he,he… ah! e tambem dos outros actores…
    mas o jack sparrow tinha k vir em primeiro, é k sabem ,ele é mt liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo!!!!
    XAU

  20. […] Leia aqui a review de Daniel Carronha […]

  21. ticha diz:

    Eu adorei o filme dos piratas das caraíbas nos Confins do mundo, mas só não gostei que a elisabeth e o will turner não ficam juntos, é uma injustiça, por favor, façam outro filme dos piratas das caraíbas, mas que desta vez eles fiquem juntos para sempre, sem nehuma interrupção. se tiverem alguma novidade “positiva”, enviem-me para o meu e-mail.

  22. anónimo diz:

    adorei o filme e espero sinceramente que venha o quarto pois cheguei a uma parte da vida em que ja nao vivo sem os piratas das caraibas! adoro o capitao jack sparrow nunca vi nada assim acho que foi o melhor personagem alguma vez inventada e criada!
    despachem-se a fazer o quatro!

  23. Catarina diz:

    Concordo com esta opinião.
    O primeiro filme foi bom, e vi-o imensas vezes.
    O segundo, excelente, parti-me a rir com todas as piadas, mas a história começou a complicar-se…
    O terceiro, fantástico, com os efitos especiais, muito mágico, inesquecível, a banda sonora foi a melhor, mas a história complicou-se mesmo! Numa certa altura já não se percebia nada…
    Por acaso fiquei um bocadinho desiludida com o filme, mas não deixo de ser fã!
    Sim, faltava alma ao filme. Não vi tantas vezes como o 1º e o 2º, mas no cinema a emoção é outra! Mesmo melhor! Vi 2 vezes no cinema.

    Quanto à hipótese de haver mais 3 filmes, acredito que haja, mas ninguém sabe ao certo…

  24. Anónimo diz:

    eu agora só estou a espera do pirata 5 eheh, mas acho que no 5 deviam entrar a tripulação do jack, o will e a beth!

  25. VALENTINA DE PAULA diz:

    SOU APAIXONADA POR ESSA TRIOLOGIA, JÁ ESTOU ESPERANDO A O PROXIMO…

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