
• Temporada: 4
• Canal: FOX
• Primeira transmissão Portugal: 1/04/08 a 01/07/08
• Primeira transmissão EUA: 31/01/08 a 29/05/08
O que dizer duma série que se consegue reinventar mantendo, ou melhor, elevando a sua qualidade e mostrando não ter medo de arriscar, mudando radicalmente a sua estrutura narrativa e assumindo a sua ousadia ao longo de cada episódio?

Habituada a viver debaixo de críticas, “Lost” não é, definitivamente, uma série para toda a gente. Primeiro fizeram birras porque a série não era um “Survivor” ou uma versão televisiva de “Lord of the Flies”. Depois queixaram-se por causa de um botão. Em seguida, porque a acção se passava em demasia junto de novos personagens, dando pouco tempo de antena aos antigos. E, por fim, aborreceram-se porque a série se tornou demasiado sobrenatural (elemento presente na série desde o início) ou porque se tornou previsível. E enquanto uns amuavam por qualquer coisa, outros aproveitavam a fantástica viagem que a mesma proporcionava.

Quando ouço queixas sobre a previsibilidade dos episódios finais desta temporada, o que me ocorre dizer é que quem o diz não percebeu a essência dos mesmos. A quarta temporada de “Lost” propõe ao espectador, de forma declarada, resolver um gigantesco puzzle, facultando-lhe peças soltas episódio a episódio para no final exibir um composto quadro narrativo. O resultado é uma história com princípio, meio e fim – tal como todas as histórias devem ser estruturadas –, mas contada fora dos moldes tradicionais, onde pontas que inicialmente se têm como soltas se vão atando de forma consequente.

Por isso é que, ao contrário de anos anteriores, os episódios finais serviram, principalmente, como prova daquilo que o espectador já sabia. Não houve direito a surpresas fenomenais ou revelações mirabolantes (o que até nem é inteiramente verdade) por uma simples razão: essas já tinham vindo a ser reveladas ao longo da temporada. O final foi, sobretudo, o preencher dos muitos espaços vazios que existiam. E poderia ser de forma diferente? Claro que não, ou teríamos nas mãos um dos maiores buracos narrativos de sempre.

Mas nem só de uma revolução estrutural viveu esta quarta temporada. A série apresentou um ritmo alucinante ao longo dos seus 14 episódios, fruto da decisão em estabelecer uma data para finalizar a mesma. Além disso, pela primeira vez em quatro anos, “Lost” assumiu verdadeiramente a sua componente de ficção científica. A série sempre teve as suas incursões pelo sobrenatural, sempre apresentou a ciência como uma possível resposta a muitas perguntas, mas só com o episódio “The Constant” se afirmou definitivamente como ficção científica. Certamente que, com essa declaração, afastou mais um grande número de espectadores, mas para nós, os fiéis, apenas deu mais um passo a caminho da imortalização.
Texto de Pedro Andrade
Editado por Carlos Couceiro
Imagens: FOX Portugal e ABC
(originalmente publicado no blog TVDependente)

Vencedores já anunciados!


Terça-feira, 8 Julho 2008 às 17:19
Óptima review! Concordo plenamente.
Friday Night Lights estreia dia 20 na FOX.
Terça-feira, 8 Julho 2008 às 22:31
É pena a série estar a perder audencia nos USA, espero que que isso não afecte o que os seus criadores tinham planeado e poderem acaba-la como deve ser, isto é, que não seja cancelada entes do tempo. Penso que seja o lado mais sobrenatural da série e a sua própria compreensão que esteja a fazer com que perca espectadores. Mas os verdadeiros faz manten-se. Para mim uma das melhores séries de sempre, para isso contribui a sua historia, que é original, e a forma como é contada; a série ganhou muito com os Flashforward. Imaginem se a série fosse contada pela ordem cronologicamente certa, de certeza absoluta que não tinha tanto impacto e tantos misterios.
E que dizer de BEN é uma personagem simplemente genial, e essa genialidade é devida em gramde parte ao actor.