Expresso da Meia-Noite, por Carlos Antunes

(capa da edição nacional)

Título Original: Midnight Express

De: Alan Parker

Escrito por: Oliver Stone

Com: Brad Davis, Randy Quaid e John Hurt

Midnight Express passa o teste do tempo praticamente imaculado.

Billy Hayes é um jovem que, ao regressar de férias, tenta contrabandear haxixe, acabando por ser enviado para uma prisão turca.

Devido à tensão política vivida entre os EUA e a Turquia, Billy servirá de exemplo e será condenado a prisão perpétua.

O relato da sua vivência num local de enorme violência é uma viagem pelos limites da resistência física, da sanidade e da própria condição humana.

A intensidade do filme vem da sua entrega total a esta viagem pela própria alma humana, a par da leitura política sobre os direitos humanos.

Brad Davis, o protagonista, não dá a impressão de viver a personagem, mas antes de ser aquele ser humano, tão frágil quanto resiliente.

O resto da equipa que o acompanha, do realizador aos restantes actores, não esquecendo o argumentista (um estreante Oliver Stone), mostra igual devoção a esta história, o que a impregna de uma energia fulgurante e de uma honestidade cativante.

Só a partitura é que já não parece enquadrada neste filme.

Apesar de ter ganho o respectivo Óscar, a banda sonora totalmente à base de sintetizadores soa agora estranhamente perturbadora, martelando a vontade do espectador.

É, provavelmente, o sinal da inexperiência do realizador – era apenas a sua segunda longa-metragem – na época, que permite que a partitura afogue o trabalho visual de algumas cenas como que à falta de outra opção.

No entanto este continua a ser um filme de elevada intensidade que ganha uma curiosa (e irónica) leitura política passados 30 anos, sobretudo à luz das declarações que Oliver Stone faz num dos Extras, sobre a Turquia neste filme ser a materialização dos países que não cumpriam os básicos direitos humanos.

Que os EUA sejam, actualmente, um dos países que pudessem ser representados pela Turquia deste filme mostra também a forma como o país evoluiu, paralelamente à “perda de inocência” do irreverente Oliver Stone.

Classificação:

Extras

Comentário áudio do realizador: Um acompanhamento detalhado que explana todas decisões sobre a produção, escolha de actores,

Além a elevada quantidade de informação, um aspecto muito curioso deste comentário reside na forma como Alan Parker visualiza (e fala) do filme como um espectador estreante, em vez de um “realizador cego” perante a proximidade da produção. Acaba por fazer reflexões muito interessantes, ainda que acabe por concluir que não faria nenhuma alteração ao filme.

Documentários de produção: São três, intitulados The Producers, The Production e Finished FIlm. Ascendem a cerca de 1 hora e 15 minutos, baseando-se em depoimentos dos vários intervenientes – os produtores, o realizador e alguns dos actores.

Os documentários dão uma alargada perspectiva da evolução, do dinâmico equilíbrio da produção e da ressonância histórica do filme.

Esse último aspecto traz curiosas revelações, de que até um país como a Itália cedeu à pressão da Turquia para não aceitar que o filme fosse lá filmado, tendo sido Malta que aceitou a produção, à conta do seu líder político da altura se recusar a ceder a pressões.

Fotos de produção: Montagem de 12 minutos de fotos do filme e de fotos da produção.

Classificação:

Agradecemos à Sony Pictures a cedência de uma cópia de visualização deste filme, assim permitindo esta crítica.

6 Respostas para “Expresso da Meia-Noite, por Carlos Antunes”

  1. helena miranda Diz:

    Recordo que vi este filme há muito tempo e que era bastante nova.sótenho uma palavra para o caracterizar : Intenso

  2. Carlos Antunes Diz:

    Helena, esta edição em DVD assinala os 30 anos do filme e acaba de ser lançada.
    Espero que, se for essa a sua intenção, não deixe de aproveitar para rever o filme que recorda.

    E obrigado por ler!

  3. Pedro Maciel Diz:

    É sempre bom haver reviews de filmes mais antigos.Uma boa maneira de descobrir coisas “novas”.

  4. Carlos Antunes Diz:

    Muito embora tenha sido feita porque houve um lançamento novo em DVD.
    Mas julgo que poderia ser uma secção interessante “Clássicos” ou “Recomendações”.

  5. Anônimo Diz:

    Resenha fraca e redundante para um filme tão emblemático! Não é o segundo filme de Parker como diz a resenha e com relação a maravilhosa trilha de Giorgio Moroder, dizer que ela soa “estranhamente perturbadora” parece ser desconexo! O filmé é tonitruante, pungente,um libelo contra a violência carcerária…como não ter uma trilha pertubadora? Sintetizadores? Antunes,olhe a época,meu filho!!Final da década de 70, a Disco ,o Rock tinham os sintetizadores como base e os sintetizadores foram o registro na sonoridade de sua tempo…

  6. Carlos Antunes Diz:

    Anônimo, primeiro que tudo esta foi, sem sombra de dúvida, a segunda longa-metragem de Alan Parker.
    Basta olhar para a filmografia dele e verificar isso mesmo.

    Aceito a sua opinião sobre a minha crítica, não tenho dotes extraordinários para a função de “crítico”, pelo que tento o meu melhor como amador.
    Que a trilha seja maravilhosa, é uma questão de opinião sua, no entanto, e se avalio a trilha com os olhos colocados no presente, então tenho também o direito a essa opinião de que a trilha surge datada e que se impõe de forma desnecessária aos sentidos do espectador.

    Já agora, agradeço que não volte a usar do tom condescendente e paternalista, sobretudo enquanto lhe faltar a coragem para assinar o seu comentário.
    Garantidamente, da próxima vez não lhe responderei e.

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