
- Episódio: “Because I Know Patty” (13/13)
- Temporada: 1ª
- Canal: TVI
- Primeira transmissão em Portugal: 19 de Junho de 2008
- Primeira transmissão nos EUA: 23 de Outubro de 2007
“Why do you hate me so much?”
Parece mentira, mas é verdade! O episódio final de Damages foi finalmente para o ar esta semana! E ao mesmo tempo que se deixam portas abertas para uma segunda temporada, as principais questões da série encontram também aqui uma resposta, por mais ou menos twists por que tenhamos passado até lá chegar. Mas, mesmo assim, a sensação que fica é de que este final poderia ter sido um pouco melhor…
Já pensei que o meu leve descontentamento sobre este episódio pudesse estar relacionado com a própria TVI. Afinal, depois de duas semanas após a transmissão do “There’s No ‘We’ Anymore”, dei-me conta de que já não me lembrava de muitas coisas da série, que parecia que já tinha sido há muito que a tinha visionado. Por isso, em alguns momentos, o episódio pareceu-me muito mais uma season premiere do que um season finale. Contudo, e mesmo apesar deste pormenor, a verdade é que o próprio episódio carece de um pouco mais de… Nem sei bem. À primeira partida, o episódio parece perfeito, mas falta-lhe, de facto, alguma coisa. Talvez um pouco mais de intensidade, que lhe foi retirada por a história principal estar a ser desvendada nos últimos episódios. Assim, serviu apenas como uma introdução a novas tramas e entregou alguns desfechos.

Voltemos há história. Passaram-se dez dias desde a morte de David (Noah Bean) e três dias desde que Patty (Glenn Close) foi visitar aquela misteriosa sepultura. Tal como lhe havia prometido, e com a cassete de confissão de Gregory em vista, Patty faz de tudo para provar a inocência de Ellen (Rose Byrne) no caso do assassinato de David. Por seu lado, Frobisher (Ted Danson) tenta a todo custo provar a sua inocência. São estas as duas linhas temáticas de relevo (entre muitas outras) deste episódio. E se Patty consegue provar a inocência da sua aprendiz, já não se pode dizer o mesmo de Arthur: é aqui que as duas histórias se fundem numa só.
As pequenas réplicas da Estátua da Liberdade adquirem um pouco mais de significado para a mitologia da série. Não só foram as principais armas com que David foi morto, como serão elas que, metaforicamente falando, irão destruir todas as chances de Arthur se declarar inocente: a gravação estava escondida num compartimento das pequenas estátuas. Agora que está finalmente na posse deste trunfo, Patty pode finalmente fazer aquilo que melhor sabe: fazer chantagem com Arthur Frobisher. Ou ele prossegue com o processo e vai para a prisão, ou oferece uma choruda quantia de indemnização aos seus ex-funcionários, estando Patty na obrigação de se ver livre de todas as provas incriminatórias existentes a respeito do milionário. Escusado será dizer que Frobisher opta por esta segunda opção. Mas talvez ele nunca tenha tido a sorte de ouvir o conselho sábio de Patty a Ellen: “Trust no one”…
Com o acordo estabelecido, Patty entrega a gravação ao Promotor Público (participação de Peter Friedman)
para que este a use contra Arthur na altura das eleições. Ao mesmo tempo, e negado ao direito de usufruir da indemnização, Larry (participação de Victor Arnold) perde a cabeça e tenta expiar todos os seus pecados. Frobisher tanto quis ficar com os terrenos em que planeia trabalhar, que esta pode muito bem ser a sua última morada: Larry alvejou-o e deixou-o para trás, provavelmente para morrer. Terá terminado, desta forma, a história de Arthur Frobisher em Damages? Tudo indica que sim, mas espero sinceramente que não, pois o seu percurso, pelo menos para mim, ainda não acabou. Tal como ele questiona a sua adversária, eu também volto a colocar a questão que me atormenta desde o primeiro episódio: porque é que Patty odeia Arthur? A resposta, quanto a mim, parece ser logicamente encontrada durante o período em que a advogada esteve desaparecida.
Patty esteve de facto a visitar a sua família, tal como contou a Tom (Tate Donovan). A sua filha, para ser mais exacto. É isso mesmo, em plena década de 70, uma jovem Patricia Hewes teve de se conformar com a morte prematura da sua pequena filha, Julia. Foi este o fantasma do passado que o implacável suicídio de Ray Fiske despertou em Patty Hewes. E poderia ser este fantasma a explicar a sua obsessão por Arthur, mas essa teoria, infelizmente, parece já ter sido desmentida pelos autores. O que é uma pena, e um erro crasso. Será que a motivação de Patty não passa de uma vontade exacerbada de fazer justiça, de “salvar o mundo”, como ela confessou a Ray antes de este se suicidar? Se sim, então parece-me que os autores meteram o pé na argola nesta storyline, deixando a obsessão quase doentia de Patty por Frobisher sem resposta. A presença de Ted Danson ainda não está segura para a próxima temporada, o que poderá querer dizer que Frobisher morreu mesmo. Uma pena…
Mas se Frobisher foi ingénuo ao ponto de se deixar enganar por todos (incluindo pelo seu bom amigo Ray), Patty não lhe fica atrás. Ellen Parsons mostrou neste episódio o quanto cresceu, o quanto amadureceu nestes seis meses, passando de uma jovem sonhadora a uma mulher amargurada e com uma enorme sede de vingança, de honrar a memória do homem que amava. E é graças a Hollis Nye (participação de Philip Bosco) que Ellen se prepara para dar uma volta na sua vida…
Afinal, Hollis não é um dos maus da fita. Ele apropriava-se, de facto, das confidências de Ellen para as usar
contra Patty, mas a sua ligação não era com Frobisher, mas sim com o FBI. Há já muito que Patty anda a ser investigada pelos mais variados crimes e, mais uma vez, Ellen será usada por alguém para atingir uma outra pessoa: Patty fez o mesmo com ela, quando precisou de entrar em contacto com Katie (participação de Anastasia Griffith). E se, ao princípio, Ellen se recusa a cooperar, muda rapidamente de ideias ao deparar-se com uma revelação chocante. Não foram os homens de Frobisher que a tentaram atacar; foi mesmo a própria Patty, como sempre se desconfiou. Os vestígios do confronto foram apagados pelo Tio Pete (participação de Peter Aldredge), um pau para toda a obra. Ellen tem, assim, todas as motivações para fazer algo que a repugna: voltar a trabalhar com Patty. É a única maneira que tem de provar quem é o assassino de David e é a única maneira que tem de se vingar da mulher que arruinou a sua vida, para o bem e para o mal.

O episódio abre, de facto, várias portas futuras, e a maneira como é construído, usando e abusando, mais uma vez, da linha temporal dos acontecimentos, é muito interessante. Mas continua a faltar-lhe algo. É um bom episódio, a juntar à grande lista de episódios da série (vamos esquecer alguns dos episódios iniciais, especialmente o “A Regular Earl Anthony”, OK?), mas está longe de pertencer à galeria dos melhores episódios de Damages: o piloto e “I Hate These People” (dois dos melhores episódios por mim visionados neste temporada televisiva). Será que este final sem chama poderá tirar o mérito da série? Essa é a pergunta que encontrará resposta na review geral da primeira temporada de Damages, a publicar dentro de alguns dias aqui no Hotvnews. Até lá então!
IMAGENS: Spoilers France- Damages

Vencedores já anunciados!


Sexta-feira, 20 Junho 2008 ás 21:34
Mas que obsessão com uma suposta ligação entre o Frobisher e a Patty. Sinceramente, não percebo porquê. Ela é apenas uma advogada, empenhada e muitíssimo competente, que tenta apanhar o bad guy. E pronto. Digo eu. Não sei porque se suspeita tanto sobre o assunto…
De qualquer forma, muito boa review. Como todas as anteriores. Parabéns!
Sexta-feira, 20 Junho 2008 ás 23:14
Antes de mais, obrigado pelo comentário, Janito. É bom saber que não estamos a escrever para ninguém.
Eu espero bem que esta ligação entre a Patty e o Frobisher fique esclarecida de uma vez por todas na segunda temporada, mesmo que ele morra, o que é o mais provável: a última cena dele no episódio parece deixar-nos adivinhar exactamente isso.
E espero que essa relação seja muito bem fundamentada. Não me parece que aqui se trate apenas de “apanhar o bad guy”. Afinal de contas, a Patty é uma mulher traiçoeira, perigosa, sem escrúpulos, que não olha a meios para atingir os fins. Se ela quisesse mesmo fazer justiça, então teria aceite os vários acordos que foram surgindo entre as duas partes ao longo da série, e não foi isso que aconteceu. Aliás, muito pelo contrário: foram várias as situações que ela disse que o que lhe interessava mesmo era destruir o Frobisher custe o que custasse…
A história da filha dela poderia ser uma boa maneira de explicar essa obsessão, mas os autores parecem não querer entrar por aí… Veremos o que sai daqui.
Mais uma vez, muito obrigado pelo comentário.
Cumps
Sábado, 21 Junho 2008 ás 3:59
Quando visionei este último eps… Foi estranho… Esperava um pouco mais para season finale… Mas… foi tipo… pão sem sal!
Sábado, 21 Junho 2008 ás 16:14
No fundo, é também essa a minha opinião, JD.
Obrigado pelo comentário.
Cumps
Domingo, 29 Junho 2008 ás 18:01
[...] No ‘We’ Anymore” esclarece todas as dúvidas que poderíamos ter, o que faz de “Because I Know Patty” um final um tanto decepcionante, não acrescentando muito àquilo que já sabíamos e servindo mais [...]