Review: Dr. House- “House’s Head, Part 1″ (15/16)

  • Episódio: “House’s Head, Part 1″ (15/16)
  • Temporada:
  • Canal: TVI
  • Primeira transmissão em Portugal: 2 de Junho de 2008
  • Primeira transmissão nos EUA: 12 de Maio de 2008

“What’s my necklace made of? Who am I?”

House (Hugh Laurie) está num bar de strip. Contudo, e à medida que o médico vai recebendo uma lap dance de uma dançarina, vamo-nos apercebendo de que algo não bate certo. Gregory parece não saber como foi ali parar e não se recorda, pelo menos, das últimas quatro horas da sua vida, para além do facto de já se encontrar um pouco alcoolizado. O grave ferimento que tem na cabeça leva-o às mais variadas conclusões: terá sido assaltado ou será que esteve envolvido num acidente? Ao mesmo tempo que as dúvidas aumentam, a mente do médico vai sendo inundada de imagens longínquas a preto e branco, que revelam um cenário de destruição e sofrimento. House recorda-se do acidente em que esteve envolvido, e lembra-se também de que reparou nos sintomas de um dos envolvidos; essa vítima corre risco de vida. Lá fora, o caos é enorme: as vítimas de um acidente com um autocarro estão ainda a ser assistidas.

Maldita greve dos argumentistas! Já imaginaram os efeitos que este episódio teria se tivesse sido exibido a seguir ao Super Bowl, tal como estava programado? Não que “Frozen” não seja um episódio excepcional, mas este “House’s Head” promete ficar para a história da série. Fugindo um pouco da rotina em que Dr. House se deixa cair de tempos a tempos, a série mergulha, literalmente, dentro da cabeça do seu protagonista, com este a tentar descobrir quem é que sofre de determinada doença e quem é que poderá estar a morrer. Mas o que vemos vai mais além do mistério clínico da semana: o sofrimento, os medos, angústias, desejos da personagem são expostos de uma maneira como nunca antes vimos, com direito às mais diversas fantasias e alucinações.

Depois de muitos palpites e visões, House consegue descobrir a quem pertenciam os sintomas de que ele tanto se lembra: ao motorista do autocarro (participação de Henry Hayashi). Mas a que doença se referem esses sintomas? Esta componente do episódio não tem nada de novo, é apenas mais um paciente da semana. Mas a maneira como House vai chegando às suas próprias conclusões é que apresentam a grande novidade.

Sessões de hipnose com Chase (Jesse Spencer), cheirar as roupas dos passageiros, banhos especiais… Tudo serve como combustível para a viagem que iremos fazer ao subconsciente de House. Tudo isto parece ser suficiente para que se descubra que, afinal, o problema do motorista do autocarro se deve à sua mais recente visita ao dentista, tendo ficado com bolhas de ar nas gengivas. Porém, ao mesmo tempo, nada disso parece ser suficiente para colmatar a frustração e impotência do médico perante este novo desafio: o motorista não é a pessoa que House acredita estar entre a vida e a morte. Para ultrapassar esta etapa, terá de recorrer a outros métodos…

O seu vício nos mais variados tipos de comprimidos volta a ter destaque. O Vicodin é substituído por outra medicação (como comprimidos para o Alzheimer) para estimular ao máximo a sua mente. Contudo, e como seria de esperar, os efeitos secundários são catastróficos, conduzindo House a uma paragem cardíaca, mas também à meta desta viagem.

Descobrimos, finalmente, quem é a pessoa que parece fugir de Gregory durante todo o episódio. Mas pelo caminho, temos várias paragens obrigatórias que nos parecem conduzir ao desenlace final. Fazendo o paralelismo com o início do episódio, a fantasia de House com Cuddy (Lisa Edelstein) promete ficar na cabeça dos fãs do casal durante muito bom tempo: Lisa, vestida de colegial, elabora uma lap dance sensual para o seu amigo colorido. Se este não é um dos melhores momentos (de Lisa Edelstein) (n)da série, não sei qual poderá ser.

Mas esta cena, para além do facto de ser uma pequena prenda para os fãs, remete-nos para a história base do episódio: uma mulher (participação de Ivana Milicevic; Casino Royale) que, aparentemente, não se encontrava no autocarro, mas que parece não querer abandonar a cabeça de House. Se atentarmos bem nesta mulher, ela parece reunir todas as características das personagens femininas da série e que, cada uma à sua maneira, desempenha um papel fulcral na vida do protagonista. A sua voz sensual, em alguns momentos, parece-nos recordar a voz de Cameron (Jennifer Morrison); as suas feições parecem assemelhar-se às de 13 (Olivia Wilde), cujo sobrenome é Hadley; o cabelo é quase da mesma tonalidade que o de Cuddy; mas são a sua postura e adereços que sobressaem e que deixam as mais variadas indicações sobre a identidade da vítima quase mortal. Esta é uma mulher que emana segurança e controlo, que parece dominar tudo e todos por onde passa e é isso que nos faz distingui-la de todas as outras, que lhe dá uma personalidade muito própria. Para além disso, durante uma das alucinações, entrega a House uma fita vermelha, que o médico ata à volta da sua perna e que rapidamente fica encharcada em sangue, ao que se segue um diálogo, aparentemente, sem sentido. Por fim, na alucinação final e durante a sua última paragem cardíaca, House atenta no colar da misteriosa mulher, feito de âmbar…

É isso mesmo. A vítima por que House tenta desesperadamente alcançar é Amber (participação de Anne Dudek), a nossa Cutthroat Bitch. E as cenas em que voltamos atrás na história ao momento do acidente são sufocantes e arrepiantes. Confesso que chocou um pouco a maneira como Amber foi sacudida pelo embate do camião do lixo contra o autocarro; mas o que realmente choca nestas cenas é a preocupação de House em protegê-la, acabando por não o conseguir. Aliás, a ligação entre estes dois personagens é o que mais impressiona neste episódio. Por que razão estavam House e Amber, que estava a usar um laço vermelho (lembram-se da fita?), no mesmo autocarro? Por que razão tiveram os dois o diálogo que já tínhamos assistido na alucinação de House com a tal mulher, onde salta à vista uma certa cumplicidade entre os dois? Por que razão tentou House esconder de Wilson (Robert Sean Leonard), durante a sessão de hipnose, que gostaria de ver Amber sem quaisquer roupas? Será possível que o bom samaritano Wilson tenha acabado de ser traído por duas das pessoas mais importantes da sua vida?

A maneira como Greg Yaitanes (um realizador a firmar uma carreira de respeito na televisão) consegue captar todos estes sentimentos é fenomenal, servindo-se dos mais variados factores que fazem desta série uma das mais aplaudidas da actualidade: a soberba interpretação de Hugh Laurie, os efeitos especiais da série (que não desiludiram em momento algum durante esta semana) e o seu argumento tresloucado (escrito, desta vez, a cinco mãos!).

Todos estes factores (já para não falar da excelente direcção artística, da montagem e da fotografia) prometem fazer deste episódio o mais emblemático deste quarto ano da série, aquele que, daqui a alguns anos, nos virá logo à memória sempre que nos recordarmos desta série de episódios: “House’s Head” está para a quarta temporada de Dr. House assim como “Three Stories” está para a primeira, “No Reason” está para a segunda e “One Day, One Room” (pelo menos, para mim…) está para a terceira. Aliás, e já que iniciei a review referindo o Super Bowl, este “House’s Head” poderia facilmente ter em Dr. House o mesmo efeito que “It’s the End of the World” teve em Anatomia de Grey. A não ser que “Wilson’s Heart” supere este episódio, apresentando as respostas para as perguntas deixadas em aberto e as tensões criadas neste “House’s Head”.

No próximo episódio:

P.S.- Alguém reparou no cameo especial de Fred Durst como o empregado do bar durante a sessão de hipnose?

IMAGENS: Nekocat- Insane Journal

12 Respostas para “Review: Dr. House- “House’s Head, Part 1″ (15/16)”

  1. Carlos Couceiro Diz:

    BEST EPISODE EVER!

    Foi sem dúvida uma das melhores horas de televisão da temporada, e um dos melhores episódios da série, na minha opinião só fica atrás de Three Stories.

  2. Rita N. Diz:

    Sinceramente, nem sei se prefiro este ou o Three Stories.
    Adorei, sem dúvida um dos melhores episódios de sempre de House. E acabou com um excelente cliffhanger: só espero que o Wilson’s Heart mantenha a qualidade.

  3. Rikardo Diz:

    Um dos melhores da série, mas definitivamente não o melhor. Mesmo a quarta temporada teve melhores episódios que este. Whatever It Takes, Ugly, Game e Frozen, por exemplo.

    Já agora, que efeito é que It’s the End of the World teve para Grey’s Anatomy?

  4. HBelo Diz:

    Tenho que ser sincero… Não vi o episódio… Um gajo anda em exames e simplesmente não dá para ver o HOUSE à 1 da manha… MAS(sendo sincero outra vez) tenho que admitir que me recusei a ler o review toda… cheguei a meio e simplesmente parei. Porquê? POR QUERO VER ESTE EPISÓDIO… Não quero saber o fim antes de o ver… Já agora alguém sabe quando é que a FOX começa a dar os novos episodios??
    Abraço

  5. Rikardo Diz:

    A FOX só começa a dar os novos episódios, ou seja, a quinta temporada, no que eles chamam de “Fall”. Entre Setembro a Outubro.

  6. Daniel Carronha Diz:

    @Carlos Couceiro e Rita N:
    É mesmo um daqueles episódios a não esquecer.

    @Rikardo:
    Claro que cada um tem a sua opinião, mas permite-me discordar da tua. Para mim, a qualidade deste episódio está bem acima dos restantes episódios da temporada. “Frozen” anda lá perto e o episódio “97 Seconds” também é muito bom, mas todos os outros, numa escala de Muito Mau a Excelente, ficam-se por um Bom quase no Muito Bom.

    E, respondendo à tua dúvida, “It’s the End of the World” foi o episódio de Grey’s Anatomy exibido a seguir ao Super Bowl, na sua segunda temporada. Muito provavelmente, a série não teria se tornado tão popular em todo o mundo se não fosse por esse episódio: aumentou as suas audiências e colocou-a no boca de toda a gente. Acredito que se não tivesse existido a greve, este “House’s Head” poderia ter feito o mesmo por House, não obstante a actual popularidade da série.

    @HBelo:
    Aconteceu contigo e, infelizmente, deve acontecer com muitos que não conseguem acompanhar algumas séries nestes horários. Mas aconselho vivamente a ver este episódio na próxima oportunidade. É mesmo um daqueles que não se pode perder.

    E respondendo à questão, na próxima Segunda-feira, a FOX transmite o episódio “Frozen”. Muito provavelmente, só daqui a um mês é que este episódio será transmitido no canal.

    @Rikardo:
    O HBelo estava a referir-se à FOX Portugal.

    Obrigado a todos pelos comentários.
    Cumps

  7. vitoscano Diz:

    Excelente episódio melhor ou tão bom como este nesta temporada só Frozen. Na TVI ninguem consegue seguir nada que não seja de produção própria da TVI, ver o caso do filme Ronin já emitido pela TVI ao qual salvo erro foi cortado um bocado para conseguir que termina-se até as 20h, as horas que passa The Office ou mais recente de Demages cujo o último episódio não foi transmitido e não foi explicado ao público isso eu só consegui aguentar até as 2.30 da madrugada a ver se dava porque estive a ver Metalica no Rock In Rio e sei que não deu até essa hora.

  8. Review: Dr. House- “Wilson’s Heart, Part 2″ (16/16) « Hotvnews Diz:

    [...] é a conclusão ao episódio da semana passada. Todas as perguntas deixadas em aberto em “House’s Head” encontram aqui uma resolução. Por isso mesmo, e se não viu o episódio anterior, o melhor é [...]

  9. Manuel Neves Diz:

    Pode ser rebuscado, mas acho todo o episódio um sublime tributo…ao Batman. Passo a explicar: os comics do Batman que estão actualmente a sair contêm a história que promete ser a mais chocante do herói: a sua morte. O escritor – o brilhante Grant Morrison – tem feito coisas inacreditáveis desde que começou a história e ontem, ao ver o episódio de House, apercebi-me que há diversos paralelismos:
    – Para já há uma referência directa ao Batman, quando o Wilson pergunta porque é que House agora está com um doente no inconsciente.
    – Todo o episódio está relacionado com flashbacks e alucinações, o que é toda a temática do Batman RIP. Como Gregory House, Batman também se auto induz em coma.
    – A paragem cardíaca de House é decisiva para a história. Batman tem também uma paragem cardíaca que lhe permite recordar o assassino dos seus pais.
    Pode ser coincidência, mas não me parece…
    Já agora, uma achega a esta parte da review: “Por que razão tentou House esconder de Wilson (Robert Sean Leonard), durante a sessão de hipnose, que gostaria de ver Amber sem quaisquer roupas?” – Na sessão de hipnose com Chase, House vê Amber, mas Chase diz-lhe “Forget about Amber.”. Daí que em toda a alucincação e recordações a mesma não apareça.

  10. Emmys 2008: Melhores Argumento e Realização: Drama « Hotvnews Diz:

    [...] piloto de Damages nada pode fazer para o impedir, especialmente se o compararmos ainda com “House’s Head”, esse sim o mais justo vencedor da categoria. A qualidade da obra prima de Greg Yaitanes pode ser [...]

  11. Emmy 2008: Melhor Actor em Drama « Hotvnews Diz:

    [...] Laurie. “House’s Head” é o melhor episódio do ano de qualquer série, mas, após uma segunda visualização, não sei se [...]

  12. Emmy 2008: Balanço (Drama) « Hotvnews Diz:

    [...] de Argumento, já a justíssima vitória de Greg Yaitanes pela sua direcção no já clássico “House’s Head” foi um dos momentos da noite. Acredito que esta vitória e a dupla com os dois episódios finais [...]

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