Anatomia de Grey III – Review: I Am a Tree (2/25)

Episódio: I am a Tree
Temporada: 3
Canal:
RTP 2
Primeira Transmissão em Portugal (RTP 2): 20 de Maio de 2008
Primeira Transmissão nos E.U.A: 28 de Setembro de 2006

Anatomia de Grey não é só uma série sobre médicos. É uma série sobre relacionamentos, e conforme muitos já disseram aqui neste blog, é uma série onde adultos se comportam como adolescentes.

Sinceramente, não tenho contra-argumento algum para quem diz isso. Principalmente depois dos sábios ensinamentos deste último episódio. Pois, segundo Anatomia de Grey, o que se deve fazer quando o amor da sua vida morre? Bolos. O que fazer quando o nosso casamento está a ruir? Embebedar-se. E quando estamos na dúvida entre duas pessoas para namorarmos? Tira-se à sorte. Cara ou Coroa. E se as coisas não correm bem lá em casa? Dormimos no trabalho.

São estas as soluções que os nossos protagonistas da nossa série favorita tentam aplicar nos seus problemas. Óbviamente, delas é a solução, mas sinceramente, quem preferiria que fosse diferente? Eu é que não. Adoro a confusão que esses médicos todos criam nas suas próprias vidas. Senão, onde estaria o entretenimento?

Neste episódio, como casos clínicos, temos Dana Seabury (participação de Roxanne Hart) com cancro de pulmão, uma mulher que nunca fugiu às normas durante a sua vida e, por isso, decide aproveitá-la ao máximo enquanto pode. Por isso come feito uma maluca tudo o que engorda e que faz mal, brinca nos corredores do hospital e ainda namorisca com um dos internos. Também temos um paciente, Benjamin (participação de Peter Paige) com um tumor no cérebro que, como efeito colateral, fala tudo que lhe vem a cabeça. Aliás, divertidíssimo este efeito colateral da doença. Faz-nos desejar que alguns pacientes participassem em mais episódios, em vez de participarem apenas num único episódio. E também temos um rapaz, vítima de um acidente com carrinho de rolamentos, que tem um galho de uma árvore atravessada em seu abdómen. (Daí o título do episódio). E como é regra em Anatomia de Grey, não faltam paralelos entre os casos clínicos e a vida de alguns dos médicos.

Por exemplo, é preciso que Benjamin diga a Cristina (Sandra Oh) que com as sogra não se brinca, para ela começar a levar isso a sério. Que Burke (Isaiah Washington), se tiver que optar entre a sua mãe e ela, optará pela mãe. E é com o pai do rapaz da árvore que Bailey (Chandra Wilson) compreende que ela era responsável por Izzie (Katherine Heigl) e que ela poderia te-la orientado no caso de Denny, não fosse ela estar tão ocupada após o nascimento do seu filho.

Enquanto a única coisa que Izzie consegue fazer, para não ter tempo de pensar na perda que teve, é cozinhar bolos, Cristina acha que deve dar um pouco de “diversão” a Burke. Ela só não contava que os pais dele fossem aparecer naquele exacto momento. Cristina então passa a maior parte do episódio a tentar fugir das garras da Sra. Burke (participação de Diahann Carroll), sem sucesso nenhum. A mãe dele é manhosa e astuta, e não está nada errada quando diz a Cristina que o egoísmo dela combinado com o altruísmo de Burke é uma combinação condenada ao fracasso.

Coitada da Bailey! Sinceramente, acho que se ela pudesse, passaria o episódio escondida em algum buraco de tanta vergonha que os internos dela a fazem passar. Primeiro Cristina é surpreendida de roupa interior em cima de Burke pelos próprios pais dele, e todo o hospital vem a saber disso. Depois Benjamin diz na frente de todo a gente que só falta Derek(Patrick Dempsey) saltar para cima de Meredith (Ellen Pompeo), pelo modo como ele a olha! E quando ela ainda queria dar um sermão nas internas sobre comportamento, ainda descobre as cuecas de Meredith penduradas no mural do hospital! Não sei se ela engoliu a história das cuecas serem da Callie (Sara Ramirez). Mas quem acreditou ingenuamente nisso foi George (T.R. Knight), que ficou logo todo cheio de ciúmes por nunca ter visto Callie com aquelas cuecas.

Se o relacionamento da Meredith e Derek ainda não dá indícios que venha a acontecer, pelo menos uma coisa já temos certeza: o casamento dele com Addison (Kate Walsh) terminou de vez. Não é de se estranhar que tenha sido preciso Addison tomar a iniciativa de terminar tudo. Ela tem certeza que o seu marido a traí, e não vê mais sentido em lutar por um casamento que já faliu há muito tempo. Mas antes de seguir com sua vida adiante, ela prefere tirar um dia de folga no hospital e se embebedar no bar do Joe (participação de Steven W.). É incrível como a personagem dela cresceu na série, e mudou completamente a impressão que tínhamos dela. Se no início ela era a esposa malvada que tinha vindo tirar Derek de Meredith, hoje ela é a a Addison que só quer ser feliz no casamento. Ela nunca foi rude com Meredith, e até tentou ser amiga dela. Além disso, ela foi a que mais enfrentou de frente Alex (Justin Chambers), o que já ajuda a favor dela. Não posso deixar de mencionar como a Addison bêbada é divertida! Ela deveria se embebedar mais vezes!

Enquanto os fãs de Addison aumentaram consideravelmente, já existem por aí vários grupos de ódio a Meredith. Acham que ela é uma mulher azeda, que não se decide sobre sua vida amorosa. Pois eu defendo-a com unhas e dentes. Meredith é uma mulher que já passou por muito na vida. Teve uma mãe autoritária que sempre lhe disse que o seu pai a abandonou. Soube que ele começou uma nova família sem nunca a incluir nela. A mãe autoritária fica com Alzheimer e nem sequer reconhece a própria filha quando ela a vai visitar. E quando encontra o amor da sua vida, descobre de uma maneira bem infeliz que ele é casado, e que omitiu este “pequeno detalhe” dela. Fogo! Eu no lugar dela já teria enlouquecido. Mas não. Ela consegue cuidar da mãe, continuar apaixonada por este homem que lhe mentiu com todos os dentes, e, quando as coisas não correm bem, ela sempre procura algo em que se apoiar, seja um outro homem, bebidas ou amigos.

Felizmente, na maior parte das vezes, são os amigos que a confortam. E ela consegue retribuir essa ajuda infinitas vezes. Por isso acho mais do que justo que ela queira tentar ser feliz com Finn (participação de Chris O’Donnell; Batman & Robin), mesmo estando apaixonada por Derek. Acho compreensível o modo como ela foge da intimidade com os familiares. E acho que ela pode levar o tempo que ela bem entender para conseguir voltar a confiar em Derek. Por isso, discordo de quem diz que ela é chata. Ela é apenas humana.

O episódio termina com Callie a ser expulsa do hospital por Richard (James Pickens Jr.). Expulsa não é bem o termo, mas alertada por Richard que ela não pode viver no hospital. O que vale para ele também, que tem estado a dormir fora de casa, no seu escritório. E Meredith, como não consegue optar entre Finn ou Derek, e desiste da ideia de tirar cara ou coroa, decide namorar os dois ao mesmo tempo. Addison vai para um hotel e Derek visita-a para pedir-lhe desculpas pelo que ele a tem feito passar. E eis que aparece, quase nú, o Dr. Mark Sloan (participação de Eric Dane; X-Men III), ou McSteamy.

E Bailey vai finalmente falar com Izzie e pede-lhe que volte ao hospital e que peça ao chefe para voltar a trabalhar. E que já chega de bolos!

escrito por: Krista Vernoff

realizado por: Jeffrey Melman

participação especial de: Chris O’Donnell

participação de: Eric Dane, Richard Roundtree, Roxanne Hart, Peter Paige, Elizabeth Sampson, Steven W. Bailey e Diahann Carroll

No próximo episódio:

Texto de Cláudio Carneiro e Carlos Couceiro

Editado por Carlos Couceiro

Imagens: ABC

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