
- Episódio: “No More Mr. Nice Guy” (13/16)
- Temporada: 4ª
- Canal: TVI
- Primeira transmissão em Portugal: 19 de Maio de 2008
- Primeira transmissão nos EUA: 28 de Abril de 2008

As enfermeiras estão em greve, dando conta dos seus protestos à porta do hospital. Uma dessas enfermeiras, Deb (participação de Chad Morgan), é acompanhada pelo seu marido, Jeff (participação de Paul Rae). De repente, um fornecedor do hospital tenta furar a greve, para completar as suas entregas; todas as enfermeiras tentam impedi-lo de o fazer, durante quinze segundos. Durante esse tempo, o homem chega mesmo a agredir Deb, mas nada de preocupante, embora nos faça crer de que poderá ser ela a paciente da semana. De seguida, Jeff contra-ataca com a sua exacerbada simpatia, que é precedida por um colapso: temos o verdadeiro paciente da semana.
Os argumentistas não poderiam ter escolhido melhor maneira para regressarem de uma greve: começar o episódio com outra greve! Para além de ser um artifício que nos parece colocar, desde logo, dentro da vertente cómica que parece pautar o episódio de tempos a tempos, mostra-nos ainda as consequências dessa mesma greve no bom funcionamento do hospital, que é, como quem diz, a própria indústria do audiovisual norte-americano. E aqui, nos primeiros minutos a seguir aos créditos iniciais, temos uma das sequências mais interessantes do episódio (e também uma das mais bem filmadas): a azáfama nas Urgências do Hospital Universitário Princeton-Plainsboro. Por uns momentos, quase jurei que estava a ver mais um episódio de E.R., com os seus célebres longos planos que retratam o dia-a-dia num serviço de urgências. E digo isto com a melhor das intenções! Da mesma maneira que nos surge este momento, o episódio flúi de uma maneira bastante agradável.

Cameron (Jennifer Morrison), atolada de trabalho por causa de greve, é a responsável por apresentar Jeff a House (Hugh Laurie), tendo este último mostrado um grande interesse no primeiro, dada a sua incómoda simpatia. Não demora muito até que os jovens pupilos sejam ordenados a fazer os mais variados exames, baseando-se, principalmente, no facto da simpatia ser um sintoma. E a simpatia de Jeff parece ser o pontapé de saída para o verdadeiro conflito do episódio: a guerra que House e Amber (participação de Anne Dudek) levam a cabo pela custódia de Wilson (Robert Sean Leonard), a tal vertente cómica do episódio. Depois de se aconselhar junto de Chase (Jesse Spencer) -foi bonito de se ver o jogo de bowling dos dois, o médico propõe à sua ex-subordinada que planifiquem horários para que ambos possam usufruir de Wilson. Como nenhum dos três chega a uma conclusão, é Cuddy (Lisa Edelstein) quem tem uma última a palavra a dizer sobre o assunto, mas não sem antes entregar uma nova tarefa a House: fazer uma review sobre o desempenho de cada membro da equipa.

Até este momento, deparamo-nos com algo que tem sido bastante raro nesta temporada: todas as personagens principais da série (para além de House, é claro…) já estiveram na nossa companhia, com um certo propósito. E os próprios desenvolvimentos apresentados parecem interessantes q.b.: a inércia de Wilson perante mais uma fera na sua vida, a personalidade difícil de House (e Amber), a bissexualidade de 13 (Olivia Wilde) – ou “31″, se preferirem…-, os problemas matrimoniais de Taub (Peter Jacobson) que também se parecem aplicar ao casal Jeff-Deb… É esta sucessão de temas que nos leva a acreditar que estamos perante um dos episódios mais fluídos e ritmados deste ano. Até ao momento em que, ao mesmo tempo que se chega a uma conclusão sobre o estado de Jeff, Kutner (Kal Penn) faz uma nova descoberta: relacionando a simpatia de Jeff à simpatia de House, o jovem médico acredita que o seu chefe também sofre de sífilis.
Apesar de ser um twist interessante, foi aqui que comecei a perder o entusiasmo com o regresso de Dr. House. Esta já não é a primeira vez que a saúde (e vida) de House é posta em risco; já na temporada passada, todos foram levados a crer, no episódio “Half-Wit”, que House tinha um tumor no cérebro. Tal como eu previ desta vez, a storyline da DST de House acabou por ter um final semelhante ao anterior, o que me leva a pensar: será que a equipa de David Shore ficou sem ideias novas ou é apenas uma das consequências da tal greve? Seja como for, este incidente foi o responsável por unir as duas equipas, a velha e a nova, prosseguindo com outra das discussões do episódio: a teoria da evolução. Será possível House estar a perder a sua genialidade e agressividade com os tratamentos que lhe são impostos? Será possível existirem seres perfeitos? Será possível existirem pessoas puramente simpáticas como Jeff? Se House, que é House, tem este feitio apenas porque sim… E estas cenas (também das mais interessantes da semana) reavivam-nos a memória sobre outras sub-tramas aparentemente adormecidas na série: o triângulo Chase-Cameron-House e os problemas de afirmação de Foreman. Embora o primeiro caso, com a revolta de Chase perante a namorada, aparenta não chegar realmente a lado nenhum (ou será que a Cameron dormiu mesmo com o ex-chefe e nós nunca estivemos a par desse facto?!), a especial atenção dedicada a Foreman (um lembrete sobre a resistente permanência de Omar Epps na série?) vai ser um dos factores que irá confirmar as minhas suspeitas: House está de boa saúde.
Ao mesmo tempo, a relação possessiva de House e Amber sobre Wilson desenvolvia-se. As cenas entre o trio são bem conseguidas, mas o que realmente importa ressaltar é, mais uma vez, a solidão de House, e o facto de Wilson ser o seu único porto seguro até esta altura; agora que o oncologista está mais interessado em tornar a Cutthroat Bitch numa possível Mrs. Wilson, é natural que o seu melhor amigo se sinta como uma criança afectada pelo divórcio dos pais, papel esse que também foi desempenhado por Wilson nos confrontos metafóricos entre os seus pais deste episódio.

No final, descobre-se que Jeff padecia de uma doença causada pelo seu trabalho, há mais de dez anos, numa qualquer tribo. Mas assim como este parece apresentar algumas diferenças comportamentais após o diagnóstico final, coloca-se em questão se o próprio House irá algum dia mudar. Mais do que isso, nós fãs (e podem ter a certeza que eu sou um dos maiores defensores da série) perguntamo-nos se Dr. House irá algum dia deixar algumas das suas fórmulas de lado. Até quando irá House ser o Todo-Poderoso na vida deste conjunto de personagens, que, no fundo, até são iguais? Todos eles são submissos o suficiente para deixarem o protagonista fazer tudo o que deseja.

Em jeito de conclusão, foi um bom regresso da série. Um episódio prolífero em boas ideias, com um bom início, mas com um desfecho um pouco enfadonho, dando a sensação “mais do mesmo”, onde ainda houve tempo para nos recordarmos dos próprios traumas de Cuddy e descobrir que, afinal, Kutner pode ser tão ou mais eficiente que os seus companheiros. Aliás, a cada dia que passa, este novo trio é muito mais eficiente (e agradável) do que a anterior a equipa, de quem eu até gosto(/ava) bastante…
No próximo episódio:
IMAGENS: Insane Journal- Nekocat

Vencedores já anunciados!


Quarta-feira, 21 Maio 2008 ás 23:05
Gosto mais da equipa antiga. E não gostei muito deste episódio. Provavelmente o pior da temporada.
Quinta-feira, 22 Maio 2008 ás 1:13
Não gostas deste, espera pelos que estão para vir que não te vais arrepender.
Quinta-feira, 22 Maio 2008 ás 3:21
Pois é o final da temporada é muito bom.
Sobre este episodio gostei muito da batalha travada por House e Amber ,pareciam cão e gato sempre a teimar pelo que queriam.
Quinta-feira, 22 Maio 2008 ás 11:33
As enfermeiras entram em greve? Onde é que eu já vi isso…?
Quinta-feira, 22 Maio 2008 ás 16:13
@Rikardo:
Eu continuo a gostar da antiga equipa, mas existem pequenos factores que fazem com que os novos personagens tenham um desenvolvimento mais interessante. Um dia explico o porquê. E, de certa maneira, também concordo: este foi o pior episódio da temporada. Mas mesmo quando um episódio de House é mau, esse episódio é acima da média de muitas séries que por aí andam, e isso quer dizer qualquer coisa.
@vitoscano:
Cá estarei para ver isso, de certeza absoluta. Até porque os comentários sobre a recta final têm sido mais do que positivos.
@Kitt:
A batalha travada por House e Amber proporcionou mesmo alguns dos melhores momentos do episódio.
@Pipocas e Outras Tretas:
Percebo onde queres chegar com o teu comentário, mas neste caso, esta greve das enfermeiras vai buscar apenas inspiração a um único sítio: a greve dos argumentistas! Nada mais do que isso. E isso é mais do que óbvio pelos cartazes que nos são mostrados no episódio (ver primeira foto), já para não falar de que esta greve não teve tanto destaque como aquela a que te referes…
Ainda assim, se entrarmos por esse campo, penso não seja um problema tão grande, Pipocas… Com a quantidade de séries médicas no ar actualmente, é muito difícil inventar algo de novo; tudo se reinventa. E quem diz séries médicas, diz outros géneros de ficção. Não será a primeira e nem a última vez que se poderá fazer paralelismos entre séries como E.R., Scrubs, House ou Grey’s. E é legítimo que as mais recentes vão buscar inspiração às mais antigas e vice-versa.
Obrigado a todos pelos comentários.
Cumps
Terça-feira, 27 Maio 2008 ás 21:51
[...] um novo programa, mas que já não é estranho à mitologia da série: se se lembrarem da cena do episódio anterior em que toda a equipa confronta House com a possibilidade de este ter sífilis, é esta a novela que [...]