
Título original: [REC]
De: Jaume Balagueró e Paco Plaza
Escrito por: Jaume Balagueró e Luis Berdejo
Com: Manuela Velasco, Ferran Terraza e David Vert
Aproveito o excelente trabalho do meu colega Pedro Pacheco para evitar fazer o resumo e a contextualização do filme.
Mas, infelizmente, no restante terei de discordar.
É certo que [REC] coloca em jogo, com enorme perspicácia, a presença de uma câmara – televisiva, ainda para mais, num período em que o tele-voyeurismo é um “cancro social” – num prédio fechado, colocando em posição as peças de um potencial jogo de tensão.
Mas o filme acaba, afinal, por ser apenas mais um sintoma desse tele-voyeurismo, propagado agora ao cinema, como se para o público que o cinema tem agora, isto chegasse.

Não há em [REC] uma composição de personagens. A sua anonimidade ressoa bem nos propósitos (apenas) funcionais que elas servem.
Até a breve – e fundamentalmente ridícula – tentativa de capitalizar na tensão gerada por temas actuais como o pequeno racismo gerado pela emigração redundam na ideia televisiva da exploração mais insignificante e espalhafatosa da realidade.
Esta ausência de estrutura dramática é um defeito incontornável. Bastará ver Night of the Living Dead para perceber como sempre houve preocupação em compôr uma realidade palpável nos filmes deste género.

Mesmo que optemos por ignorar esta falha, na verdade não encontramos nada de substancial neste filme.
No que toca às ideias de terror, elas estão mais do que vistas, não só em outros filmes de terror, mas até numa banal Casa de Terror.
As bruscas irrupções de som e/ou luz mal conseguem gerar algum susto momentâneo, muto menos gerar uma fluência consistente (e interessante, lá está) de terror.
Acreditando que a ideia visual é suficiente para renovar as velhas ideias de como fazer terror, os realizadores forçam ao extremo essa mesma ideia, acabando o filme em modo “visão nocturna”.
Em que se traduz isto tudo? Uma forma diferente de levar o espectador a dar um “salto na cadeira” mas nem por isso mais interessante.

Se nos lembrarmos ainda do momento em que a câmara subitamente rebobina a filmagem, vale a pena ainda questionarmo-nos sobre o mecanismo.
Estaremos afinal perante o visionamento de uma gravação encontrada ou perante o tratamento despreocupado e indigente desta forma de cinema?
A conclusão é apenas uma, de que se reduziu o cinema à relidade do tratamento do media visual ao primitivismo – televisivo e caseiro – da exploração imediata e irreflectida da realidade.
Fazer disso cinema é tão limitado quanto é possível ser nestes tempos de enorme modernidade visual . Bastará ver Os Fragmentos de Tracey para compreender como essa modernidade pode servir e potenciar um filme e não o resumir a qualquer efeito de redutor mimetismo.

A verdade, tão simples quanto é possível colocá-la, é que estamos perante um filme que negligencia por completo a componente dramática do cinema, apostando na crença de que o efeito visual “inovador” será o suficiente.
E se é claramente suficiente para os espectadores, que na sua maior parte ficaram envolvidos pelo mecanismo, a verdade é que é por demais insuficiente para o cinema.
Classificação: 
PS - Desde logo, o tristemente desinspirado e limitado título deste filme demonstra bem como a ideia da obra está reduzida a uma realidade de obsessão pelo tele-realismo. Não se julga um livro pela capa ou um filme pelo título, mas neste caso seria certeiro fazê-lo.

Vencedores já anunciados!


Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 19:39
Nao podia discordar mais. Parece me a mim que deitas para cima deste filme certas criticas e frustacoes em relacao a cultura geral cinematografica, cultura essa 99% americana.
Acho uma critica injusta, provavelmente adequada ao “Quarantine” que vem ai… mas nunca a este “REC”.
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 20:16
Um dá 4,5 estrelas, este dá apenas 1… está visto que críticas é como cu,cada um tem o seu.
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 20:41
Gosto de muito do cinema americano.
Apesar da sua enorme diversidade e das suas idiossincrassias, continua a ser o mais desafiante cinema que se faz hoje em dia (e sensivelmente nas últimas três décadas).
No entanto não tenho consessões nem para o cinema americano nem para o restante. Aquilo de que falo nesta crítica é um problema que detectei num filme, independentemente da sua origem.
Um abraço!
PS – Acho curioso como já atira para cima do remake (que não viu) e que, pelo trailer, parece ser um remake feito plano a plano, um problema que detectei neste filme.
Se se confirmar que os filmes são sensivelmente iguais, gostarei de saber se afinal são ambos obras-primas ou se, pelo contrário, é seu o preconceito contra a cultura americana do remake.
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 20:45
DaniHell, tem toda a razão, as críticas são exercícios de individualismo.
Ainda bem que o compreende e espero, acima de tudo, que veja o filme para gerar a sua própria opinião.
Um abraço!
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 21:40
Nao Carlos, porque sendo um uma obra prima (nao estou a dizer que e), o outro nao tem merito nenhum por ser uma copia exacta…
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 21:53
Tens razão, a forma como coloquei a questão de serem ambos obras-primas foi errada.
Reformulo-a.
Se o segundo filme for a cópia deste, então os problemas deverão ser os mesmos, correcto?
Ou só o remake é que terá falta de estrutura dramática, falta de composição de personagens…
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 22:06
Eu percebo donde vem a tua pergunta em relacao aquilo que eu disse, mas agora faco te outra…
Sera que podemos por no mesmo patamar e comparar um filme que surgiu dos meios e com a origem de “REC” com outro que vem da industria mais bem preparada do mundo? Ves os dois com os mesmo olhos?
Eu nunca considerei o “REC” um grande filme, mas achei fiquei surpreso comigo por querer ver um filme espanhol, nao ter legendas e nao querer saber, de o escolher entre outros potencialmente melhores e ainda ter gostado bastante… uma estrela doi um bocado, lol
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 22:38
Pior review de sempre, discordo com 99% das palavras. O filme está simplesmente brutal e consegue atingir em pleno o objectivo a que se propõe.
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 23:18
Claro que o foco principal foi a forma como é filmado. E claro que muito do seu mérito vem daí. Mas acho exagerado dizer que o filme é desinspirado, logo a começar pelo título- afinal, não haveria melhor título para o filme.. ou havia? Além de nos remeter para a forma como é filmado, oculta também o assunto que trata – a maioria dos filmes de zombies têm isso chapado no título!
A cena final está filmada em modo nocturno, sim… e graças a isso gerou um dos momentos mais tensos que já experimentei num filme de terror. O facto de ter sido filmado como uma reportagem coloca-nos ao lado das personagens, no meio do caos – e creio não ter sido inocente a forma repentina como nos lançam à “boca do leão” – toda a confusão provocada pelo ataque inicial só contribui para a componente dramática do filme – que você tanto diz que ele negligenciou.
As personagens, é claro, não têm muito desenvolvimento. Será isso um defeito? Eu, pessoalmente, adorei a Angela e não foi preciso meia-hora de introdução antes das cenas de terror para eu compor a personagem – não, à medida que o filme avança, vamos percebendo que tipo de jornalista ela é, a partir das suas acções. Qualquer tentativa de desenvolver ainda mais os restantes poderia muito bem mexer com a estrutura do filme e quebrar o ritmo da acção. Está bom como está.
Como vê, só elogios a fazer ao filme. É claro que, lá para o fim, não gostei da segunda explicação para a doença, achei descabida. E sim, tem uma estrutura simples, talvez demais. Mas temos um dos melhores filmes de terror dos últimos anos entre mãos – pelo menos, um dos poucos que revia vezes sem conta e que me conseguiu assustar verdadeiramente em algumas cenas: coisa que muitos denominados de “obra-prima” nem conseguem.
Cumprimentos
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 23:39
Eu não sei é como é que ainda se dão ao trabalho de comentar uma crítica…
E também não sei porque chamam crítica a uma opinião pessoal, como se fosse uma coisa oficial…
Se a vossa opinião for de acordo com a do “crítico”, “Boa crítica”. Senão, discordam logo da crítica do rapaz e isto e aquilo…
Pah, boa crítica no sentido do texto estar bom. Quanto à opinião, a meu ver, é errada. Errada porque eu gostei do filme. Se não tivesse gostado, estava de acordo com ela.
Mas isto é mesmo como já foi dito. Cada um tem a sua e o resto é conversa.
Quinta-feira, 1 Maio 2008 ás 23:57
Olá,
Eu gostei muito do filme. Como exercício de terror, e não de cinema, considero-o bem feito. E na verdade não uso muita ciência para isso. Simplesmente pergunto-me se o filme conseguiu deixar-me assustado. Se a resposta for sim, acho que o filme alcançou seu objectivo. Filmes de terror bons são escassos actualmente. E destes excluo o filmes Gore, que só servem para impressionar e mais nada.
Mas eu daria 3 estrelas ao REC. Por que? Bem, porque irritou-me muito o modo como os personagens funcionam ao longo do filme. Se o contagio ocorre por contacto, então eu me trancaria em um dos apartamentos e de lá não sairia até ter certeza de quem me batesse a porta pudesse cantar o refrão da música AZEREJE (Aserejé, ja deje dejebe tudejebe de sebiunouva majabi an de bugui an de buididipí)
E já agora irrita-me profundamente a velocidade que os remakes são feitos. Nem um ano passa e já existe um remake. Independente de QUARANTINE ser tão bom quanto REC, fica a pergunta. Havia necessidade?
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 1:30
Eu por acaso concordo sempre com a tua opinião sobre os filmes e até já fui ver filmes porque a tua opinião me deixou curiosa… Mas neste [REC] tenho de discordar e pergunto-me até que ponto não estarias tu com expectativas demasiado elevadas em relação ao filme…
Sim, as personagens não são particularmente desenvolvidas, mas o filme é passado praticamente em tempo real! Quanto ficas a conhecer de alguém passando 1.25h com el@?
Quanto à parte do filme em que a cassete é rebobinada… Na minha opinião, passível de erro, o filme pretende mostrar-nos EXACTAMENTE o que o cameraman vê quando tem a câmara ligada. Não foi uma cassete encontrada, não foi um vídeo gravado, nada. Simplesmente, temos acesso a toda a imagem que o camaraman está a filmar e, mais importante, a ver, à acção que está a presenciar e quando lhe dá para ver outras coisas, a gente vê-as também. Se o senhor lá tivesse a festa de aniversário da filha, era com isso que a gente levava. Esta foi a conclusão que retirei, dado o contexto do filme.
No que diz respeito ao enquadramento com as pessoas do prédio, achei engraçado. Fui a Barcelona há pouco tempo e basicamente senti-me em Lisboa. Na altura em que vi o [REC], aquela realidade também me pareceu muito próxima da portuguesa. Os velhinhos a discutirem, os espanhóis de raiz a culparem os chineses (aqui atirar-se-iam as culpas para outros imigrantes, não é?). Achei que era uma boa aposta da argumentação/realização. Porque quanto mais próximo se sente o espectador das pessos que vê no ecrã, mais à superfície da pele ficam as emoções.
Fora isso, eu nunca me assustei com filme nenhum (tirando com o Saw I e não foi bem assustar… foi mais ganhar trauma ao boneco)… E o [REC] fez-me fazer umas figurinhas muito tristes no cinema. =P
De qualquer das formas, crítica muito bem escrita, como sempre. =) É sempre bom passear no Hotvnews e dar de caras com textos teus para ler. ^^
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 1:31
Não poderia discordar mais desta opinião. Acho que a maneira como o filme é realizado e toda a sua forma são um meio de transmitir melhor a sua mensagem enquanto filme de terror: Assustar
Acho que a luminosidade, as falhas propositadas, os sons… tudo isso faz parte deste género de filme e é muito bem conseguido com REC
Já agora, não vejo nada de desinteressante no título.
Quanto à critica, alguem aqui disse que a comentar a critica é comentar o texto pois quero dizer que não o acho o texto muito adequado. Escrever e falar bem é escrever de forma simples e muito boa. Com o devido respeito para com o autor deste texto acho que a linguagem é demasiadamente elaborada e quase que temos que ler algumas frases 2/3 vezes para perceber o que se quer dizer. Tomemos como exemplo o quarto paragrafo onde não se avista uma virgula. Na minha opinião um texto de critica tem que ser bastante compreensivel.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 4:37
Nem perco tempo a ler reviews do Carlos Antunes. É um indíviduo claramente com a pdm e que já devia ter sido corrido pela adm deste blog há mt mt tempo.
O resto é conversa.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 9:34
Os ânimos aqui estão demasiado exaltados, por algo que é simplesmente uma questão de opinião. Eu ainda não vi o filme, provavelmente verei agora no fim da semana ou para a próxima e aí, talvez escreverei uma review e posso ter uma opinião totalmente diferente do Carlos e do Pedro…
Amigos, sejamos democráticos… e não exageremos nos comentários.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 11:45
Discordo a 100% uma vez que á anos que eu não via um bom filme de terror, acho que o ultimo minimamente decente foi The Ring, mas na sua versão original do oriente, não o remake e a maioria do terror americano da mais vontade de rir que medo. Uma coisa como se pode como tu dizes dar a conhecer realmente as personagens, se mal chegamos ao prédio o terror começa logo, não dá tempo de aprofundamentos e ai é que está a piada da coisa. E ainda bem que só temos relação mais proxima com a reporter pois não se trata de uma reportagem já pronta como costuma-mos ver, mas sim da feitura de uma, dai ser assim. O titulo para mim funciona na perfeição não estou a ver outro. O remake acho completamente desnecessário.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 11:59
Concordo, em parte, com o Carlos. Há no filme muita coisa já muito batida. Há situações no argumento que “não colam” e em termos de sustos, estamos falados. Basta perceber um pouco de cinema (e de planos de realização) para se antever com grande eficácia os sustos. Para mim, não é tau mau como o Carlos dá a entender, nem tão bom como o Pedro escreveu.
PS: Deixem de “bater nas pessoas” só porque não concordam com elas.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:25
Podemos sim, Eduardo.
Queira-se ou não, a estrutura narrativa do cinema mundial tem origem no cinema americano.
A diferença de meios – que é aqui uma ilusão, afinal de contas não terá o budget deste filme sido enorme para os padrões espanhóis mais comuns? – não implica qualquer diferença de qualidade.
Bastará ver os movimentos do cinema italiano na década de 1950, do cinema francês na década de 1960 e do cinema americano da década de 1970. Algum do melhor e mais barato cinema se produziu nesses períodos.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:27
Joao, a discordância com uma crítica não a torna má.
Se a crítica for bem escrita, mesmo que eu discorde dela (caso da do Pedro Pacheco, por exemplo), tenho-a em conta.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:29
Pipocas e Outras Tretas, obrigado pela tua resposta bem pensada e que contribui para a discussão do filme.
Não responderei novamente porque acredito que já disse tudo o que tinha a dizer.
Um abraço!
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:32
Agradeço também os comentários de Mini0n, Carneiro,
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:34
Obrigado pelo apontamento Ana, de facto nesse parágrafo devia haver ali uma vírgula que deixei cair ao passar o texto para o computador.
Tentarei melhorar daqui para a frente, sendo que esse até é um “defeito” que me é apontado pela primeira pessoa a quem dou a ler os textos e que tem resultado em muitas correcções até hoje.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:35
MJNuts, agradeço o voto de confiança e ainda bem que, umas vezes pelo que escrevo e outras contra o que escrevo continues sempre a ver cinema.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:39
Nuts, fará o favor de dirigir as suas queixas ao email Hotvnews@sapo.pt expondo o seu desagrado com o meu trabalho.
Se a administração assim decidir, obviamente me pedirá para sair, o que aceitarei com o mesmo respeito por eles com que eles me aceitaram aqui.
Sei, no entanto, do meu valor e de como fui – senão sempre, pelo menos em alguns períodos – uma mais valia, pelo que não receio qualquer decisão.
Receio, sim, poder um dia descer ao seu nível no que toca às respostas a uma pessoa que está a tentar fazer uma trabalho amador e não pago em favor dos leitores.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 12:49
Agradeço ao Tiao e ao Pedro o apaziguamento para o qual me parece faltar algum tacto.
Aproveito ainda para fazer ver a quem quiser se dar a esse trabalho que tenho, ao longo do meu trabalho aqui, sujeitado-me a muitos comentários como estes aqui, feitos de raiva perante a possibilidade de haver alguém que não goste de um filme que as pessoas idolatram.
No entanto, nos filmes em que as pessoas não estão interessadas em ver, produza uma crítica positiva ou negativa, não tenho qualquer feedback.
Parece-me um sintoma grave da falta de vontade dos espectadores actuais, mais interessados em produtos de marketing (directo ou indirecto) do que no cinema propriamente dito.
Parece-me, também, sintoma de algo mais grave: a exigência ao “crítico” de um código de conduta que deixe imaculado o filme de que o público gosta ao mesmo tempo que o público recusa tal código de conduta para si mesmo.
Já agora, faço ver que “A Crítica” e “O Público” são duas entidades que não existem na realidade, muito menos separadas entre si (antes de ser crítico sou espectador, enquanto o público, mesmo o que não edita o seu texto, não deixa de ser crítico).
Crítica e Público são tão diversificadas no seu âmago que não podem ser reduzidas a qualquer ideia como O público gosta e a crítica não.
Quando todos aceitarmos isto, aceitaremos a beleza e a diversidade do próprio cinema.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 13:05
Mas é que não te enxergas mesmo! Olhem só para a humildade desta auto-coroada mais-valia do blog. LOL Dão-te aqui espaço para escrever reviews (muitas vezes quase em exclusividade, até parecendo que não há mais ninguém que vê filmes) e tu já te julgas o herói do espaço LOL
Não perco mais tempo contigo. És ridículo. Se és amador ou profissional, remunerado ou não, isso a mim não me interessa. Não sabes fazer críticas aos filmes que assistes e isso é tudo o que preciso de saber para ignorar por completo o que escreves. E, repito, já devias ter sido dispensado, ou, no mínimo terem convidado mais pessoas para fazer reviews para passarmos a ter algumas apreciações de jeito aos filmes.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 13:11
Nuts, eu não escrevo em exclusividade, muito menos tiro o lugar seja a quem for.
Eu tento escrever sobre todos os filmes que vou ver ao cinema que são muitos, para qualquer padrão.
Faço-o por amor ao cinema e se digo que fui uma mais-valia, digo-o por o achar e respeito que tu não o aches.
Já te pedi que dirijas as tuas críticas directamente ao email do blog (ao qual nem tenho acesso, descanso-te desde já).
Desde que o faças com honestidade e bom senso, certamente que elas serão atendidas.
No entanto gostava de perguntar se tu, por acaso, já arriscaste responder a um casting deste blog ou escrever uma crítica como autor convidado?
Criticar é fácil, fazer algo para melhorar o blog de que usufruis já é mais difícil.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 13:13
Já agora, não posso deixar de pôr em causa a sua coerência.
Se não lê as minhas críticas, porque comentou esta?
Leu-a, leu sequer alguma crítica recente? Ou fala somente baseando-se numa ideia preconcebida?
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 13:49
Nuts, pára de ver filmes e séries demasiado comerciais, se não os teus neurónios fritam e num ano apenas (ou menos) passas a gostar das novelas da TVI (se é que já não gostas) e a achar coerente que uma personagem seja substituída por outra mais alta e mais magra (se é que já não achas).
Eu não gosto de filmes de terror (à excepção das paródias e de Shaun of The Dead), portanto este filme não está na minha wishlist. No entanto, cito o DaniHell lá em cima, que, ao que me parece, é dos poucos que está aqui que tem razão.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 14:21
Realmente não percebo qual é a polémica. O Carlos Antunes não gostou do filme e pronto. Manifestou a sua opinião, que é para isso que é convidado, seja ela positiva ou negativa. Não temos todos de gostar dos mesmos filmes e, se assim fosse, isto seria uma verdadeira seca. Quando passamos aos ataques pessoais é que já não é bonito.~
Eu não vi o filme e, portanto, não me posso manisfestar acerca do mesmo. Pesquisei algumas criticas feitas ao filme e verifiquei que o Carlos não é o único a atribuir-lhe pontos negativos.
João Lopes no Diário de Notícias – “O ponto de partida é sugestivo, mas o filme pouco mais tem para dar. Estamos perante variações retóricas sobre o dispositivo de O PROJECTO BLAIR WITCH”
Jorge Mourinha no Público – Na linhagem do “Projecto Blair Witch” e de “Nome de Código: Cloverfield”, “Rec” desenha-se como um “diário filmado” em video digital: no caso, uma equipa de reportagem televisiva que acompanha a noite de um quartel de bombeiros de Barcelona dá por si isolada do mundo num prédio colocado de quarentena devido ao que parece ser um vírus contagioso. Claro que o “virus contagioso” é um eufemismo para “zombies que andam por aí a dar dentadas” (em alguns casos muito gráficas), e claro que o filme é o registo da cassete que o câmara gravou ao longo da noite. Mas falta entusiasmo e empenho a “Rec”, que tomba demasiado depressa na chapaquatro do lugar-comum do filme-deterror-com-o-elenco-todo-fechado-à-espera-de-ser-comido com a displicência preguiçosa de quem não está para se chatear muito e acha que o dispositivo chega para dar a volta à coisa, sublinhada pelo despropositado histerismo de comboio-fantasma da última meia hora. Foram precisos dois realizadores e três argumentistas para isto? E isto não só vence o Fantasporto como anda a ser considerado um dos melhores filmes de terror recentes e já está a ser refeito nos EUA?
Ricardo Marques no Cinema 2000 – Perante o consenso generalizado no PORTALCINEMA acerca deste REC, não podia deixar de lançar uma outra voz para contrapor o que tem sido dito. Não me assumo, de todo, como voz da razão, ou A VOZ, mas não posso deixar passar este filme sem apresentar a minha opinião, já que, e mérito seja dado aos realizadores espanhóis, REC parece mesmo ter-se assumido como um bom exemplo da nova força do cinema espanhol em particular e europeu em geral. A ideia por trás do filme é interessante… a prática, essa, falha totalmente.
REC lança-nos de imediato para o interior do “filme”, apresentando-nos à partida todos os elementos que o caracterizarão. Ficamos a conhecer Ângela Vidal (Manuela Velasco), uma repórter do programa nocturno de uma tv local, “Enquanto dorme”, que costuma acompanhar profissionais que trabalham de noite. As primeiras imagens mostram bem o carácter de Ângela – uma jornalista com recursos, simpática e que conhece bem o meio em que trabalha. A juntar a isso, temos também o registo que dominará todo o filme. A câmara apodera-se da acção, chama precisamente a nossa atenção para o seu poder de mostrar/esconder imagens. Apenas teremos acesso àquilo que a câmara quer, ou pode, filmar. A restante “história” é já conhecida (ler crítica de Rui Madureira).
REC tem a seu favor a emergência recente – e o apelo constante – dos chamados filmes “com câmara na mão”. Sub-género do terror criado para The Blair Witch Project e ressuscitado recentemente com Cloverfield ou Diary of the Dead, tem indiscutivelmente a sua força. No entanto, traz consigo as maiores fraquezas. Se mal trabalhado narrativamente cai no ridículo, perde a sua força enquanto obra cinematográfica. Isto é, precisamente, o que faz com que, na minha modesta opinião, REC falhe. Se recuperarmos o já clássico Blair Witch, vemos claramente a razão pela qual perdurou e influenciou muitos outros registos. Há, no filme dos anos 1990, uma clara preocupação com a coerência do argumento, com a dimensão subjectiva da realização… em REC, nada disso acontece. Não querendo bater muito na tecla da unidimensionalidade das personagens de REC, há que considerar que de facto falta algo a este filme. A filmagem estilo reportagem exige um argumento que se preocupe com a perspectiva das personagens – já que são elas o veiculo que nos dá acesso ao que vemos – e com a resolução do conflito na tela e destino dessas personagens. A câmara é uma personagem nestes filmes, não tendo vida própria, vive das suas personagens, vive daquilo que nos deixa ver e daquilo que esconde. De certa forma, a câmara aproxima o filme do registo histórico. Ela chama a nossa atenção para o instrumento (medium), para a técnica (recupero aqui Hitchcock e a forma como conscientemente atraía a nossa atenção para a forma como manuseava a câmara), portanto deixa bem no centro de tudo a preocupação central com o destino a dar a tudo isso. REC tenta fazer isso – são vários os momentos em que a câmara é desligada e com isso perdemos o que se passa –, mas acaba por falhar ao terminar sem uma resolução para essa mesma câmara (quem teve acesso às imagens para que as pudéssemos ver? O que aconteceu naquela sótão depois daqueles eventos para que podessemos ter acesso à reportagem de Ângela e Pablo?). E será precisamente ai que reside aquela que para mim é a maior falha do filme – a falta de coerência da narrativa. REC parte, como já disse, de uma boa premissa, mas perde-se a si próprio enquanto produto de uma filmagem. Sendo uma reportagem, toda a película a que assistimos é fruto de um dado momento. Como poderíamos então ter acesso àquelas filmagens com um final daquela natureza? Sei que esta é uma questão pouco importante para muitos cinéfilos fãs de filmes de terror (como eu sou), mas deita por terra toda a seriedade do filme. Com isto, fica uma outra questão que constantemente me vem à cabeça quando perante algumas criticas em torno dos filmes de terror: por que razão é que um filme de terror não tem de ter dimensão narrativa, aliada ao medo essencial que o caracteriza? Por que razão um filme de terror não pode entrar para a categoria de “obra de arte”? Este é, parece-me, um preconceito que está sempre por trás de qualquer consideração critica de um filme deste género. E lamento por isso. Será, talvez, essa razão que me leva também a condenar este REC. É certo que, enquanto produto do cinema europeu, me deixa satisfeito, já que fica provado que mesmo dentro de um género “blockbusterizado” como este a Europa consegue fazer igual ao cinema de Hollywood. Esperaria, no entanto, melhor. Uma dimensão mais artística para um género em que a Europa tem tão bons praticantes. Os filmes de Dario Argento são, em muito, exemplo dessa combinação perfeita entre medo/tensão essencial e profundidade narrativa e artística. Ao que parece, até os próprios realizadores pretendem esquecer de imediato este seu filme… o remake americano com as suas assinaturas vem aí: Quarentine de seu nome.
Melhor: Fica demonstrada a vitalidade comercial do cinema europeu e as ideias fantásticas que estão em Espanha, bem à espera de Hollywood. De destacar também o arrojo do cinema europeu (cenas com a “velha” e com a criança… impensável em Hollywood). Pior: Descontrolo total da dimensão subjectiva do filme e das suas personagens
Estes senhores, gostemos ou não das suas opiniões, merecem alguma credibilidade.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 14:33
Por favor, esta é apenas uma visão do filme com a qual eu não concordo, mas é tão válida como outra qualquer. Tenho muitos amigos que gostam dos filmes Saw e eu não e qual o problema disso, eu não vejo nenhum. O cinema tambem têm de puxar pelo nosso neuronio se não, passamos a vida a ver coisas como o Sozinho em Casa que são boas, mas não nos fazem evoluir nada. Aliás o povo português não quer evoluir basta ver que em Março só a TVI aumentou a cota de audiências e as outras baixaram. O povo tuga quer andar no seu carro topo de gama ou não que a vida está difícil, a ouvir a RFM ou a RR, a comprar o jornal Correio da Manhã ou o 24h, a Caras, Lux e afins e ao chegar a casa ver a TVI isto é novelas e futebol e excpcionalmente mudar o canal para ver CSI Miami e quanto mais vezes melhor e repetido de preferência.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 15:13
Duarte tens razao, mas por outro lado isto e um blog. O proposito dos blogs e juntar opinioes e dar oportunidade as pessoas para interagirem com os que escrevem.
Eu nunca fui conta a review Carlos, eu respeito plenamente a opiniao dele, quanto muito contesto certas coisas que foram escritas por ele, que nao sao opinioes mas mais afirmacoes. Nao vejo mal em contestar isso.
E claro que outros comentarios aqui, totalmente despreziveis.
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 16:15
Caramba… Um pouco de respeito pelo autor desta crítica… Eu também sou um daqueles que não concorda com a opinião do Carlos Antunes, mas podemos ao menos manter um certo nível de decência e respeito, não?
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 16:22
Eduardo, as afirmações que faço são sempre opiniões que expresso.
Seria impossível estar a cada momento a dizer “Eu penso que”.
Julgo que isso tem de ser entendido desde logo quando se está perante uma crítica!
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 20:14
Carlos eu sei, mas so estava a tentar explicar a diferenca entre comentar uma frase como “Eu nao gostei do filme” e outra como “Fazer disso cinema é tão limitado quanto é possível ser nestes tempos de enorme modernidade visual .”
Uma e uma opiniao, outra e uma afirmacao e a segunda podera ser discutida…
Sexta-feira, 2 Maio 2008 ás 23:08
Mas afinal qe idd e qe vcs tods tem ? Pu amor de Deus eu devo ser a mais nova qe ta aqi e tenho algum juizo ! Estao a discutir pu causa duma opiniao ? E qe e mm isso: uma opiniao ! Opinioes e gostos nao se discutem ! Se o senhor Carlos nao gostou do filme, entao azar ! Gastou dinheiro no bilhete pa ver uma treta [segundo ele !].
Pu amor de Deus !! Gostaram do filme ? Perfeito ! Inda bem pa voces ! Nao gostaram ? Pa ”caguem” ! [desculpem la !] Certamente qe quando for ver o filme hei-de gtr dele ou odia.l ! E sera essa a mh opiniao, e qero la saber qem discorde dela !
Adios ! *
Sábado, 3 Maio 2008 ás 13:49
Rafa, da poxima fala potugues pá!
Sábado, 3 Maio 2008 ás 14:59
Ups.. XD
Eu falei portugues… foi e cm abreviaturas ! –’
Sábado, 3 Maio 2008 ás 15:37
Demasiadas abreviaturas para um comentário. Isto não é um SMS!
Domingo, 4 Maio 2008 ás 0:01
gand filme!!!!!!
Terça-feira, 13 Maio 2008 ás 17:45
Acabei de ver o filme.
De facto, foi talvez, ou tendo melhor a certeza, o filme que mais me “tocou”. Não resisti em deixar expressa a minha opinião. Não concordo com Carlos Antunes, ou melhor, penso que a crítica foi muito forte para o filme que se trata. Até já vi o Making Off e penso que no final a plateia de amantes dos filme de terror apreciam bastante este filme, incluo-me neste grupo pois sou muito exigente no que toca aos filmes de terror. Dai´, deixemo-nos de pormenores ou falhas técnicas ou de comparar este filme com outros e por aí adiante e assumamos uma posição em que adoptemos de certo modo o chamado “véu da ignorância” esquecendo-nos da nossa posição,preferências e até mesmo certos “conceitos” e estejamos mais receptivos admitindo que este filme não merece UMA só estrela (extremamente exagerado) mas pelo menos uma boa crítica.
É claro que como gostei do filme diria que é “dos tais que vale a pena ver”.
E acrescento ainda que não quero invalidar outras opiniões,etc, mas sim um pouco mais de honestidade e relax… Enjoy*
Não é por isso que vamos ser ovelhinhas ou deixar-nos levar pela maioria
Concordo em que mantenhamos todos Por Favor um certo nível de decencia e respeito. Elementar meus caros* Cya