“I love you. I’ll wait for you. Come back. Come back to me.”


Os primeiros minutos de “Atonement prenderam-me imediatamente a atenção, numa dança de sons estridentes e passos calculados de uma jovem de olhos azuis, que percorre os corredores de uma casa profundamente inglesa, numa marcha sem mácula, sem desvios, sincronizada no espaço. A partir deste momento, nunca mais os meus olhos largaram a tela do cinema, rendendo-se por completo ao belíssimo argumento, que tendia em oscilar entre recuos e avanços numa narrativa que teve sempre dois olhares – a visão da realidade dos factos e a percepção dos olhos estranhamente penetrantes de Briony (Saoirse Ronan). A fecunda e doentia imaginação desta desencadeará um infortúnio sem retrocesso nas vidas dos fiéis
amantes Cee (Keira Knightley) e Robbie (James McAvoy), bem como um conjunto de acontecimentos, que fazem de Atonement um melodrama de enorme amplitude, onde o amor e a tragédia se fundem e confundem, e onde se tenta em vão expiar a dor e a culpa, tempos antes cometidas. O destino mostrou-se cruel para todos…
São os subtis e assertivos movimentos de câmara que assumem, na minha opinião, a primazia deste filme, sendo talvez por isso que certos momentos ganham uma arrebatada comoção, que perpassam a barreira da perfeição cinematográfica.
Tratam-se na verdade de imagens de excelência, que teimam felizmente em persistir na minha memória, entre eles a discussão junto à fonte do jardim (que despoletou a principal trama do filme e mostrou como o mesmo acontecimento pode ter duas interpretações, quando vista através de diferentes pontos de vista) o encontro sofrido de Cee e Robbie no salão e chá (já ela enfermeira e ele soldado forçado a uma guerra com a qual não se identificava, mas onde tenta recuperar a sua alma) e a consequente despedida junto ao autocarro.

Importa referir igualmente o cenário de guerra, onde Robbie expia os seus medos, aquando a retirada de Dunquerque, revelando-se planos de uma excelente qualidade fotográfica. O realizador Joe Wright transporta efectivamente para a tela momentos de intensa comoção, que transcendem a tela e explodem aos nossos olhos em silêncios implícitos, sem necessidade de recorrer a palavras que até podiam não estar nos lugares certos.

As interpretações de Keira Knightley e de James McAvoy são de facto notáveis, mas devo dizer que Saoirse Ronan, apesar dos seus ainda 13 anos, indicia, desde já, uma carreira promissora nos palcos da sétima arte. Nunca esquecerei a expressão dos seus lindos olhos azuis e a contenção emotiva que exibiu de forma coerente, sem quaisquer vacilações!
A história continuou efectivamente, tão somente através de Briony, que expiou a sua mágoa da forma que melhor conhecia – através da criação literária. Vanessa Redgrave assume a envelhecida menina dos olhos azuis de forma primorosa, como se pode comprovar neste pequeno excerto.

Atonement recebeu sete nomeações para os óscares, entre eles o de melhor filme, melhor actriz secundária (Saoirse Ronan), melhor argumento adaptado (Christopher Hampton), melhor direcção artística, melhor fotografia, melhor guarda-Roupa e melhor banda sonora original (Dario Marianelli). O dia 24 de Fevereiro dar-nos-á o resultado, que espero positivo para “Atonement”.Restam os sons das teclas da máquina de escrever…
género: Drama, Romance, Guerra
título: Atonement 2007
de: Joe Wright
escrito por: Ian McEwan (obra literária), Christopher Hampton
com: James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garai, Brenda Blethyn e Vanessa Redgrave
Texto de Carla Sousa
Editado por Carla Sousa
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Cumprimentos,
Carlos Couceiro

Vencedores já anunciados!


Quinta-Feira, 14 Fevereiro 2008 às 14:38
Concordo, excelente filme dos melhores do ano, mas continua a achar que falta qualquer coisa, por muito pequena que seja para ser uma obra prima, está para ai a 90%.
Quinta-Feira, 14 Fevereiro 2008 às 22:40
Já tinhamos saudades das tuas reviews, Carla
Por acaso tenho alguma curiosidade de ver este filme… Será pela Keira?
Quinta-Feira, 14 Fevereiro 2008 às 23:52
Bem-vinda temporariamente, Carla!
É, realmente, um belo filme e concordo com vários pontos da review. O elenco é maravilhoso, a realização e toda a produção não desiludem e tem uma banda sonora que retrata muito bem o drama por que estas personagens passam, especialmente a Briony. Contudo, concordo também com o comentário do Vitoscano: falta qualquer coisa ao filme. Acho que o guião do Christopher Hampton tem um certo “medo” em aprofundar algumas cenas, deixando algumas histórias por explorar. Não põe o resto do filme em causa, mas também podia ter sido melhor trabalhado.
Como sempre, óptima review.
Sexta-feira, 15 Fevereiro 2008 às 1:50
achei o filme, no fundo, uma desilusao, ainda mais agravada pelo facto de que podia ser um excelente filme. isto deve-se essencialmente às morosas e descontextualizadas de guerra e em que a Briony é enfermeira. Excelentemente realizadas (um take de aproximadamente 10 minutos), perfeitamente actuadas por James McAvoy e com uma fotografia espantosa; infelizmente, o impacto da cena final com vanessa redgrave é significativamente diminuido pelo facto de o filme mudar de rumo a meio e voltar no fim. tive pena, gostava que o filme tivesse sido menos visual e mais caracterizante nessa parte do meio, porque poderia ter um impacto estrondoso se a audiência se mantivesse “na onda” do enredo. de 0 a 20, dou 18 à primeira parte e 10 à segunda (com uns pozinhos para a brilhante, apesar de breve, última cena com a sempre brilhante vanessa redgrave)