Review – Irmãos e Irmãs – “Favourite Son” (22/23) e “Matriarchy” (23/23)

  • Episódios: “Favourite Son” (22/23) e “Matriarchy” (23/23)
  • Temporada: 1ª Temporada
  • Canal: RTP2
  • Primeira exibição em Portugal: 17 de Agosto de 2007
  • Primeira exibição nos EUA: 13 de Maio e 20 de Maio de 2007

Antes de mais nada, quero pedir imensas desculpas pelo atraso (mais de um mês!) na publicação destas reviews. A verdade, é que a Carla Sousa teve de suspender as suas actividades aqui no blog, e, durante as últimas semanas, também não tive o tempo e disponibilidade necessárias para trazer até vós estes textos. Mais uma vez, peço desculpa. Mas, e como mais vale tarde do que nunca, eis as reviews dos dois últimos episódios da primeira temporada de Irmãos e Irmãs!

Se existem episódios que podem ser resumidos em apenas uma review, são estes dois episódios da série: “Favourite Son” tem tanto de dramático (atrevo-me mesmo a dizer melodramático) como “Matriarchy” tem de leve e divertido. Num encontramos um ambiente excessivamente pesado, enquanto que no outro encontramos um excessivamente leve. Por isso, acredito que uma mistura entre os dois e não sobrecarregar tanto um como outro com determinado género poderia ter feito esta recta final da temporada um pouco melhor. Mas isso, fica para a review geral da temporada, a ser publicada em breve. Por agora, fiquemo-nos por estes episódios.

Em “Favourite Son”, é apresentada uma conclusão para a história deixada em aberto no episódio anterior: Julia (Sarah Jane Morris) entrou em trabalho de parto permaturamente. A mulher de Tommy (Balthazar Getty) e os seus dois filhos conseguem sobreviver ao parto, dando indicação aos Walker (que mostraram, mais uma vez, o verdadeiro significado de família) de que tudo correria pelo melhor. Mas as coisas não se mantiveram assim durante muito tempo: Julia e Tommy vêem o seu mundo desabar quando a médica lhes informa de que o seu filho, William (em homenagem ao avô) tem um grave problema nos rins. Contudo, tudo pode ser remediado graças a um transplante, recorrendo à outra filha do casal, também acabada de nascer. Mas aqui nasce a grande dúvida dos dois pais: será melhor deixar que um dos filhos morra (é o que acontecerá se William não for operado) ou sacrificar os dois recém-nascidos numa cirurgia altamente perigosa? Durante todo o episódio, Tommy e Julia tentam perceber qual a melhor decisão a tomar, mostrando-lhes que a vida de pai não é nada fácil. Este parece ser o teste encontrado pelos autores para mostrar às duas personagens que a sua simples existência ganhou ainda mais importância, agora que têm duas (ou uma) crianças a depender deles.

No final de tudo, os dois acabam por tomar a decisão mais difícil: desistir da operação e sacrificar o pequeno William, para que a pequena Elizabeth (nome com que acaba por ser baptizada a menina) tenha direito àquilo que o irmão não teve: uma vida. Esta história contribuiu, e muito, para o clima pesado do episódio: afinal, o que é que cada um de nós decidiria se estivesse no lugar de Julia e Tommy? Mas acabei por gostar desta história, por me parecer que é feita referência ao próprio William Walker, o aparente pai de família exemplar. Quer-me parecer que a morte do jovem William é mais um incentivo a toda esta família de que a vida continua, e que o passado não pode ser remediado. Esta ideia foi trabalhada durante todo o ano pelos autores, e talvez a utilização de mais este recurso tenha sido um pouco forçado e repetitivo, mas, apesar disso, gostei desta dúvida vivida por Tommy e a mulher, que, finalmente, tiveram um episódio quase que dedicado à sua história.

Houve ainda lugar para uma confirmação: o casamento de Sarah (Rachel Griffiths) e Joe (John Pyper-Ferguson) está tão morto e enterrado como os dois William Walkers. A cena em que os dois comunicam aos filhos que se vão separar é das melhores do episódio, e é onde Kerris Lilla Dorsey prova (outra vez) que é uma pequena grande actriz.

O que me faz torcer o nariz em relação a este episódio, é mesmo a história protagonizada pelo casal Kitty (Calista Flockhart) e Robert (participação de Rob Lowe). Para além do facto de Robert pedir Kitty oficialmente em casamento, o Senador, sem saber, é vítima de chantagem por um antigo companheiro de guerra, que ameaça contar a verdade sobre o seu acto heróico na Guerra do Golfo. Enquanto Robert tentava mostrar a Justin (Dave Annable) aquilo por que ele viverá quando for de novo para o Iraque, Kitty pede auxílio a Kevin (Matthew Rhys) para solucionar esta crise. Depois de ouvir as palavras de Justin sobre o quão boa pessoa é Robert, o advogado coloca todas as suas crenças políticas de lado e ajuda a irmã, despachando o chantagista com uma rapidez que me faz pôr em causa esta intriga. Tudo isto serviu para relembrar-nos de que ninguém é perfeito, incluindo o Senador Robert McCallister? Penso que todos nós já sabiamos disso. Talvez tenha sido apenas com o intuito de relembrar os mais esquecidos do segredo do candidato à presidência, mas, seja como for, não gostei desta história, que prejudicou, e muito, o aproveitamente do episódio. Aliás, este problema já se arrasta há alguns episódios: apesar da excelente química de Flockhart e Lowe, o casal está a tornar-se no elo mais fraco da série. Esperemos que na segunda temporada as coisas mudem.

Já em “Matriarchy”, as coisas são completamente diferentes. Todo o drama assistido no episódio anterior é substituído por um clima mais leve, ou não fosse o dia da festa de noivado de Kitty e Robert. E quando nós pensávamos que não havia família mais problemática do que os Walkers, eis que nos surgem os McCallister, encabeçados pelo General Weiner (participação de Gary Marshall), que mais parecem um grande grupo fugido do manicómio. Apesar das cenas envolvendo as duas famílias terem sido muito divertidas, eu achei muito difícil que um candidato à Presidência dos EUA possa ir a lugar algum com uma família destas… Já imaginaram os escândalos e a vergonha por que o Senador teria/tem de passar?

O episódio marca ainda a despedida de Justin, que, contra todas as previsões, acaba por ser chamado para o Iraque mais cedo do que era previsto. Assim, o jovem alcóolico em recuperação (como se isso fosse possível, com a dependência colectiva que esta família tem em relação ao álcool), em segredo, tenta arranjar maneira de se despedir de todos aqueles que ama: vai fazer surf com Tommy, vai ver um musical com Kevin… A única que não aceita tal acto é mesmo Nora (Sally Field), que vê nestas atitudes uma maneira de Justin dar um último adeus definitivo à sua família. A viúva não está preparado para ver o seu filho partir, ainda para mais se também ele morrer no campo de batalha. Nora tenta a todo o custo evitar a despedida, iludindo-se com a ideia de que Justin voltará são e salvo para casa. Depois de uma conversa com Robert, e quando Rebecca (Emily VanCamp) conta que Justin foi sozinho para o aeroporto, sem se despedir de ninguém na festa, Nora e Kitty tentam ver o filho mais novo de William uma última vez. E quando se esperava por uma cena em grande, eis que somos presenteados com uma cena bem morninha, tal como o episódio. A despedida de Justin não teve qualquer chama ou emoção, e mais parecia um momento como outro qualquer.

E isso é uma das coisas que mais me frustaram com este final de temporada. Não foi um mau episódio, mas eu esperava qualquer coisa mais elaborada, depois de tantos episódios a roçar na perfeição. Penso que os argumentistas poderiam ter feito mais qualquer coisa com o material que tinham em mãos. Por outro lado, é também compreensível que estas pobres almas, depois de tudo o que passaram, tenham, pelo menos, um momento de paz.

O episódio foi também marcado por uma confissão de Rebecca e por uma aventura de Kevin.

Antes de Justin partir, a filha de Holly (Patricia Wettig) conta ao irmão mais velho aquilo que realmente a trouxe de volta a Los Angeles: o homem mais velho com quem estava envolvivda acabou por se suicidar depois da mulher ter descoberto, pela segunda vez, que tinha uma relação extra-conjugal com Rebecca. Sinceramente, não sei o que dizer sobre isto. Esperava que o motivo fosse algo assim, mas só posso formar uma opinião melhor na próxima temporada, e isto se este aspecto do passado da personagem for abordado. Espero bem que sim, bem como quem é a verdadeira Rebecca. Afinal de contas, Holly deixou no ar a possibilidade de que a filha não era de confiança e que poderia estar a aproveitar-se da boa vontade dos Walker, e, até agora, não vimos nada disso, muito pelo contrário…

Quanto a Kevin, fez aquilo que já se esperava há muito: beijou Jason (participação de Eric Winter), o irmão mais novo de Robert. O que ele não esperava era que Jason exercesse uma profissão tão… divina! Tal como aconteceu com Rebecca, não tenho grande opinião formada sobre isto. Era previsível que os dois tivessem momentos mais intímos, mais cedo ou mais tarde, mas veremos como correm as coisas para este casal. O único poblema é que o desfecho dos dois pode não corresponder às nossas expectativas, uma vez que Eric Winter está no elenco da nova série Viva Laughlin, que estreia no próximo mês nos EUA. Veremos se a série é cancelada rapidamente (é o que se prevê) e se Winter regressa a Irmãos e Irmãs.

Apesar disto tudo, a grande revelação ficou por conta da personagem mais misteriosa da série, o tio Saul (Ron Rifkin): quem aqui, alguma vez, pensou que Saul era gay, ou melhor, bissexual (não esquecer o seu affair com Holly)? Antes da transmissão deste episódio no outro lado do atlântico, surgiram notícias de que iria ser revelado o grande segredo do irmão de Nora, mas nunca pensei que fosse isto, sempre pensei que fosse algo mais relacionado com os negócios da família. Esta história também precisa de mais desenvolvimentos na próxima temporada, mas, ao contrário das duas anteriores, já tenho uma opinião formada sobre este assunto. Este novo traço da personalidade de Saul só revela uma coisa: Jon Robin Baitz ficou sem ideias sobre o que fazer com a personagem de Ron Rifkin. Aliás, foi o próprio que o afirmou numa recente entrevista. Tudo isto é apenas uma solução para dar algum destaque à personagem, e, muito honestamente, acho forçado e exagerado. Não quero passar uma ideia de homofobia, muito pelo contrário, mas acho que este tema já era representado, e muito bem, através da personagem de Matthew Rhys. Penso que este desenvolvimento do tio Saul não se adequa ao seu percurso na série. Mas a ver vamos como esta história vai ser aprofundada no futuro. Talvez eu até mude de ideias. Mas, até lá, estou muito reticente em relação a este assunto. Aliás, é uma das coisas que mais curiosidade tenho em ver na nova série do programa. Para além da aparente bissexualidade de Saul, estou curioso em ver o que vai acontecer com Julia. Deprimida com a morte do seu filho, a mulher de Tommy passa os dias deitada, tomando comprimidos, tentando recuperar de todos estes problemas enquanto Elizabeth não sai do hospital. Será que vem aí uma dependência química para Julia? Seria bom. Ao menos, poderíamos conhecer um pouco mais da personagem e Sarah Jane Morris poderia mostrar do que é capaz.

Não posso terminar a review sem referir a cena final do episódio e da temporada, com todos os Walker (à excepção de Justin, Julia, os filhos de Sarah, e Joe, que nem sequer apareceu), juntamente com Holly, Rebecca e Robert, a saltar para a piscina vestidos, depois dos McCallister os terem desafiado. A cena combina na perfeição com o espírito do episódio e parece querer lavar todos aqueles personagens, limpando-lhes a alma e a mente de todos os problemas que os atormentam, e preparando-os para os problemas que terão de enfrentar no novo ano. Nós ficamos cá para ver!

Brevemente, a review geral sobre a primeira temporada de Irmãos e Irmãs. Até lá!

5 Respostas para “Review – Irmãos e Irmãs – “Favourite Son” (22/23) e “Matriarchy” (23/23)”

  1. vitoscano Diz:

    Esta para mim a par de Dr House e Anatomya de Grey(não gostei muito da 2º temporada de Prision Break ,vamo ver como vai ser a 3º e Heroes é boa mas não faz muito o meu estilo) foram as 3 melhores séries transmitidas nos ditos canais generalistas e quase direi que em todos os que tenho pela Cabovisão(talvez acrescente aqui Sem Rasto de que gosto muito, Sobrenatural é bom mas não aprecio muito o mesmo acontece com Médium). Até agora fiquei apenas surpreendido com o ultimo épisodio de CSI Las Vegas emitido esta Terça pelo AXN, demonstou que a mesma ainda tem algo para dar não está morta, como já se denota á muito no caso do Serviço de Urgências(bem disfarçado nos épisodios em que participou Don Cheadle) .

  2. Joana Couto Diz:

    Concordo coma tua opinião dr.house, anatomia de grey e brothers and sisters; definitivamente as melhores estes ano. É a minha opinião também.

  3. Stephane Araujo Diz:

    Eu adorei Brothers and Sisters, apesar de não ter vistos os ultimos episódios (já que me encontrava de viagem), e para mim foi das melhores séries que passaram nestes ultimos tempos (não fazia ideia que ia haver uma 2ª temporada, pensava que iria ficar na primera). Eu adoro a actriz Sally Field, acho-a extremamente fantastica no papel de Nora. Era um elenco do melhor. Quanto as três melhores séries, acrescentaria a esta, “Donas de Casa Desesperadas”, não há melhor série na critica da sociedade, e fa-lo de uma maneira tão irónica… É uma outra grande série. Eu colocava esta duas séries em primeiro lugar. O segundo lugar iria, então, para “O Amor no Alasca”, que se tem revelado uma excelente série, cheia de emoções e mensagens da vida.
    Continuem com o blog, está a ser muito interessante!!!

  4. Review: Irmãos e Irmãs- “Holy Matrimony!” (9/16) « Hotvnews 2.0 Diz:

    [...] Lembram-se do homem que foi chantageado na primeira temporada pela noiva do momento e por Kevin (Matthew Rhys) para que não contasse a todos os actos menos nobres de Robert na Guerra do Golfo? Pois essa informação vai mesmo ser divulgada, prometendo um turbilhão de emoções nos próximos episódios. Lembro-me que na altura em que fomos confrontados com esta trama pela primeira vez, fiquei um pouco desiludido com a maneira rápida e eficaz com que a história foi solucionada, mas parece-me que os autores acertaram em trazer este problema de novo. Conseguirão Robert e Kitty ultrapassar, com a ajuda de Isaac, mais este empecilho, ou será esta a desculpa ideal para comprometer a campanha e não tornar, futuramente, Irmãos e Irmãs na nova Os Homens do Presidente? [...]

  5. Review: Irmãos e Irmãs- “Prior Commitments” (16/16) « Hotvnews Diz:

    [...] parecem caminhar no mesmo sentido, o sentido de desenvolver estas personagens e dar-lhes, tal como “Matriarchy” fez no ano passado, um temporário final [...]

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