
Episódio: Grapes of Wrath
Temporada: 1.ª temporada
Canal: RTP2
Primeira transmissão em Portugal: 10 de Agosto de 2007
Primeira transmissão nos EUA: 05 de Junho de 2007
“There are a lot of things you can say about my family. Bottom line, when it counts, they show up.”

Tal como prometido, cá estou de regresso às reviews de Brothers and Sisters, das quais confesso que já estava a sentir saudades. Esta família provoca-nos um sentimento de dependência, tal é a intensidade das suas vivências e a naturalidade com que eles diariamente interagem, como se se tratasse de uma família do nosso bairro. Vejamos então o que de novo acontece no seio do clã Walker!
Começo desde já por dizer, que não será uma review tão entusiasmada como é habitual, uma vez que, na minha opinião, não se tratou igualmente de um brilhante episódio, como tem sido comum ao longo de toda a temporada. Talvez a minha exigência esteja demasiado elevada, fazendo com que não se aceitem abrandamentos na história, como parece ter sucedido no episódio de hoje. Como veremos mais adiante, e, apesar de parecer que está tudo reunido para uma boa “dramédia”, verificaram-se certos entraves, que a meu ver se relacionam com um argumento algo disperso e com alguns pormenores da história que deveriam ter sido destacados.
O título deste episódio “Grapes of Wrath” é também o nome de uma premiada obra literária de John Steinbeck, cuja narrativa deu posteriormente origem em 1940 a um filme de referência de John Ford, com o mesmo nome. Em Brothers & Sisters, não se trataram das “Vinhas da Ira” (tradução portuguesa), mas pode dizer-se que não andou muito longe disso.
Na verdade, a acção deste episódio teve especial incidência na personagem de Tommy (Balthasar Getty) e o mote da história centrou-se verdadeiramente na conturbada prova de vinhos que se realizou na “Walker Landing”, a vinha que uniu Tommy e Holly (Patricia Wettig) numa recente e curiosa parceria, na firme vontade de seguir os desejos do pai daquele e amante desta respectivamente. Dar a conhecer a vinha e os seus produtos e a busca de novos investidores, para um negócio que acaba de nascer, terão sido seguramente os motivos essenciais que levaram os dois empresários a organizar este fim-de-semana. Contudo, nem tudo correrá como planeado…
O evento decorreria efectivamente dentro da normalidade, não fosse o emaranhado número de histórias paralelas que esta família colecciona, a que nós francamente já nos habituámos, com imenso agrado.
Assim sendo, Sarah (Rachel Griffiths) dá início ao movimento dos irmãos que têm razões suficientes para não comparecer à festa de Tommy. Sarah não se quer cruzar com Holly, por ainda se sentir ferida com o que aconteceu entre Joe (John Pyper-Ferguson) e Rebecca (participação de Emily Vancamp);
Kitty (Calista Flockhart) deseja viajar com o senador Robert McCallister (participação de Rob Lowe) para Washington DC, para consolidar o pedido de casamento que lhe fez no episódio passado; Kevin (Matthew Rhys) começa a achar que a sua presença na vinha poderá significar uma afronta a Sarah e, por último, Justin (Dave Annable), não quer ser o único dos irmãos a aparecer na festa com a mãe e com um bolo, o fantástico elemento de comunicação entre o clã Walker. Nora (Sally Field), que já se tinha decidido fazer acompanhar à festa pelo seu professor de escrita, Mark (participação de Peter Coyote), convoca uma reunião de família, mostrando que compreende a dor de Sarah, “obrigando” todavia os restantes a apoiar Tommy nesta fase da sua vida.
Joe quer mostrar a Sarah e à família desta que continua a amar a esposa, decidindo, para isso, acompanhá-la durante o fim-de-semana. Esta decisão acaba por não ser bem acarinhada pelo restante núcleo Walker, que vêem em Joe a tristeza e a desilusão da irmã. A indiferença e a agressividade da família para com Joe, deixam Sarah desapontada, pois precisa do seu apoio para a decisão que possa vir a tomar, em relação ao futuro do seu casamento. Precisa que eles aceitem a sua vontade! Na verdade, Sarah quer apenas prolongar a imagem que guarda da sua infância, fruto de uma alegada relação forte e segura dos seus pais, mesmo que não tenha sido isso que realmente aconteceu.
Esta situação criou peripécias inimagináveis e, se existe alguma forma desta família esquecer os problemas, essa forma passa seguramente por um bom vinho, algo que evidentemente não faltava nesta festa. Aproveito para comentar, que numa família que luta pela reabilitação de um dos irmãos – neste caso, de Justin – não deixa de ser demasiado contraditório esta recorrência ao álcool.

Sarah e Kevin abusam da prova de vinhos, mas será Kitty a vencedora da melhor cena de embriaguez com um elemento da família Walker. Calista Flockhart ofereceu à sua Kitty um desempenho soberbo, tal foi a naturalidade e a comicidade do momento, fazendo acreditar que não sabia o que fazia, o que dizia, nem o que queria… claramente visível nos notáveis diálogos que mantém com Kevin. Foi para mim o melhor momento do episódio, que só pecou por ser demasiado curto.
Sem vinho à mistura, Holly assume uma postura demasiado altiva, ao seduzir Mark e ao beijá-lo mais tarde num passeio pelos vinhedos, algo que pareceu, acima de tudo, mais uma tentativa de ofensa a Nora.
Apesar de não ter ficado surpreendida com atitude de Mark, Nora quer resolver este e outros problemas com Holly… chegando-se portanto ao momento da noite, que podem rever aqui.





Falemos da célebre luta de comida (ainda não percebi porque não usaram vinho, se esse era o tema do episódio) …
Apesar de ter sido uma cena muito cómica, por ter primado sobretudo pelo efeito de estranhamento no espectador, já que serão raras as oportunidades de ver Sally Field e Patricia Wettig num duelo tão colorido e apetitoso, não consigo perceber a necessidade da sua inclusão no desenvolvimento da trama deste episódio. Trata-se, na minha opinião, de uma cena despropositada, descabida e com um final simplesmente incoerente, porque os motivos de ambas para a discussão encerravam em si mesmo um factor comum: a manutenção da dignidade de ambas e esta não terá ficado incólume nesta contenda sem sentido. As duas “rivais” terminaram o conflito em risos e lágrimas, como se de uma discussão entre duas adolescentes se tratasse, confidenciando segredos e chegando a uma conclusão simplesmente surreal: ambas sentem enormes saudades do cabelo (???) de William Walker, o homem das suas vidas. Apesar de Nora não ser rancorosa, custa-me a acreditar que se tenha esquecido tão rapidamente das últimas investidas de Holly, principalmente o envolvimento voluntário desta com Mark. Este terá sido para mim, sem qualquer hesitação, o momento mais negro e infeliz do episódio.
Para além disso, destaco como menos positivo o facto da história de Rebecca ter estagnado num momento importante da acção. O facto de quase não ter voz neste episódio torna bastante difícil perceber se o pedido de desculpas a Sarah foi sentido, ou se se trata de mais um golpe da fria e astuta nova protegida de Nora. A pergunta que me apraz colocar é: se ela representa um perigo para a matriarca da família, segundo Holly, terá sido seguro deixá-la sozinha na mansão dos Walker?
Em contrapartida, o final do episódio consolida alguns instantes menos bons que se tenham sentido durante o mesmo, pois sustenta obstinadamente a premissa desta série e da citação que escolhi para a review de hoje: “There are a lot of things you can say about my family. Bottom line, when it counts, they show up.” Na verdade, a vida dos elementos desta família pode sofrer inúmeras contrariedades, mas nunca consegue separá-los, porque eles mantêm-se unidos quer nos bons, quer nos maus momentos. De um modo inesperado, vemos Julia (Sarah Jane Morris) a entrar em trabalho de parto dos gémeos e, ao mesmo tempo, uma família inteira a apoiar o que irá suceder… mas tal só saberemos no próximo episódio de B&S.
Para a semana traremos mais novidades desta família, que já parece fazer parte da nossa! Até lá!

Vencedores já anunciados!


Quarta-feira, 15 Agosto 2007 ás 15:10
Não acompanho a série, mas estou muito curioso sobre ela… Alguém sabe se repetirá?
Boa review!
Quinta-feira, 16 Agosto 2007 ás 10:09
Vi dois ou três episódios desta série e o pouco que vi agradou-me imenso. O horário a que passa a série (acho eu que ainda dá à 6a feira na RTP2) não ajuda muito… Eu sigo as séries da RTP2 porque acho que o horário é muito bom ( alternativo às novelas), mas 6a feira normalmente não é noite para se ficar em casa…
Sábado, 18 Agosto 2007 ás 2:09
João, se tiveres tv cabo, vê na programação da foxe life. Tb gosto bastante da série, mas falhei este último.
Abraço.
Quinta-feira, 30 Agosto 2007 ás 21:41
Eu tenho um DVR (Digital Video Recorder) mas talvez o conheçam por TIVO.
Gravo sempre aquilo que quero ver, e depois vejo quando quero. Como não sabia que a RTP2 ia passar 2 episodios seguidos, perdi talvez os ultimos 2 ou 3 minutos do ultimo episodio.
A serie é interessante (mas já vi melhor)
De qualquer maneira a minha mensagem é: comprem um DVR (por exemplo na FNAC) nunca mais perdem um episódio, e até pode dar ás 4 da manhã.
Terça-feira, 22 Abril 2008 ás 2:54
[...] 4×10 (rpt) 12:20 – Irmãos E Irmãs (Brothers and Sisters, no original) – 1×21 (rpt) com review da Carla Sousa 13:10 – Donas de Casa Desesperadas (Desperate Housewives, no original) – 3×22 [...]